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Idiomas: especialistas avaliam modalidades de ensino

Publicado:
11/10/2010 às 08:01
Leitura
8 minutos
Idiomas: especialistas avaliam modalidades de ensino

Seja em uma escola ou de forma autodidata, o aprendizado de um novo idioma deve estar acompanhado, necessariamente, de recursos relacionados aos hábitos e aos hobbies dos alunos. Este tipo de ferramenta permite não somente deixar o ensino mais ágil, como também ajuda o interlocutor a ganhar fluência em seus assuntos favoritos. Além disto, basear-se em métodos e práticas que priorizem a comunicação, mais do que aspectos gramaticais, é outro elemento fundamental, na visão de Dolors Masats i Viladoms, professora do departamento de didática da língua, literatura e ciências sociais da Universidade Autônoma de Barcelona. “O enfoque comunicativo é importante, pois ensina o aluno a colocar em prática o idioma que aprende”, justifica.

Para ela, na escolha das escolas, os profissionais devem dar preferência àquelas que recriem situações comunicativas frequentes em sua profissão. “Normalmente, estes cursos chamam-se english for specific purposes e são dedicados a profissionais de um campo específico, como tecnologia”, destaca. Este tipo de ensino, muitas vezes, está vinculado a cursos no exterior, pois o aluno tem a oportunidade de usar tudo o que lhes ensinam. No entanto, há cuidados a tomar, como, por exemplo, não se relacionar todo o tempo com pessoas do mesmo país de origem, já que isto reduz as oportunidades de utilizar a língua estudada.

Com relação ao tempo mínimo necessário, a professora acredita que um mês pode ser eficiente para pessoas que já possuem um nível intermediário do idioma, enquanto para quem vai começar do zero o mínimo seriam três meses. “Cursos de menos de um mês não valem a pena”, enfatiza. O grande problema, assume, é que poucas pessoas podem estar um mês no exterior. Nesse sentido, devem aproveitar as férias e buscar um curso no país do idioma pretendido, lembrando que há aulas tanto em universidades públicas como em escolas privadas.

“Mais do que participar de um curso, viver o cotidiano da cidade é a melhor forma de aprender”, reforça Sergi Martinez Rigol, diretor de atividades de verão e projetos internacionais da Universidad de Barcelona. Ele lembra que, para aproveitar o período de férias (que na Europa ocorre entre junho e agosto), a universidade oferece um programa de cursos intensivos em diversos idiomas, sendo que também é possível fazer aulas multidisciplinares em línguas como inglês, espanhol e catalão.

Ricardo Basaglia, headhunter de TI da consultoria brasileira Michael Page, concorda com os professores e aconselha os interessados a buscar uma experiência no exterior para tornar mais ágil o aprendizado e ganhar fluência. De acordo com ele, principalmente no mercado de TI, o inglês figura como exigência fundamental. “Em muitos currículos que recebo o candidato coloca que possui inglês técnico, quando na realidade não existe um inglês técnico, simplesmente os patamares avançado, intermediário e baixo”, critica o especialista.

Basaglia reconhece que profissionais de TI, em geral, não possuem tempo para investir no aprendizado de outro idioma. No entanto, enfatiza que isto não serve como justificativa em um processo seletivo, independentemente dos argumentos para explicar o porquê não aprendeu a falar inglês. “Hoje, é mais importante realizar um curso de inglês que uma pós-graduação ou um MBA, porque o idioma é algo fundamental, enquanto a pós representa um diferencial”, considera.

Além disso, não basta somente saber ler, algo que funcionava no passado. Atualmente, as áreas de TI das empresas estão globalizadas e os times de executivos são multidisciplinares, de forma que saber inglês representa uma condição básica do dia a dia. “O salário de um profissional técnico que sabe inglês chega a ser 40% mais alto, se comparado aos ganhos de outra pessoa com os mesmos conhecimentos técnicos, mas que não sabe o idioma”, revela o especialista. 

Ele conta que algumas empresas que trabalham com offshore preferem contratar professores de inglês e ensinar-lhes tecnologia no lugar de investir em profissionais técnicos que não falam a língua. “Claro que isto vale somente para cargos que exigem conhecimentos técnicos básicos”, esclarece. Segundo o executivo, mais de 70% dos processos seletivos que conduz na área de TI apresentam a falta do inglês como fator eliminatório.

