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A infra-estrutura de TI dos Jogos Pan-americanos

Publicado:
03/07/2007 às 12:53
Leitura
7 minutos
A infra-estrutura de TI dos Jogos Pan-americanos

Quando os jogos Pan-americanos começarem no próximo dia 13 de julho não apenas os atletas colocarão a prova seus limites em busca de medalhas e recordes, mas também os organizadores verão o resultado do investimento de R$ 1,8 bilhão no evento que serve de vitrine para a candidatura do Brasil para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. É preciso que tudo funcione perfeitamente: hospedagem de atletas, transportes e, principalmente, a aferição e a transmissão dos resultados das mais de 44 modalidades esportivas em disputa.

Como administrar um batalhão de mais de 100 mil pessoas da ?família pan-americana?, entre jornalistas, atletas, funcionários, árbitros, técnicos, comitivas internacionais, turistas etc., que irão se credenciar para os jogos? Além disto, como garantir que os resultados dos 5,6 mil atletas de 42 países das Américas, espalhados por quadras, pistas, campos e piscinas em 29 diferentes locais de competição, sejam divulgados em tempo real para o Brasil e o mundo durante os 16 dias de competição?

A resposta está em 700 servidores, cinco mil computadores, dois bancos de dados SQL, sistemas operacionais Windows e Linux, aplicativos desenvolvidos em Java, 400 km de fibra ótica, uma rede de 100 Mbits, um sistema de identificação por radiofreqüência (RFID), 180 profissionais trabalhando diretamente no Centro de Operações Tecnológicas (TOC, na sigla em inglês) ? o coração da estrutura de tecnologia dos jogos, onde serão monitorados todos os sistemas do evento ? além de outras centenas operando os mais de 30 sistemas de gerenciamento de jogos (GMS) para operações de transporte, gerenciamento da força de trabalho, divulgação de boletins médicos, apuração de resultados etc.

?O volume de transações que serão processadas pode ser comparado ao de um banco de médio porte?, destaca Pedro Varlotta, assessor de tecnologia do Ministério do Esporte para o Pan 2007. No total, o Governo investiu R$ 165 milhões na infra-estrutura de TI e telecom dos jogos, que foi dividida em dois contratos: um de TI, vencido pela Atos Origin, no valor de R$ 113 milhões; e outro de telecom, conquistado pela Oi (antiga Telemar), de R$ 52 milhões. Os contratos também abrangem os Jogos Parapan-americanos, voltados a portadores de necessidades especiais, que serão realizados de 12 a 19 de agosto.

A opção por grandes contratos, defende Varlotta, foi feita para simplificar a gestão dos projetos. ?Isto evita que um fornecedor jogue a culpa em outro quando acontece um problema e melhora a logística, uma vez que os jogos serão realizados em quase 50 locais de competição e não-competição?, explica. Outra novidade, de acordo com o assessor de tecnologia, é a contratação de serviços gerenciados por SLAs (Service Level Agreement). ?Os níveis de serviço a serem atendidos têm padrão Olímpico?, especifica. 

Todas as ações são acompanhadas por um escritório de projetos, composto por profissionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ? que montou todo o projeto de tecnologia para os jogos ? o que garante a governança, fato raro na administração pública. ?Não temos nenhum atraso que impacte na realização dos jogos?, destaca Varlotta. Ao fim de junho, o cronograma contava com mais de 3,5 mil atividades.

Passo a passo

Durante os jogos, as informações serão captadas pelos cronômetros e sensores instalados nas áreas de competição, sendo passados para os juízes, placares eletrônicos, comentaristas de TV, imprensa, intranet e o serviço de informações por SMS que está sendo montado. Na seqüência, os dados serão armazenados nos centros primário e secundário de dados. Além dos dados de gerenciamento e de resultados, os centros também armazenarão informações sobre histórico de competições esportivas, boletins de tempo, informações gerais sobre os locais dos jogos, entre outras, que serão disponibilizadas à imprensa, espectadores e atletas. Todas operações acontecerão em frações de segundos.

