Poucos presidentes de empresa dispõem hoje de mais de duas horas de conversa com alguém de mercado, ainda que seja na hora do almoço. A correria para buscar as metas arrojadas muitas vezes faz com que a troca de ideia de onde muitas vezes podem surgir oportunidades de negócio seja deixada de lado. Mas Maurício Cataneo, presidente e VP de finanças da Unisys no Brasil, encontrou com o IT Forum 365 e dedicou quase três horas do seu dia para falar sobre a companhia como um todo. Relembrou a recente reestruturação, que culminou com encerramento de algumas linhas de produto para, nas palavras de Cataneo, “vencer onde somos bons”.
O executivo explicou que, de maneira geral, as mudanças fizeram com que a geração de caixa ficasse positiva desde 2008, além de promover praticamente o fim do endividamento e, agora, o desafio é crescer mais a receita. O faturamento da companhia atualmente está na casa dos US$ 3,5 bilhões. No Brasil, com dois mil funcionários – a segunda maior operação da provedora no mundo perdendo apenas para os EUA -, ele tem colhido bons frutos. Mesmo 2014 sendo um ano atípico por Copa do Mundo e Eleições, a Unisys devem fechar com crescimento. A seguir, separamos quatro pontos da conversa com Cataneo que traduz um pouco do espírito dessa Unisys que vem renascendo pós-reestruturação.
Saúde financeira
“Desde 2008 a empresa apresenta lucratividade e geração de caixa todos os anos. A dívida foi reestruturada e paga até 2013, sobrando uma pequena parcela para 2017. Hoje temos em caixa três vezes o valor da dívida. Nosso desafio agora é o crescimento e escolhemos o que temos chances de ganhar para não gastar recursos em vão. Preparamos a empresa do ponto de vista estrutural, mas isso não acaba. Foi construída uma base sólida e o desafio é crescer em todas as regiões. O ano de 2014 começou difícil, mas segundo semestre é muito forte, em 21 de outubro, quando divulgamos os resultados do terceiro trimestre, os números foram bem recebidos pelo mercado, houve crescimento de receita. O resultado final saiu de prejuízo para lucro, cresceu América Latina e America do Norte.”
Parceiro do cliente
“Em muitas empresas, especialmente as globais, quem direciona a estratégia é o negocio e temos conversado com áreas de negócios para ajudar o CIO a entender a necessidade e levar uma solução que atenda cada departamento e não a vontade do CIO. Assim, ele sai da tecnologia e entra no negocio de fato, e isso faz com que o executivo de TI seja admirado pelo de negócio e deixa de ser gargalo. A aceitação varia de caso a caso, mas as conversas têm evoluído e a receptividade tem sido boa. Empresas globais estão mais avançadas, no cenário nacional ainda existe um receio, mas quando ganha confiança de que a Unisys quer ajudar no sucesso dele, deixando que ele pense na estratégia e nos fazemos o serviço de TI, as coisas acontecem. Quando se tem o apoio do negócio, reduz discussão de ROI, gastos, entre outros, porque o negócio viu valor e a TI não passa o pires sozinha.”
Olhar mais amplo
“Por muito tempo olhamos as empresas com faturamento acima de US$ 10 bilhões, hoje não temos limites, se quer falar com a Unisys e podemos atender com nosso portfólio, vamos conversas, organizamos a empresa para ser competitiva também em contratos menores. Existe uma tendência de contratos menores e de menor duração, mas se o trabalho é bem feito, a renovação é tranquila. Até por isso pegamos contratos menores.”
Mercado local
“Estamos forte em serviços no Brasil e AL, olhando como service desk dentro de um conceito amplo e todos os níveis, com atendimento de campo. Assumimos SLAs agressivos e clientes que recebem serviços são boas referencias. Embora pareça commodity, tentamos fugir do comum, da briga por preço, porque mensuramos tudo. Entender a necessidade de negocio é um diferencial que temos, ajustamos porque nem sempre o SLA pedido é o necessário. Vou te dar um exemplo, caixas eletrônicos, quanto mais rápido o atendimento, melhor para um banco, porque o caixa parado é prejuízo, então, o SLA tem que ser agressivo. Nas maiores operações os funcionários são Unisys e isso é uma diferença. E quando são terceiros, são muito fieis e já nos conhecem. Temos no Brasil 2 mil, é a segunda maior operação global fora dos EUA.”