Embora o Google Glass ainda não esteja pronto para ser um produto em escala comercial, a última leva de venda da companhia abriu ainda mais horizontes para o desenvolvimento de aplicações para o dispositivo vestível. Inclusive para aplicações tidas como críticas, como é o token e autenticação de segurança desenvolvido pela brasileira BRToken.
A companhia conseguiu um aparelho em abril, quando o Google colocou mais alguns óculos à venda apenas para cidadãos americanos, ao preço de US$ 1,5 mil. Como a brasileira está estudando um processo de internacionalização que deve durar mais de um a dois meses, o responsável por esse trabalho de consultoria nos Estados Unidos recebeu a missão de comprar um Glass e trazê-los aos desenvolvedores brasileiros.
“Em duas semanas, nossos desenvolvedores fizeram as aplicações após baixarem as APIs do Google para o aparelho, que não é nada mais que um dispositivo Android”, conta o diretor de tecnologia da BRToken, Alexandre Cagnoni. Ele explica que a intenção da companhia é demonstrar que aplicações de segurança podem rodar em alternativa ao token físico, seja em smartphones como também em vestíveis, de óculos a smartwatches.
Ainda que o mercado, em especial o brasileiro, veja o Google Glass com insegurança. “O Glass ainda é um mito para o brasileiro porque a gente não tem acesso a ele. Hoje, é um público muito restrito que conhece: desenvolvedores, empresas”, teoriza. O executivo vê como positiva as discussões sobre privacidade envolvendo o aparelho, mas vê viabilidade de mercado quando o produto chegar à prateleira.
“É uma solução interessante, muito simples, vai trazer mais benefícios que preocupações em diversas áreas”, espera. E como é característica também dos consumidores nacionais o gosto por novidades, Cagnoni vê um futuro repleto de aplicações reais – sem ignorar os desafios. “Hoje, em termos de segurança, 90% dos vírus são para Android. E no Glass não vai ser diferente. Mas a gente vai combater isso”, finaliza.