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Arthur Lawrence é o novo CEO da FCamara; Fábio Câmara assume como chairman

Transição planejada há anos coloca empresa brasileira de tecnologia em rota de expansão global com foco em inteligência artificial

Publicado:
09/02/2026 às 09:55
Pamela Sousa
Pamela Sousa
Leitura
5 minutos
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A FCamara, consultoria brasileira de tecnologia, concluiu uma transição de liderança planejada há anos. Arthur Lawrence assume formalmente como CEO, enquanto o fundador Fábio Câmara migra para a cadeira de Executive Charmain, se dedicando a temas como inteligência artificial e inovação.

A mudança não é abrupta, segundo os executivos. Lawrence já divide a cadeira de co-CEO há dois anos e lidera a frente de negócios há três. “Fábio sempre será uma figura muito forte dentro da empresa. Não queremos que seja diferente”, afirma Lawrence, formado em economia e relações internacionais, com passagens por Whirlpool e BTG Pactual.

Lawrence entrou na FCamara em 2019 com a missão de estruturar governança para viabilizar crescimento. Auditoria, board e indicadores operacionais foram implementados. Em 2022, a empresa captou recursos com o BTG e iniciou um ciclo agressivo de fusões e aquisições. Foram 12 operações desde então, metade delas fora do Brasil.

Leia também: Distrito Itaqui anuncia novo CEO e inicia fase de expansão

A companhia tem operações em Portugal e quase 10% da receita vem do exterior. Entre os projetos recentes estão entrega de sistema para cliente em Dubai, contrato com o principal varejista espanhol e negociações com grande empresa de bens de consumo nos Estados Unidos. “Temos muita coisa acontecendo fora do Brasil e isso certamente acelera bastante”, diz Lawrence.

A estratégia é deixar de ser uma empresa média e se tornar uma companhia capaz de competir com grandes consultorias.

Mil agentes de IA e meta de 4 mil até o fim do ano

A liberação de Câmara da operação tem um objetivo claro: dedicar-se à construção de capital intelectual virtual. A empresa já conta com 1.800 profissionais humanos e cerca de mil agentes de IA, desde automações simples de notas fiscais até assistentes que substituem tarefas jurídicas e contábeis.

“No final de 2026, quero poder dizer que temos 1.800 profissionais e 4 mil agentes. Não queremos demitir ninguém”, afirma Câmara, que diz estar “reaprendendo tudo” para construir não mais sistemas, mas “pessoas virtuais”.

A FCamara desenvolveu quatro plataformas proprietárias para implementação de IA:

  • Infraestrutura: observabilidade, precificação de tokens, multimodelos.

  • Gestão de conhecimento: transformar expertise de líderes em conhecimento corporativo escalável.

  • Engenharia de componentes.

  • Criação de agentes especializados.

A tese é que, se todas as empresas terão acesso a IA nos próximos anos, o diferencial competitivo será o conhecimento proprietário. “Se todo mundo é inteligente, em que você vai ser diferente?”, questiona Câmara.

Soft skills no lugar de habilidades técnicas

Lawrence, que cresceu dentro do restaurante da mãe desde os 13 anos e mantém “uma veia empreendedora”, diz que o grande desafio é evitar o cenário distópico do filme “Eu, Robô”. “O grande perigo é entrar no automático e esquecer de ser humano”, afirma.

Para avaliar pessoas, seja para contratação, sociedade ou promoção, o executivo usa quatro critérios que considera imutáveis mesmo com IA: bom senso, senso crítico, senso de urgência e autoconhecimento. “Essas quatro coisas não mudam com a IA. São elas que vão diferenciar quem consegue se destacar no futuro”, diz.

Câmara acredita que a mudança nos critérios de contratação já está em curso. “Antigamente eu dizia: preciso contratar pessoas boas em Python, boas em NoSQL. Agora preciso contratar pessoas boas. Boas em quê? Em soft skills”, afirma. “Se a inteligência racional será equalizada por inteligência artificial, preciso de grandes inteligências emocionais.”

O programa de liderança da empresa já foi adaptado para incluir um novo nível: “líder de agentes”, capaz de orquestrar equipes mistas de humanos e assistentes virtuais. O objetivo, segundo Lawrence, é “transformar a FCamara em uma escola de super-heróis”.

Propriedade intelectual como arma contra gigantes

A principal mudança no modelo de negócios da FCamara é a criação de “aceleradores”, blocos de propriedade intelectual que resolvem problemas de negócio específicos. Exemplos incluem planejamento de demanda para bens de consumo, estratégias de go-to-market e análise preditiva de audiência para emissoras de TV.

“Com IA na pré-venda, já conseguimos entregar a solução para o cliente, uma visão da solução. E nisso ganhamos das grandes consultoras”, diz Lawrence. “Dois anos atrás não teríamos acesso a esses clientes internacionais. O cliente diria: vocês oferecem a mesma coisa, vou pela segurança do que é conhecido”.

Câmara ilustra a transformação com um exemplo. “Há três, quatro anos, se alguém me procurasse e dissesse que não gostou do Salesforce e queria construir seu próprio CRM, eu nem mandaria a proposta. Diria que era loucura. Hoje, nesse exato momento, mando a proposta em menos de duas horas.”

A razão está na capacidade de componentizar sistemas monolíticos, segundo ele. “Você começa a pagar por uso. É por isso que as  ações das grandes empresas de software ERP estão caindo”, afirma.

A dupla afirma que a FCamara “está do lado certo da mesa” e pretende alcançar a marca de US$ 1 bilhão em receita nos próximos anos. Lawrence resume o momento: “O que era impossível virou verdade. Então, qual é o novo impossível que vamos perseguir?”

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Pamela Sousa
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Pamela Sousa é repórter no IT Forum, graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Com mais de três anos de experiência na produção de conteúdo, especializa-se na cobertura de tecnologia, inteligência artificial e inovação, desenvolvendo reportagens aprofundadas e artigos analíticos sobre o impacto dessas tecnologias nos negócios e na sociedade.

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