Tendência atual, o blockchain tem sido tema de discussões do mercado de consultorias. Segundo o Gartner os questionamentos dos clientes do instituto de pesquisas sobre a tecnologia e tópicos relacionados quadriplicaram desde 2015.
“As consultas transcendem a área financeira. Estamos indicando para clientes de diversas indústrias a importância de analisar a contagiante ‘febre de Blockchain’ que atingiu o setor”, aponta Ray Valdes, vice-presidente e Fellow do Gartner.
Segundo ele, é importante que líderes de TI e de segurança entendam possibilidades e limitações do blockchain, tecnologias associadas de registro distribuído e cenários de negócios futuros para suas indústrias, em uma economia cada vez mais programável.
Abaixo, o Gartner listou as principais tendências para blockchain:
1. Blockchain 101
Segundo o Gartner, a explicação de blockchain pode ser iniciada com bitcoin, já que ela é a primeira implementação de tecnologia de registro distribuído. Como moeda digital, o bitcoin compensa a falta de uma moeda física ao rastrear o histórico de cada transação e registrar os dados cada vez que uma moeda é transferida de uma pessoa para outra.
Cada transação de bitcoin torna disponível o histórico completo daquele Bitcoin, em uma cadeia de blocos, chamada de blockchain (uma forma de registro distribuído). Para que as entradas no blockchain sejam confiáveis e seguras, o Bitcoin depende de poder computacional significativo e partes interessadas ou “exploradores” para validarem e confirmarem as transações, usando um processo estruturado para adicionar registros de transações ao Blockchain em troca de recompensa monetária.
2. Promessa e riscos
O segredo do Blockchain reside no uso inovador de tecnologias existentes para autorizar que partes não confiáveis realizem transações, independente de uma autoridade central. Há, no momento, quatro limitações da tecnologia:
Escalabilidade: no Blockchain, o sistema requer poder computacional significativo (consequentemente, eletricidade) para verificar e confirmar cada bloco de transações. Devido ao desenho desse processo, um máximo de sete transações por segundo podem ocorrer e cada bloco requer dez minutos para confirmação, no mínimo.
Falta de resistência para centralização: já que a necessidade de poder computacional para verificar as transações aumentou, a atividade de prova de trabalho tem sido principalmente consolidada em quatro organizações principais, todas estabelecidas na China. Isso altera o conceito de Blockchain como um sistema descentralizado.
Confidencialidade e Transparência: transações são públicas, possuindo seus prós e contras em termos de acesso à informação transacional, mas não necessariamente à identificação dos participantes para a rede.
Governança: o responsável pelo software de fonte aberta Bitcoin é desconhecido e, portanto, sua autoria está aberta a questionamento. Então, não há uma estrutura clara para tomada de decisão e o blockchain de bitcoin é altamente dependente de agendas individuais.
3. Criptografia
A essência dos registros distribuídos é que eles possuem o potencial para permitir que qualquer forma de valor seja alterada entre partes não confiáveis em um formato criptografado, sem a necessidade de intermediação de uma autoridade centralizada. A capacidade de conduzir transações de qualquer tamanho, com qualquer forma, sugere um futuro no qual os dispositivos e aplicativos de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) possam ser dinamicamente monetizados. Isto promoverá o crescimento da economia programável.
4. Desintermediação
Devido à natureza do registro distribuído, é compreensível que as empresas líderes de serviços financeiros vejam o conceito como uma ameaça em termos de desintermediação e como uma oportunidade para reiterar o controle do ecossistema ou para mudar radicalmente a estrutura de custo de suas operações.
5. Prevenção de fraudes
A indústria de seguro também pode se beneficiar desse conceito ao verificar bens e prevenir fraudes. Por exemplo, a Everledger rastreia milhares de diamantes anotando 40 pontos de dados únicos de cada pedra no registro distribuído. Qualquer transação subsequente do diamante pode ser rastreada até a transação anterior.