Entra ano e sai ano e o assunto computação em nuvem continua a gerar debates interessantes em encontros de tecnologia da informação. Embora a maioria dos executivos de TI reconheça todo o avanço dos provedores e um amadurecimento dos serviços, inclusive no Brasil, quando se falar em migrar aplicações core ou mesmo estruturar um grande projeto para eliminar infraestrutura própria e explorar o mundo de cloud, as coisas não parecem ser tão simples como se pinta.
Marcos Bueno, CIO da Nufarm e convidado para liderar as conversas sobre nuvem durante sessão do Intercâmbio de Ideias, no IT Forum+ 2015, listou uma série de benefícios como custo, facilidade de acesso e desempenho, flexibilidade em infraestrutura e otimização da equipe de TI, contudo, o executivo ressaltou que em algumas ocasiões se deparou com questionamentos internos e mesmo com problemas durante algumas iniciativas como em uma iniciativa de nuvem híbrida.
Em relação à segurança da informação, que por muitos anos foi o principal dilema em relação à adoção de nuvem, Bueno lançou mão do que muitos consultores têm frisado há algum tempo: “Segurança temos dentro e fora de casa, mas, em nuvem, o provedor saberá mais sobre segurança que você, de maneira que vulnerabilidades poderão ser mais bem tratadas e com mais eficiência.”
A experiência de Bueno com nuvem não está restrita à Nufarm, onde ele conseguiu implantar com sucesso o uso de Salesforce, inclusive com Remedyforce para help desk, mas passa por migração de servidores e uso de outros sistemas nesse modelo em outras companhias onde ele atuou. “Desde 2010 venho trabalhando com conceito de nuvem e tem muito da visão do executivo com relação à TI e também muito do resultado que apresentamos no dia a dia. Por que ir para a nuvem? É novo, é moda, traz benefícios? Em termos de custo é muito mais flexibilidade que economia”, comentou.
Durante as discussões, embora muitos executivos tenham se mostrado reticentes em migrar sistemas mais críticos para o ambiente de nuvem, sobretudo nuvem pública, foi praticamente consenso que será preciso trabalhar com o tema fortemente no médio prazo, mesmo em empresas públicas. Está posto que não se pode ser especialista em tudo e o futuro da TI é um departamento cada vez mais enxuto e utilizando o poder dos provedores para ajudar em escalabilidade, solução de problemas e mesmo gerenciando o que já é considerado commodity. Com raras exceções, é praticamente impossível ter dentro de casa o que os parceiros têm em termos de ferramental e pessoas especializadas em diversos tópicos.
“Assim, o que levar para nuvem e o que não levar? Não é porque é um bom negócio ou mau negócio, mas porque algumas aplicações não foram feitas para esse ambiente e a implantação não tem sucesso. Eu levei algumas aplicações que não estavam prontas para cloud e hoje viraram modelo de host. Se precisa de VPN para acesso não é cloud, é host ou host colocation. Cloud é via web ou smartphone sem interface ou intermediário no caminho”, atesta.
Outro ponto bastante citado diz respeito às questões contratuais, sejam elas de SLA, ampliação ou redução de licenças (quando for o caso) e, principalmente, cláusulas que facilitem a saída ou migração para outro provedor. Praticamente todos os executivos relataram muita complexidade para uma eventual saída, exigindo assim uma negociação dura e minuciosa antes da migração.
“Temos muita opinião sem saber do que se trata. Pode ser que tenha um projeto em sua empresa que não exista melhor opção para iniciar a não ser cloud e o mesmo vale para o contrário. Na medida do possível, tendo a usar soluções em nuvem, seja SaaS ou PaaS. Estamos testando Amazon, Google, Softlayer para ganhar experiência. Vários provedores estão instalando data center no Brasil para mitigar risco ou medo de onde o dado será armazenado. É caminho meio sem volta e em cinco anos creio que ninguém mais comprará servidor, eu já estou deixando de comprar porque pra gente faz sentido, ainda que nem todas as questões estejam resolvidas”, avaliou Kiril Bilitardo, CIO da Stelo.