Dispositivos que utilizam Interfaces de Programação de Aplicativos (do inglês API, ou Application Programming Interface) para se comunicar, fazer transações ou mesmo negócios com pessoas, serão a base de um futuro próximo, à medida que a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) se torna mais inteligente.
Segundo vivemos uma economia de API, um conjunto de modelos de negócios e canais com base no acesso seguro de funcionalidade e troca de dados. As APIs tornam mais fácil a integração e conexão entre pessoas, lugares, sistemas, dados, coisas e algoritmos.
Essas interfaces criam novas experiências de usuário por meio do compartilhamento dados e informações, autenticação de pessoas e coisas e permissão para transações e algoritmos, alavancando programas de terceiros e criando novos produtos, serviços e modelos de negócio – o uso de APIs permite desde o ajuste remoto da temperatura de um cômodo usando um app que controla o termostato até a compra de ingressos de cinema on-line.
“A economia de API é importante facilitador para tornar um negócio ou uma organização em uma plataforma, que pode multiplicar a criação de valor”, afirma Kristin R. Moyer, vice-presidente e analista emérita do Gartner. “Esse tipo de interface permite ecossistemas de negócios dentro e fora da empresa para gerar compatibilidade entre usuários e promover a criação e/ou troca de bens, serviços e moeda social para que todos os participantes possam capturar valor”, completa.
O Uber é um exemplo de negócio criado em uma plataforma porque alavanca o Google Maps por meio de uma API que permite modelo de negócios totalmente baseado no alinhamento entre motoristas e passageiros. Já a rede de farmácias americana Walgreens utiliza, por exemplo, uma API para seus serviços de impressão de fotos nas lojas a qual possibilita que terceiros ofereçam aplicativos de imagens no mesmo ambiente, permitindo que a empresa se torne uma plataforma de fotografia em vez de uma impressora de imagens.
Esse tipo de visão industrial, constituído de quatro partes (conceito, capacidades, bens e pesquisa), é o que as empresas devem criar para tornarem seus negócios uma plataforma.
Conceito – Uma visão industrial busca a mudança fundamental que atingirá diversas dimensões dos negócios e das operações. Utilizar APIs para transformar um negócio em uma plataforma envolve três componentes essenciais: modelos de Negócios Digitais, os quais permitem que ecossistemas de pessoas, negócios e coisas criem valor de fora para dentro; plataformas de modelo de negócios, as quais possibilitam que negócios digitais exponham os bens da empresa existentes, como algoritmo, informação, recursos e análises; e ecossistemas de negócios, que alavancam a plataforma do modelo de negócios para criar novas soluções.
Capacidades – O CIO (Chief Information Officer) precisa de um conjunto de novas capacidades para transformar seus negócios em uma plataforma, como uma cultura de TI que inclua transparência, uma abordagem de TI bimodal para lançar plataformas de modelos de negócios e ecossistemas, uma disciplina de ciclo de vida de gerenciamento de bens que catalogue e gerencie coisas como algoritmos, criando novos e aposentando os antigos quando apropriado. Além disso, o CIO necessita de uma estrutura organizacional e de compensação alinhada a plataformas de modelo de negócios em vez de produtos e serviços. As novas abordagens para gerenciamento de risco e propriedade intelectual devem se adaptar a um modelo de negócios digital que compartilhe bens cruciais com parceiros de ecossistema.
Recursos – O CIO precisa de novos recursos tecnológicos para transformar seu negócio em uma plataforma, como APIs que exponham bens como dados, algoritmos e transações, software de gerenciamento de API que permitam a implantação da plataforma de modelo de negócios e a proteção de sistemas de dados e da empresa. Além disso, o executivo deve também ter processos de negócios inteligentes para escalar a curadoria de quais ecossistemas os parceiros criaram e para garantir que as soluções sejam éticas, confiáveis, seguras e compatíveis.
Pesquisa – Os desenvolvimentos em torno de modelos de negócios digitais são dinâmicos, mudam rapidamente e devem se expandir para novas áreas. Entretanto, o CSO (Chief Strategy Officer) terá que manter um programa de pesquisa focado em monitorar e adaptar a visão industrial da empresa para se tornar uma plataforma. O CSO deve avaliar continuamente as novas possibilidades de negócios digitais.