A Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software) lança novo esforço para reduzir o mercado cinza de sistemas para computadores no Brasil. A entidade firmou uma parceria com a companhia de análise de crédito Equifax.
“O objetivo é criar uma diferenciação entre as empresas regulares e irregulares no uso de software”, explica Antônio Eduardo Mendes da Silva, coordenador do grupo antipirataria da entidade.
A aliança firmada no final de 2009 prevê a emissão de um certificado positivo para as organizações que não utilizam sistemas piratas. A primeira ação contempla o envio de um comunicado a base de dados da Equifax informando sobre o serviço.
A partir disso, as empresas que quiserem enviam comprovantes da situação de seus softwares. A ideia é fornecer um diferencial aos trabalham dentro da lei.
Outra ação prevê que, quando uma empresa pedir análise de crédito de alguma companhia da base da Equifax, emite-se um comentário informando que aquela firma está de acordo.
“Estar irregular com software pode afetar o crédito e a saúde financeira da empresa”, defende Silva, salientando esse ponto como um diferencial na hora de escolher parceiros para fechar negócio.
Atualmente, o índice de pirataria é de 58% no Brasil, com queda de seis pontos percentuais nos últimos quatro anos. A Abes não tem números precisos sobre programas ilegais em ambiente corporativo, mas a entidade consegue ter uma dimensão da pirataria de software nas empresas nacionais através de denúncias recebidas.
Em 2009, foram 5,7 mil e-mails e telefonemas apontado utilização de sistemas irregulares que acarretaram algo em torno de 10,9 mil notificações para que companhias regularizassem os programas utilizados. Desse total, 160 ações foram movidas por fabricantes de software contra organizações que não quiseram regularizar sua situação.
Pela percepção do coordenador do grupo, sistemas operacionais (SO) representam o maior volume de softwares pirateados, seguido por aplicativos como Office, CorelDraw e Autocad. “Tem banco de dados piratas? Sim, mas não em um volume tão representativo”, explica, afirmando não haver um estudo muito aprofundado sobre o tópico.
A entidade estima que o atual índice de pirataria, de forma geral, acarretou prejuízos da ordem de US$ 1,645 bilhão à econômica nacional em 2008. Pelas contas da Abes, se o índice caísse mais 8 pontos percentuais o setor de software ganharia US$ 2,9 bilhões, até 2011, além de US$ 389 milhões em arrecadação adicional de impostos.
“O meu desejo é que caia 6 pontos nos próximos três anos”, diz Silva, sinalizando esforços em diversas frentes para atingir o objetivo.
Além da repressão e da parceria para ajudar na edução do empresário brasileiro quanto a importância de usar softwares regularizados, a entidade acredita em ações para redução de carga tributária e flexibilização de modelos de negócio por parte da indústria, impactando a questão preço, e contribuindo para a meta.