Em um estudo conduzido no fim de 2007 pela InformationWeek Research com
mais de 724 executivos de negócios ? diretores de TI ou quaisquer
outros diretores de setores específicos, incluindo os gerentes de
linhas de negócios ?, 43% disseram que os gerentes de negócios estão
assumindo maior responsabilidade pelos projetos de TI; somente 11%
afirmaram que eles estão assumindo menor responsabilidade.
Essa é uma tendência da qual os CIOs precisam estar extremamente
conscientes, afirma Cameron, da Forrester. Mas, entre aqueles que estão
conscientes disto, poucos levam a questão a sério. Durante anos, os
gerentes de TI tentam tornar os responsáveis pelas decisões de negócios
mais engajados na tecnologia. ?E, agora que isto está acontecendo,
muitos querem desistir. Mas agora é tarde demais”, ressalta Cameron.
Anderson Cunha, da Leroy Merlin do Brasil, concorda. Para ele, o
diretor de TI pode se sentir inseguro, se ele não estiver alinhado aos
negócios da companhia. ?E a sua influência como líder dependerá desta
questão.? O diretor de TI da Toromont Industries ? uma distribuidora de
equipamentos de construção sediada em Toronto ? Mike Cuddy compartilha
a opinião. Cuddy argumenta que há uma sensibilidade muito maior em
relação ao potencial de aplicação da tecnologia aos negócios.
E o que há de mal nisto? Os executivos com experiência em negócios
estão cada vez mais conscientes das novas tendências tecnológicas, e
também estão ávidos para que suas companhias as adotem. Se não houver
um ponto central nesta mudança ? por exemplo, o diretor de TI ?, a
transformação ocorrerá sem um planejamento prévio: os profissionais de
marketing se dedicarão a soluções de marketing; os profissionais de
finanças, a soluções de finanças. Todos estes sistemas distintos irão
gerar importantes dados corporativos, que serão distribuídos para
várias unidades corporativas. O resultado final será um verdadeiro
caos, define Cuddy. Em outras palavras, um pesadelo em termos de
integração.
Portanto, é uma incumbência do CIO liderar as modificações no processo
por intermédio de iniciativas de TI que envolvam a companhia como um
todo, em vez de seguir a liderança individual dos executivos de
departamentos. Do contrário, o papel do diretor de TI será relegado ao
de um gerente de infra-estrutura, responsável, principalmente, por
?limpar a bagunça? deixada por uma integração realizada incorretamente.
Cuddy diz que tem observado diretores de TI serem substituídos por
causa da “percepção de que era somente um gerente de tecnologia”.
Ou seja, se o CIO não possuir (e mostrar) visão de negócio e linguagem
corporativa pode estar fadado ao fracasso. ?Seu mercado se limitará?,
frisa Ricardo Basaglia, da divisão de TI da Michael Page do Brasil. ?É
fundamental que este executivo saiba medir o valor técnico e o impacto
da TI na empresa para a qual atua?, completa.
O QUE MUDOU?
John Zarb, que trabalhou como gerente de tecnologia durante muito tempo
e atualmente é um consultor independente, não se deixa perturbar pelas
previsões sobre a extinção dos CIOs. “Quando é que iremos aceitar o
fato de que o diretor de TI é vital, necessário e que vai continuar
existindo?”, questiona. Os dados registrados no estudo da SIM podem,
afinal, se revelar um sinal positivo.