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  4. 5 perguntas e respostas para entender o que é Biohacking

5 perguntas e respostas para entender o que é Biohacking

Publicado:
05/12/2019 às 18:10
Leitura
6 minutos

Aprendizado contínuo, alimentação balanceada, atividade física regular, vida familiar em ordem e sono em dia – a lista do que precisamos para ter desempenho ótimo é longa… e não termina por aí. No Vale do Silício, um dos ambientes profissionais mais competitivos e estressantes do mundo, um novo item está entrando para esse checklist: o biohacking. O termo é relativamente novo, mas é claro que a internet já tem uma quantidade aparentemente interminável de informações sobre o tema.

 

Numa tradução literal, biohacking é hackear o próprio corpo. Os objetivos básicos são ter mais energia e uma mente mais aguçada. As definições do que é exatamente o biohacking variam bastante, e muita gente considera essa tendência um estilo de vida. Preparamos um pequeno guia, organizado no formato de perguntas e respostas, para você saber mais sobre o biohacking – e se ele serve para você.

 

 

1 – O que é biohacking?

 

 

Numa definição ampla, biohacking é tentar mexer com a biologia do seu próprio organismo, para torná-lo mais produtivo. Pode-se dizer que um atleta que usa substâncias proibidas para melhorar sua performance também está fazendo biohacking? Provavelmente, mas estamos falando de algo bem diferente.

 

Em primeiro lugar, a ideia do biohacking é usar apenas compostos seguros e legais. Além disso, nem todo biohacking envolve o uso de drogas ou suplementos. Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter, é fã do jejum intermitente. Ele faz apenas uma refeição por dia e não come nada nos finais de semana, segundo disse numa entrevista recente.

 

Além de potencialmente ajudar na perda de peso, o jejum intermitente – que envolve passar ao menos 12 horas sem ingerir nenhuma caloria, ou então jejuar dias inteiros – ajudaria na concentração e traria mais “clareza mental”. Dorsey também medita duas horas por dia e toma banhos gelados pela manhã, antes de caminhar oito quilômetros até o trabalho.

 

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O biohacking, portanto, pode ser algo tão simples como mudar alguns hábitos do dia-a-dia. “Exercício é biohacking, nutrição é biohacking. São coisas acessíveis a qualquer um no dia-a-dia”, diz Karima Benauer, professora assistente do departamento de neurologia da Universidade Emory. Mas é claro que, no mundo dos geeks do Vale do Silício, os experimentos com a própria biologia vão muito mais longe.

 

 

2 – Que tipo de suplementação pode ser considerada biohacking?

 

 

Aqui também a resposta é “depende”. Tomar complexos vitamínicos ou cápsulas de ômega-3 certamente pode ser considerado biohacking, mas os adeptos dessa tendência vão muito além dos suplementos encontrados em qualquer farmácia. Na tentativa de melhorar seu desempenho, muitos biohackers criam coquetéis de suplementos – chamados “stacks” -, com o objetivo principal de melhorar as funções cognitivas.

 

O empreendedor russo Serge Faguet ganhou notoriedade na internet depois de publicar um artigo intitulado “Tenho 32 anos e gastei 200 000 dólares em biohacking. Fiquei mais calmo, emagreci e sou mais extrovertido, saudável e feliz”. O artigo é acompanhado de duas fotos com os comprimidos que Faguet toma de manhã e à noite (são mais de 60) e gráficos indicando queda no percentual de gordura e na concentração de mercúrio em seu sangue, entre outros dados.

 

“Somos robôs (complexos). Robôs podem ser ajustados e melhorados”, escreveu Faguet. No caso dele, isso significa uma combinação de antidepressivos e remédios (um deles usado por diabéticos, doença de que Faguet não sofre), além de uma lista enorme de suplementos. Alguns exemplos: creatina, extrato de folha de oliveira, cúrcuma, alho, ácido r-lipoico e extrato de chá verde. Não faltam posts em blogs, threads no Reddit e artigos no Medium sobre os “stacks” usados pelos biohackers. Mas é claro que você não deve tomar nenhum tipo de droga sem antes consultar um médico.

 

 

3 – Que tecnologias são usadas pelos biohackers?

 

 

A tecnologia digital é uma das grandes aliadas do biohacker. Relógios inteligentes, como o Apple Watch, aparelhos de vestir (como FitBit e outros trackers de atividades físicas) e sensores que monitoram a qualidade do sono são parte integral do arsenal do biohacker. Estamos falando de engenheiros, em sua maior parte, e o que não se mede não se melhora. Dorsey é fã do Oura, um anel que mede a temperatura do corpo durante a noite, mede o fluxo de sangue nas artérias e registra sua movimentação na cama. A ideia é analisar as noites de sono e tentar isolar comportamentos que possam prejudicar seu repouso (como tomar uma taça de vinho no jantar ou ficar no celular até pegar no sono, por exemplo).

 

Alguns vão ainda mais longe. Os “grinders”, um subgrupo radical dos biohackers, implantam sensores no organismo – talvez um prenúncio da chegada dos ciborgues. Rich Lee, um carpinteiro americano, implantou ímãs e sensores NFC na ponta dos dedos. Seu objetivo é abrir portas de carros ou interagir com leitores sem precisar sacar o celular do bolso. Lee também tem um chip no antebraço que mede constantemente sua temperatura corporal.

 

 

4 – O que diz a ciência?

 

 

Por enquanto, muito pouco. A comunidade de biohackers é nova e adepta ferrenha do espírito “faça você mesmo”. São poucos e esparsos os estudos sobre os efeitos do biohacking em suas várias formas – com, exceção, é claro, dos hábitos de vida saudáveis relativos a alimentação, atividade física e sono. Diante disso, só restam as opiniões entusiasmadas dos praticantes (levando em conta que quem investiu tempo e dinheiro e não obteve resultados não vai sair anunciando o fracasso aos quatro ventos).

 

 

3 – O biohacking é seguro?

 

 

Comer bem, ir à academia e dormir oito horas por noite? Sem a menor dúvida. Ingerir um coquetel de comprimidos ou, em casos extremos, implantar um eletrônico sob a pele? Só seu médico pode responder a essa pergunta. Mas bom senso nunca é demais: antes fazer qualquer tipo de experimento com seu próprio organismo, consulte um profissional de saúde.

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