Marcelo Mariaca, presidente do conselho da consultoria brasileira Mariaca, que possui 20 anos de experiência em recrutamento, lembra que o inglês é necessário não somente pela demanda técnica, como também de relacionamento com executivos de multinacionais. “Quem não fala inglês vai tornar-se mudo e isto vale não só para o mundo de TI, como também para áreas financeiras e técnicas”, avalia.

Em sua opinião, o mercado nacional está bem preparado para suportar um aumento de demanda e de investimentos externos que devem chegar ao País com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, porém, é preciso buscar um processo continuo de treinamento. “O espanhol também é importante, mas brasileiros podem comunicar-se nesse idioma de forma imperfeita e já são entendidos, o que não ocorre com o inglês”, detalha.

Esforço independente

Marcelo Milhomem, gerente de projetos da distribuidora Ingram Micro, aprendeu inglês de forma totalmente autodidata. Ele explica que, quando começou a carreira no mercado de tecnologia há alguns anos, as publicações técnicas das empresas estavam disponíveis somente em inglês. “Eu tinha dois desafios: expandir meu vocabulário e ser capaz de entender o material técnico das empresas norte-americanas”, lembra.

Assim, decidiu pedir a amigos que haviam feito cursos sobre o idioma os livros de gramática e dicionários usados e começou a estudar sozinho. “Cheguei a pensar em participar de um treinamento formal, mas os cursos para me tornar fluente eram muito longos, de pelo menos três anos”, justifica. Com o seu método autodidata, Milhomem conseguiu um nível intermediário de inglês em apenas um ano.

Uma das táticas de sucesso, na visão do executivo, foi que usou, além da gramática, material de interesse pessoal sobre assuntos diversos, como viagens ou literatura. “Assim, o atrativo pessoal que as leituras tinham também me ajudou a memorizar expressões e palavras, além de aumentar minha fluência nas leituras”, celebra.

Depois que alcançou um nível intermediário de inglês, foi para os Estados Unidos pela primeira vez para trabalhar em um projeto internacional de dois meses, o que lhe permitiu uma imersão total no ambiente e uma fluência definitiva no novo idioma. “Saber inglês abre oportunidades de trabalhar com negócios internacionais, enquanto o desconhecimento da língua limita a pessoa a atuar somente em âmbito nacional”, avalia. 

Apoio externo

Após quatro anos de curso em uma escola em São Paulo, Alexandre Garcia Duarte, gerente projetos da K2M, consultoria parceira Microsoft, decidiu que deveria viajar para o exterior para ganhar fluência no inglês. Organizou uma viagem de um mês para o Canadá, em Toronto, dando preferência ao curso que oferecia, além de gramática, atividades adicionais como aulas de listening e uma específica para treinar a pronúncia. “Depois de estudar durante quatro anos, tinha um bom nível do idioma, porém, minha grande dificuldade era falar”, explica. 

Quando chegou em Toronto, a simples necessidade de fazer uma pequena compra ou subir em um ônibus representava um problema. “Não sabia as melhores formas de executar tarefas simples e cotidianas, algo que, com o passar dos dias, tornou-se automático”, recorda. Nos primeiros momentos, evitou contato com brasileiros para conseguir realizar todo o tipo de tarefa em inglês, algo que ajudou muito no processo de aprendizagem.

Quando voltou do Canadá, sentiu impactos imediatos na carreira, pois participou de um treinamento dado por executivos estrangeiros, algo que nunca havia podido fazer. “No final, convidei os executivos para uma happy hour, o que seria impossível sem um mínimo de fluência no idioma.” Além disso, a K2M passou a fechar contratos e parcerias com empresas do exterior e a participar de congressos e eventos técnicos nos Estados Unidos.

Com 12 funcionários, a consultoria é especialista em projetos de BI e CRM. “Quando contrato profissionais, exijo que eles saibam, pelo menos, ler em inglês, pois o material didático para novas tecnologias tarda para ser traduzido”, justifica.

Leia também:

Recursos que podem ajudar no aprendizado de idiomas

 

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