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5 perguntas para o CEO
GFT

5 perguntas para a CEO: Marika Lulay, da GFT

Publicado:
28/11/2019 às 08:00
Leitura
7 minutos
Marika Lulay, GFT - Stuttgart 2018

Desde 2017 Marika Lulay é a CEO global da GFT Technologies, multinacional alemã que desenvolve tecnologias voltadas para indústria e o setor financeiro, e vem conduzindo a empresa por um processo de estruturação em que se destacam a diversificação de negócio e o trabalho de consultoria para preparar os clientes para o novo cenário do mercado de tecnologia. 

Na entrevista abaixo, Lulay apresentou dados sobre a participação do Brasil dentro dos negócios da companhia alemã, discutiu os cuidados necessários para o planejamento do open banking e abordou a importância de fomentar a qualificação em tecnologia, entre outros assuntos. Confira: 

Computerworld Brasil: Como o Brasil está posicionado dentro da operação global da GFT?  Podemos esperar mais investimentos da companhia no país em 2020?  

Marika Lulay: O Brasil está entre os principais mercados do mundo, ocupando o 6º lugar nas operações da GFT em todo o mundo. É um país onde trabalhamos com instituições líderes, principais bancos e seguradoras, desenvolvendo soluções muito inovadoras. A partir daí, prestamos serviços para outros mercados, como Estados Unidos, Espanha e Reino Unido, entre outros, o que demonstra a nossa força aqui.  

Nos primeiros seis meses de 2019, por exemplo, a GFT Brasil teve um crescimento muito significativo, com um aumento de 32% na renda, o que representa mais de 3 milhões de euros em relação a 2018. No mesmo período, alcançamos um aumento de 21% no número de colaboradores, o que nos leva a crer que alcançaremos o milésimo profissional no país em breve – atualmente são quase 900.  

Nos próximos anos, pretendemos continuar investindo no Brasil e na América Latina, analisando oportunidades de negócios e priorizando entregas em tecnologias exponenciais para os nossos parceiros. 

CW: O Brasil está se preparando para o uso do open banking, que promete otimizar as operações financeiras e trazer mais empresas para o mercado. Dentro da sua experiência com o uso dessa facilidade, quais são os principais erros e acertos vistos na implementação da tecnologia em outros países?  

Marika: Os modelos de negócios de Open Banking em todo o mundo trazem desafios específicos de acordo com questões regulatórias locais e características do mercado local, apesar de existirem muitas similaridades entre eles.  

Uma dessas semelhanças muito claras são os padrões técnicos do uso de APIs e microsserviços. Podemos aproveitar nossa experiência e capacidades globais para atender a diferentes projetos em diferentes países, com o apoio de nossos parceiros. Em um mundo de Open Banking, a verdadeira busca por valor é encontrar estratégias de engajamento do cliente que criem lealdade. 

Os erros que as companhias cometem em suas jornadas estão relacionados com pensar em open banking como uma questão exclusivamente regulatória, quando, na realidade, é uma oportunidade para repensar os modelos de negócios.  

E a principal preocupação não é a complexidade técnica ou o ROI desses modelos, mas a segurança. Como fornecer uma experiência hiperpessoal sem aumentar o risco de perda de privacidade? Um vazamento de dados para um banco não é aceitável, não há espaço para tal falha.

Portanto, estamos sempre trabalhando em conjunto com nossos clientes e parceiros para garantir que, independentemente da solução, plataforma, infraestrutura ou provedor de nuvem, o modelo de Open Banking seja seguro e não exponha nenhum dado sensível de qualquer parte interessada nesse processo. 

CW: Aqui no Brasil, a falta de mão de obra qualificada no setor é um problema que só tende a aumentar. E recentemente, a GFT abriu um programa para disponibilizar 2 mil bolsas de estudos para cursos da área. A senhora acredita que as empresas precisam agir de forma mais assertiva na formação desse público? 

Marika: Na minha opinião, é muito importante que as empresas ajudem a solucionar as deficiências que impedem o desenvolvimento em seus mercados e auxiliem em projetos que trabalhem questões estruturais.  

No Brasil, a GFT está trabalhando duro para fazer mais, desenvolvendo iniciativas como a GFT ACADEMY, nossa universidade corporativa. O projeto procura impulsionar o treinamento e capacitação e é dividido em três partes: RESTART.ME, focado no ensino de novas tecnologias para profissionais experientes que procuram se recolocar no mercado de trabalho; START, o nosso programa de estágio; e UPGRADE.ME, com workshops, palestras e treinamentos técnicos em áreas como JAVA, JavaScript, .NET, Testing, UX, DevOps, SQL e Práticas Ágeis – ambos para públicos interno e externo. 

Nós temos também o projeto MeuFuturo.Digital, liderado pelo presidente da GFT para o Brasil e América Latina, Marco Santos, que visa elevar o número de profissionais de TI de 1,5 milhão para 3 milhões em 8 anos no país, o que é um grande investimento. 

CW: Além da capacitação de profissionais qualificados para TI, quais são as outras iniciativas que as empresas precisam adotar nos dias de hoje para se manterem competitivas?   

Marika: Nos últimos tempos, temos falado bastante sobre “inovação” e “disrupção”, mas o principal elemento para permanecer competitivo é priorizar a entrega, a agilidade e a compreensão do ambiente que afeta os nossos negócios, tendo a transformação digital como guia. 

 No ecossistema de hoje, precisamos falar sobre tecnologias exponenciais – Inteligência Artificial, blockchain, nuvem,  IoT e análise de dados – e seus efeitos diários em nossos clientes.  

Como podemos aplicar e oferecer soluções que envolvam os clientes e destacar os nossos parceiros? As empresas do futuro certamente estão trabalhando nesses diferenciais hoje, fazendo um brainstorming para “aprender a desaprender” e criando novas maneiras de se manter atualizadas. 

Outro caminho estratégico é analisar as oportunidades de negócios, diversificando os mercados de operação e clientes por meio de aquisições de players especializados. Na GFT, seguimos esse caminho, com aquisições de empresas com foco em seguros e indústria.

Com a compra da empresa especializada em seguros V-NEO e o treinamento de especialistas em soluções da Guidewire, por exemplo, a GFT entrou no mercado de seguros canadense, expandiu sua posição na América do Norte e agora possui uma nova unidade na Bélgica e na França.  

Com a aquisição da expertise da AXOOM, fornecedora de serviços de TI e subsidiária da TRUMPF, os planos de investir na Smart Factory e expandir a estratégia focada na indústria foram postos em prática. 

CW: Antes de assumir, em 2017, o cargo de CEO, a senhora atuava anteriormente como COO da companhia. Quais aprendizados do antigo cargo são úteis para os desafios de agora? 

Marika: O que eu mais gosto é identificar maneiras criativas para resolver um problema e depois colocá-las em prática. A posição de COO que ocupei por muitos anos me ajudou a entender profundamente os principais fatores e características do setor em que nossa empresa atua. 

O que aprendi e ainda posso colocar em prática é a capacidade de ser confiante sob pressão e ter alta tolerância à ambiguidade. Também aprendi a ser positiva na maioria das vezes e, por último, mas não menos importante, ser consciente de que somos responsáveis por lidar com pessoas e com o dinheiro de outras pessoas. 

Em termos de processos corporativos e governança específicos, eu estabeleci um relatório estruturado – uma vez por mês, são feitas as demonstrações financeiras -, o famoso relatório de KPIs e de gestão e uma conversa de negócios sobre clientes, pessoas e todas as outras questões. Gosto do meu papel atual e das pessoas com quem trabalho e, no fim das contas, isso também é muito importante.  

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