Desde que o Facebook mudou seu nome para Meta e colocou o metaverso no centro de suas estratégias, muito se tem falado sobre o conceito e, principalmente, que impacto ele terá no modo como as empresas fazem negócios. Algumas delas, inclusive, estão testando alguns modelos no novo ambiente, com novos tipos de interação.
Mas o fato é que tudo ainda é muito incipiente. José Felipe Ruppenthal, Associate Partner da Kyndryl, lembra que o real significado do metaverso para o mundo corporativo ainda não foi compreendido. “Muito do que se entende do que foi divulgado até agora é que o metaverso é mais um ambiente virtual acessado por meio de óculos especiais onde é possível participar de jogos online”, compara.
Para o executivo, este entendimento vem do fato de que esta é a visão passível de compreensão neste momento. “Mal comparando, nos anos 90 acreditava-se que a internet era um ambiente que permitia a troca de e-mails, conversas online e acesso a conteúdo em navegadores. Demorou para que tivéssemos a exata dimensão do que ela seria em nossas vidas. Com o metaverso, deve ocorrer o mesmo”, afirma.
Tendência para os próximos anos
Não se trata de uma visão isolada. O Gartner coloca o metaverso como uma forte tendência. Ao apontar o conceito como algo que deveria estar no radar das empresas este ano, a consultoria deixa claro que ele não deve se tornar massivo antes de oito anos. De todo modo, ele foi incluído na lista porque a expectativa é de que o metaverso estenda a capacidade de computação para além do que está disponível hoje, mudando fundamentalmente o modo como pessoas e empresas interagem uns com os outros e com o mundo.
Na prática, o metaverso é considerado o próximo estágio evolutivo da internet (Web 3.0), e a expectativa é que a transição seja tão significativa quanto a do analógico para o digital. Segundo o Gartner, embora os benefícios e oportunidades do metaverso não sejam imediatamente viáveis, as soluções emergentes surgidas até aqui indicam possíveis casos de uso, com a criação de novos modelos de interação digital e de negócios que possam otimizá-los.
“A função do metaverso será conectar a realidade do dia a dia com a realidade virtual, criando uma realidade única, que chamaremos de digital”, explica Ruppenthal. A criação desta nova realidade digital vai fazer com que tecnologias como AR (Realidade Aumentada), VR (Realidade Virtual), IoT (Internet das Coisas), robôs, drones, Digital Twin, IA, hologramas, sistemas hápticos e outras tantas que hoje estão em silos passem a fazer parte do dia a dia dos usuários, não mais como rotina, mas como DNA.
Para Ruppenthal, vários passos para a criação desta realidade digital já foram dados. Alguns exemplos são a existência de dinheiro no mundo online, a transformação dos skins de jogos em roupas de grife assinadas por grandes marcas e a conversão de obras de arte em NFTs (Non-Fungible Tokens). Não só isso, como também a popularização das reuniões em ambientes virtuais – muito aceleradas pela pandemia – e a ocorrência de boa parte dos relacionamentos humanos no mundo digital, mais especificamente nas redes sociais.
Transformação em fases
Estes passos são apenas os primeiros de um processo de transformação que levará empresas e pessoas para o metaverso. Ruppenthal explica que serão basicamente duas fases. Na primeira, serão conectadas algumas tecnologias do dia a dia para a geração de benefícios específicos, como a inclusão de robôs em rotinas cotidianas ou o uso de realidade aumentada para resolver problemas pontuais. “Na segunda fase, passamos a conectar todas estas tecnologias com as nossas vidas, tendo a internet como plataforma. É algo que já vem ocorrendo com a TV, o carro e a geladeira, por exemplo”, compara.
Embora não arrisque uma previsão, o executivo acredita que a transformação estará completa quando a vida virtual se tornar mais relevante que a vida real, ou quando as pessoas passarem mais de 90% de seu tempo no mundo digital. “O que vai determinar a velocidade desta transformação é basicamente a nossa vontade de fazer isso acontecer”, diz.
No caso das empresas, a criação desta realidade digital passa pela continuidade de seu processo de transformação digital e, claro, pela modernização de seus sistemas, que devem estar prontos para suportar interações neste novo mundo. É aqui que a Kyndryl tem ajudado seus clientes de forma mais efetiva.
Um exemplo é o setor de varejo, confrontado atualmente pelo alto grau de exigência e digitalização dos hábitos dos clientes. Para enfrentar estes desafios, o setor vem buscando aumentar as vendas, reduzir as despesas e melhorar a fidelidade do cliente, isso de forma ágil e com o uso de tecnologia adaptativa. “A Kyndryl capacita os varejistas a enfrentar esses desafios com recursos e conhecimentos que os ajudam a oferecer uma experiência unificada e diferenciada ao cliente”, explica Ruppenthal.
O executivo cita como exemplos a criação de soluções de reconhecimento de clientes, que permitem o marketing personalizado geolocalizado e uma experiência de checkout aprimorada por uma infraestrutura de rede para vídeo, celular e Wi-Fi; a otimização do merchandising da loja e o layout do piso usando IA alimentada pelo mecanismo de análise de dados de mapeamento de calor de vídeo; a condução de uma experiência hiperpersonalizada onde e quando o cliente fizer compras e utilizando dados em todas as plataformas disponíveis; e, claro, a criação de uma experiência de compra de realidade virtual imersiva no metaverso que simula uma experiência na loja de todas as maneiras, com disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem custos de mão de obra transacionais.
Mas, independentemente do setor, cada empresa terá que saber o momento exato de entrar neste mundo de realidade digital, acompanhando o seu processo de transformação digital e as estratégias de inovação do seu negócio. “Os esforços de modernização estão entre as prioridades das empresas, mas muitas vezes a complexidade dos negócios e da tecnologia, junto com a escassez de habilidades críticas de TI, retardam este processo”, comenta Ruppenthal. E é aí que entra a necessidade de contar com parceiros de tecnologia capacitados para fazer a ponte entre os negócios digitais e a tecnologia.
Quer saber mais sobre o metaverso? Ouça o podcast Kyndryl Talks: https://open.spotify.com/episode/69CaV9GeAB3rGao79cXEBj?si=XhjIbpeVS_mZtHn-wVyagw