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A Copa das Copas… Pelo menos na Tecnologia

Publicado:
21/07/2014 às 10:54
Leitura
6 minutos
A Copa das Copas... Pelo menos na Tecnologia

Eu estava lá. Maracanã, 13 de julho de 2014. Confesso que sonhava com um desfecho mais feliz para o Brasil nessa Copa. Ver ao vivo o Brasil na final, em pleno Maracanã, entoar o Hino Nacional Brasileiro a capela com mais de 74 mil pessoas, espantando todos os fantasmas do passado de 1950, teria sido incrível. Mas não foi dessa vez.

Argentina e Alemanha fizeram um grande jogo, digno de uma final. No metrô, a caminho do estádio, me senti em Buenos Aires. A grande quantidade de hermanos cantando em uníssono o orgulho de serem argentinos contrastava com a discrição alemã.

Dentro de campo, pode-se dizer que foi a Copa das Copas (menos para o Brasil…melhor esquecer essa parte!!). Fora dele, digamos, foi quase. Alguns turistas da Colômbia e do México que estavam no Maracanã me relataram que os aeroportos funcionaram a contento e que estavam muitos felizes com o Brasil, principalmente com a hospitalidade do povo brasileiro. Ah… o povo brasileiro e sua incrível arte de se superar em tempos que nuvens escuras de incertezas macroeconômicas e políticas cobrem nossas esperanças de um País mais próspero e moderno.

O que podemos afirmar é que essa foi a Copa das Copas no uso das tecnologias da informação e comunicações (TIC), e esse legado ficará no Brasil.

“Temos o orgulho de dizer que esta Copa do Mundo da FIFA é o maior evento esportivo multimídia da história, e que mais do que nunca o público assistiu aos jogos e aos melhores momentos pela internet”, disse o diretor da FIFA TV, Niclas Ericson.

Em 2011, participei de uma mesa redonda com o presidente da Anatel, João Resende, e outros executivos do setor de telecomunicações (ver vídeo https://www.youtube.com/watch?v=lJOeap_9u3c). Discutíamos a adoção do 4G para a Copa, mas também a necessidade de mais qualidade nas redes móveis 3G. O WiFi despontava como a tecnologia principal para suportar a demanda gerada pelo tráfego de dados dos dispositivos móveis, dentro dos estádios e fora dele. Vídeo parecia ser a aplicação principal, responsável pela maior parte do tráfego IP que passaria pelas redes das operadoras. De fato foi. Os links para os principais provedores de conteúdo web com transmissão ao vivo dos jogos trabalharam no pico de utilização. E olha que eram links de 60Gbps a 100Gbps!

Durante a final, por onde se olhava no Maracanã (e não foi diferente nos outros estádios), viam-se pessoas com smartphones filmando, fotografando e, claro, postando nas redes sociais. Isso só foi possível porque as operadoras brasileiras fizeram um acordo de compartilhamento de infraestrutura e também investiram mais de R$ 200M na construção de redes móveis indoor 3G, 4G e WiFi (dentro dos estádios).

Só a Oi, operadora patrocinadora do evento, reportou terem passado pela sua rede 74 Terabytes de tráfego, o equivalente a 80 milhões de fotos.

A Copa do Brasil bateu todos os recordes de mensagens em redes sociais. Só no Twitter, foram 618 mil tuites por minuto no momento em que a seleção alemã foi declarada campeã do mundial. O recorde anterior era do desastroso jogo entre Brasil e Alemanha (esse ainda tem o recorde da maior quantidade de tuites – 35,6 milhões). O Facebook divulgou que o Mundial foi assunto de 3 bilhões de publicações, comentários e curtidas.

Os estádios também evoluíram muito no uso de tecnologia: os telões de alta definição, os sistemas de irrigação, o ar-condicionado e a iluminação são gerenciados por controladores conectados a uma rede IP; os sistemas de controle de acesso são integrados com o de vídeo vigilância; a telefonia é IP. Nessa Copa, a TI teve um papel fundamental na operação do estádio. Uma rede IP robusta foi vital para o bom andamento dos jogos e para a transmissão deles. Os fotógrafos e jornalistas, por meio de redes dedicadas, WiFi e cabeada, podiam transmitir em tempo real suas imagens e informações. A agilidade na disponibilização da informação foi uma das características desse mundial. Não adiantou nada a FIFA não transmitir pela TV a invasão de campo de um torcedor durante o jogo final. Em segundos estava nas redes sociais.

Se na Copa na África do Sul, em 2010, foram feitos os primeiros testes de transmissão em 3D, na Copa do Brasil foram feitas as primeiras transmissões em definição 4k (4 vezes maior que a HD – High Definition). O lançamento, em março de 2014, do satélite Amazonas-4A contribuiu para que essas transmissões fossem possíveis. E não parou por ai. A rede japonesa de TV NHK realizou, no Rio de Janeiro, as primeiras experiências em território nacional com a captação de imagens em 8K, a Ultra-HD.

O uso da Goal-line Tecnology (Tecnologia da Linha do Gol que não deixa dúvidas sobre se a bola entrou ou não no gol), dos relógios inteligentes pelos árbitros e das bolas com sensores Bluetooth trouxeram a Internet das Coisas para dentro do campo: a bola transmite estatísticas sobre trajetória, rotação, entre outras, para um smartphone ou tablet; o juiz recebe uma mensagem de GOAL no relógio quando a bola entra.

Fora do gramado, um sistema sem precedentes de predição de risco de dengue foi desenvolvido por cientistas espanhóis em parceria com autoridades de saúde no Brasil. Assim era possível prever uma epidemia que pudesse ser potencializada pela grande quantidade de visitantes recebidos no país.

Foi a Copa da tecnologia e da Internet. O Brasil se saiu bem. Já para a seleção brasileira, é hora de juntar os cacos (talvez com ajuda da torcida japonesa?!), refletir e planejar o futuro. A Alemanha não ganhou a Copa por acaso. Como se noticiou, além de bons jogadores e do planejamento de longo prazo, a equipe germânica usou o BIG DATA como arma para surpreender adversários: com a ajuda de uma ferramenta, da também alemã SAP, a equipe do técnico Joachim Löw pode analisar inúmeros dados de treinamentos e jogos, ajudando a melhorar o desempenho do time.

A Olimpíada está por vir. Será o evento do 4G, da TV Ultra-HD e do uso ainda mais intensivo da internet em múltiplas telas. Os desafios da infraestrutura tecnológica serão grandes, mas vamos superá-los – provavelmente em cima da hora, é verdade, afinal somos “brasileiros, com muito orgulho, com muito amor”!

*Lucas Pinz é gerente sênior de tecnologia da PromonLogicalis

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