Toda vez que surge o termo internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), você deve pensar: ‘mas não é o mesmo conceito de machine to machine (M2M, na sigla em inglês?’. Amri Tarsis, diretor de IoT da Cisco para América Latina, esclarece que, realmente, os dois são sobre sensores, rede e aplicações. “IoT, no entanto, trabalha com protocolos mais abertos para compartilhar informações mais facilmente, resolvendo desafios de negócios”, explica.
O executivo lembra que a grande promessa de IoT é gerar receita a partir da correlação de dados. “É por isso que analytics vai ser fundamental para internet das coisas, uma vez que a análise informacional é que vai gerar ideias, novos produtos e serviços”, argumenta, completando que o uso de soluções analítica permitirá o cruzamento de dados de dentro da empresa com registros públicos e de outros negócios para entregar inteligência.
Parece até fácil, mas é bastante desafiador e, segundo Tarsis, organizações ainda não conseguiram enxergar todo o potencial da internet das coisas para se beneficiar dela. Naturalmente, algumas saíram à frente. Como exemplo, o executivo citou dois casos nacionais emblemáticos de empresas que já estão um passo adiante de outros negócios que não iniciaram suas jornadas de IoT.
O primeiro deles é a AES Eletropaulo, que está em processo de instalar 64 mil medidores inteligentes na cidade de Barueri, na grande São Paulo, beneficiando mais de 250 mil pessoas. “Temos um caso parecido no Canadá, mas o da AES é referência mundial por ter conseguido agregar vários fabricantes em uma rede”, comenta.
Outro exemplo é a Eletrobrás. A Cisco foi selecionada como a principal fornecedora de infraestrutura de comunicação para o projeto de medição inteligente do programa Energia+ da Eletrobras, que atenderá os estados do Amazonas, Alagoas, Acre, Piauí, Rondônia e Roraima.
Com financiamento do Banco Mundial no valor de R$ 1,2 bilhão, o projeto Energia + possibilitará eficiência operacional dessas empresas a partir da melhoria da qualidade dos serviços e do controle de perdas não técnicas, que segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chegam em média a 22% na região Norte e 10% no Nordeste em relação a energia requerida.
Parcerias fomentam IoT
Tarsis comenta que como fomentadora de padrões abertos, a Cisco aposta em parceiras para acelerar sua estratégia de IoT. Recentemente, a gigante de tecnologia passou a fazer parte do LoRa Alliance, organização sem fins lucrativos que tem como objetivo impulsionar o sucesso global do protocolo de Lora (LoRaWAN) a partir da partilha de conhecimento e experiência para ajudar a garantir a interoperabilidade entre operadores em um padrão global aberto.
“Para concretizarmos a promessa de IoT, tínhamos de nos associar a outras empresas. A LoRa tem mais de cem companhias, que, juntas, querem acelerar a padronização e adoção de IoT”, diz, acrescentando que a Cisco acredita que existirão outras possibilidades de rede para emplacar a internet das coisas. Na visão do executivo, ainda, a regulamentação para IoT tem de avançar para que se possa garantir o salto da tecnologia em diversos segmentos.
Futuro é agora
Na visão de Laercio Albuquerque, presidente da Cisco Brasil que assumiu o posto há 60 dias, IoT não é mais futuro, é realidade e diversos casos de sucesso provam. “O Brasil está acelerando a adoção, com expectativa de movimentar mais de US$ 400 bilhões”, contabiliza.
E, segundo ele, a Cisco está em posição privilegiada para liderar demandas de IoT. “Somos uma empresa que dita a tecnologia. Conectividade é chave para IoT e estamos no centro desse cenário”, garante o executivo. Com base em sua experiência, Albuquerque conta que energia, varejo, bancos e saúde sairão à frente em termos de adoção.
Albuquerque destaca que a Cisco aposta forte no Brasil para garantir que negócios de diferentes segmentos se beneficiem de IoT. “Neste ano, vamos atingir R$ 1 bilhão em investimento em solo nacional, o que inclui o Centro de Inovação no Rio de Janeiro, fábrica local e investimento em startups”, finaliza.