Se hoje 99,4% do mundo está fisicamente desconectado, segundo a Cisco, muito em breve esse cenário será completamente diferente. Somente neste ano, de acordo com Joseph Bradley, vice-presidente de Internet of Everything da Cisco Consulting Services, 180 bilhões de aplicativos serão baixados. Até 2018, 21 bilhões de dispositivos em todo mundo estarão conectados e 49% do acesso Wi-Fi e 12% dispositivos móveis ligados à internet vão gerar 61% do tráfego IP na web.
O mundo está se rendendo à transformação do físico para o digital, algo que a Cisco chama de Internet of Everything (IoE, internet de tudo, em tradução livre). O modelo vai movimentar US$ 19 trilhões nos próximos dez anos globalmente. Isso porque, a corrida para o digital está acelerada: somente em 2014 a Cisco entregou para o mercado 24 bilhões de sensores.
Com essa mudança em curso, a indústria vai presenciar uma série de implicações. “Nesses anos nos quais apoiamos a migração do físico para o digital, aprendemos muitas coisas. Tudo conectado pode ser animador, mas também assustador”, afirmou Bradley, em conversa com jornalistas durante o Cisco Live, realizado de 7 a 11 de junho em San Diego (EUA). Veja abaixo cinco implicações que as empresas deverão passar ao adotar a disrupção digital.
1. Dados estão por todos os cantos
Bradley apresentou um dado interessante para ilustrar esse desafio: quatro de cinco clientes confiam em uma instituição não-financeira para suas necessidades financeiras. “Por que isso está acontecendo?”, questionou. “Talvez porque eles não estejam usando os dados para levar valor para a relação”, observou.
2. Tempo real já ficou no passado
Esqueça a visão que você tinha até então sobre tempo real. Ela ficou para trás. O mundo atual precisa de respostas muito mais rápido. Quer um exemplo? “Com a IoE, um sutiã inteligente com sensores de temperatura pode detectar imediatamente se uma mulher está com câncer. É desse tipo de tecnologia que estamos falando”, explicou, acrescentando que a rápida detecção da doença é capaz de prevenir 98% das mortes.
3. Se não funciona no mundo mobile, não existe
É como fazer uma busca no Google. Se você não encontrou o que procurava é porque não existe. O mesmo está acontecendo com o mundo móvel. “Nas lojas de compras de aplicativos, 57% das 127 empresas listadas pela Fortune não estão bem ranqueadas”, disse, alertando sobre a necessidade de companhias levarem seus serviços também para a era mobile.
4. Contexto é tudo
Não é porque você sabe o nome de um cliente, que você o conhece. Hoje, não basta mais enviar e-mails para consumidores com informações como essa. “Contexto no novo mundo, pautado pelo digital, é crítico”, disse. De acordo com o executivo, é por isso que 91,5% das companhias de venture capital estão financiando startups focadas em analytics. O poder da análise é o que vai diferenciar uma empresa tradicional de outra bem-sucedida.
5. Inovar é mais do que idealizar
Bradley lembrou que inovação está geralmente associado ao tripé pessoas, processos e negócios, mas no mundo de IoE, ganha novos elementos: coisas e dados. Para exemplificar, ele citou uma rede de supermercados, que poderá identificar a necessidade de abrir mais caixas em determinados horários do dia combinando uma série de elementos, usando coisas, dados, processos e pessoas.
Sensores em vagas no estacionamento e no carrinho de compras indicam a quantidade de pessoas no local. Dados serão gerados e analisados, podendo, por exemplo, apontar que um caixa levaria 40 minutos para atender a todos no supermercado. “Em vez de o funcionário anunciar no microfone que outro deve se dirigir ao caixa dois para abri-lo e todos ficarem sabendo, um sistema colaborativo informa essa necessidade e logo alguém se dirige para lá”, detalhou.
O executivo apontou que, ao implementar soluções para IoE no varejo, companhias do setor podem obter ganhos de 15,6% em receita. “Você está preparado para essa mudança?”, questionou Bradley, promovendo uma reflexão sobre o tema.
*A jornalista viajou a San Diego (EUA) a convite da Cisco