Montserrat Guardia, chief operation officer (COO) da Atos Origin América do Sul, explica que a eficiência do sistema está garantida pela redundância das operações e pela proposta de simplificar ao máximo a estrutura, e não fazer ?extravagâncias?. ?Optamos por conhecer bem tudo o que temos para evitar problemas?, defende. Desenvolvidas em Java, as aplicações ? rodando com banco de dados SQL, em sistemas Windows e Linux, e ERP da Oracle ? são leves e oferecem maior eficiência no uso dos processadores, além de consumirem pouca largura de banda. O acesso às informações estará disponível por web services. O go live de todo o sistema acontecerá dez dias antes do início dos jogos.

Experiente no fornecimento de sistemas para competições esportivas (Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City em 2002 e de Turim 2006 e as Olimpíadas de Atenas em 2004), a Atos trouxe seu conhecimento e plataforma básica de sistema para ser customizada aos requisitos do Pan-americano, e treinou equipes nacionais para o trabalho. ?A idéia dos organizadores foi trabalhar com o máximo de funcionalidades, para mostrar que o Brasil está pronto para os Jogos Olímpicos?, comenta Montserrat.

A maior dificuldade do projeto do Pan na comparação com um ?convencional?, para ela, foi conciliar o desenvolvimento e a implementação simultaneamente em cerca de três meses (de outubro a dezembro de 2006). ?O planejamento é o ponto principal neste momento?, avalia. Até dezembro, 76 funcionários da Atos trabalhavam diretamente nas instalações do Pan. Durante a competição, o número chegará a 420.

A segurança da informação recebeu atenção especial da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que criou o projeto e instalou um escritório de segurança da informação para garantir que os sistemas estejam sempre disponíveis e evitar que grupos mal-intencionados alterem informações de resultados. Ainda na área de segurança, a iniciativa inédita de usar identificação por radiofreqüência (RFID, na sigla em inglês) no sistema de credenciamento, melhorará a eficácia do sistema de controle de acesso (eliminando o popularmente conhecido como ?cara-crachá?) e dificultará as fraudes, pois o sistema de criptografia evita duplicações.

Telecom

Para atender às instalações, a Oi instalou quase 400 km de fibra ótica, além de 104 km de cabos para a Vila Pan-americana. A empresa também instalou 24 novas estações de radiobase (ERBs) para a comunicação entre os visitantes e participantes dos jogos. Cinco mil aparelhos móveis serão fornecidos à organização, funcionando por meio de ramais. Outros 4,6 mil terminais fixos também atenderão ao evento. 

Toda rede de cabos e fibra foi montada com dupla abordagem, permitindo que a comunicação continue a ser feita mesmo em caso de acidentes com a rede principal. ?Preparamos uma rede robusta e toda infra-estrutura será mantida após os Jogos,  com o objetivo de atendermos antigos e novos clientes?, afirma Ricardo Amorim, diretor de vendas da área corporativa da Oi.

Durante os jogos, 600 profissionais da Oi estarão em serviço, sendo 500 na parte de operações do sistema de telecomunicações. Mais 32 trabalharão no call center do Centro de Controle de Telecomunicações do evento e do Centro de Gerenciamento de Rede (CGR) da Oi.

Legado

Passada toda a movimentação do Pan e do Parapan, toda a estrutura será desmobilizada, mas um forte legado ficará para o Brasil. Dos cinco mil desktops adquiridos para as instalações esportivas e não-esportivas, 3,8 mil serão doados a programas de inclusão digital e 1,2 mil a órgãos de segurança pública.

Além disto, todas as experiências e o conhecimento gerado para organização do evento serão publicados pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP; e servirão como base para a realização de novos eventos e como base de conhecimento para a sociedade.

Para Varlotta, os investimentos feitos pelas empresas contratadas, como o cabeamento de fibra ótica nas regiões do Rio Centro e de Jacarepaguá, que dificilmente receberiam estrutura deste tipo, é outra importante herança deixada pelos Jogos.

 

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