A TIM vem num processo de transformação constante nos últimos meses que afeta não apenas ofertas para usuário residencial, mas também o segmento corporativo. Para usuário final, talvez a principal mudança aplicada neste ano tenha sido o fim da cobrança adicional para ligação para outras operadoras, o que, segundo o presidente da operadora Rodrigo Abreu, já causa movimentação da concorrência. Além disso, tal ação, explicou o executivo, corrobora com uma nova visão da empresa de não estar tão focada em market share, mas em receita e ampliar o uso dos serviços por parte dos usuários.
Num ano complicado como tem sido 2015, a expectativa é que tais mudanças produzam efeitos positivos para a companhia. Abreu frisa, no entanto, que esse fim da cobrança, por exemplo, não surtiu efeito imediato (foi implantado há um mês), mas, ainda assim, ele consegue observar uma tendência de ganhos. Uma maneira de medir isso é a reversão, depois de seis anos, de um quadro negativo na portabilidade, para um quadro positivo nas últimas quatro semanas, ultrapassando inclusive a Vivo, sua principal concorrente. “É muito cedo para sentir os efeitos práticos dos novos planos, mas é positivo. Não teve uma migração em massa porque ela só acontece quando é forçada, mas está dentro dos parâmetros.”
A seguir, você confere uma visão da operadora em termos de estratégia e ganhos para 2016, compartilhadas durante um almoço com a imprensa, em São Paulo:
1 – Usuário Final
Para o presidente da TIM, 2016 deve continuar um ano complicado, mas um pouco menos pior que 2015. Parte desse “menos pior” deve vir, na avaliação do executivo, de uma redução na inflação, que sofrerá menos pressão do câmbio, não haverá preço administrado no setor e a pressão do consumo também será menor. “Dos pilares econômicos, inflação é o pior para telecom porque impacta consumo e o poder aquisitivo dos menos favorecidos (grandes consumidores dos modelos pré-pagos)”.
O executivo também entende que o cenário é de melhora pelas mudanças no portfólio. O fim da cobrança adicional para ligação para outras operadoras deve trazer mais impacto nos próximos meses e até propiciar um aumento na base de pós-pagos. Além disso, a recente queda no volume total de chips móveis no País não significa redução no volume de usuários únicos. “O número de usuários únicos cresce, temos uma estimativa de que existam 135/140 milhões de usuários únicos. Hoje o número é maior pelo uso do múltiplo simcard, comportamento que começa a cair e não apenas pela nova tarifa, mas pelo uso de mensagem, que pode ser trocada sem custo com usuário de qualquer operadora.”
Com essa tendência dos consumidores deixarem o múltiplo simcard, Abreu acredita que a TIM tem possibilidades de fidelizar sua base e até ampliar o volume de pós-pago, já que lidera em pré-pago. “Nosso movimento é para ser a primeira operadora de escolha quando o cliente deixar de utilizar dois ou mais simcards”.
2 – Corporativo
No corporativo, o movimento deve ser um pouco diferente. Ainda que no ano passado a companhia tivesse previsto um 2015 bastante forte no segmento, o conturbado cenário econômico postergou um pouco esse desempenho mais positivo. Ao longo dos últimos meses, houve uma grande reorganização da área de atendimento B2B, liderada por Alex Salgado, e foram também executadas alterações no portfólio, tudo isso para melhor atender aos clientes nesse momento de transformação. Agora, eles vão trabalhar para colher os resultados daquilo que foi plantado.
“A análise da inflação vale para pessoa física, mas não para o corporativo. Não é ação macro, estamos em processo, tivemos turn around, mudamos oferta, canal e reversão não tem tanto de macro, mas das nossas próprias ações para voltar estabilidade e crescimento, o que deve acontecer na parte final do próximo ano.”
3 – Novos modelos
Também presente no encontro, Luis Minoru Shibata, que há pouco tempo assumiu a posição de Chief Strategy Officer (CSO) da TIM, falou que além de pensar a estratégia da empresa está no seu escopo estudar novos modelos de negócio. Não que a companhia esteja buscando uma ruptura imensa, mas ele entende que é preciso, sim, repensar algumas coisas no setor.
“A TIM e qualquer operadora tem que repensar o trabalho com parceiros e ecossistema, estudar modelos que não sejam apenas o de revenue share, nem sempre tendo a operadora como carro chefe, utilizando, por exemplo, localização, segurança. É preciso buscar mais velocidade e flexibilidade e o investimento vai nessa direção. Trata-se de um movimento que acontece no mundo inteiro e aqui não seria diferente.”
O objetivo é avaliar o cenário e entender como melhor contribuir com o ecossistema de parceiros e plataformas, colocando esforços onde mais se pode agregar valor e combinar tudo isso com experiência do cliente, até pela mudança na forma de consumir produtos digitais. “Assim, nos adaptamos a isso com novos serviços.”