Na reunião anual da Sociedade da Informação (SIM), nos Estados Unidos, surgiram rumores de que resultados haviam sido ocultados no estudo anual sobre gerenciamento de TI, realizado pela organização. Tratavam-se de informações sobre a queda acentuada na porcentagem de diretores de TI se reportando diretamente aos diretores-executivos em relação ao estudo do ano anterior, conforme revelou a SIM. Em 2006, 45% dos executivos de tecnologia de negócios, que participaram do estudo, afirmaram se reportar aos CEOs; em 2007, este total foi de 31%. Ao mesmo tempo, o porcentual de CIOs que se reportam aos diretores-financeiros da companhia aumentou de 25% para 29%.
É uma tendência, na visão de Fabio Metta, diretor de TI da Gradiente do Brasil, que estes profissionais não podem mais escapar. ?Colocar o CFO e o CIO lado a lado é uma boa estratégia das companhias?, afirma, destacando a necessidade da visão de negócio dos projetos das corporações. ?E o CIO tem de ser alinhar a elas e deixar de ser apenas uma figura de apoio?, completa. Já para o CIO da Leroy Merlin do Brasil, Anderson Cunha, definir se um diretor de TI se reporta ao diretor-executivo ou financeiro da empresa depende do perfil e histórico da companhia. Ele responde ao CEO da companhia e define-se como um profissional da área comercial.
O estudo da SIM sugere ainda que os executivos de TI não estão se sentindo totalmente seguros. Pela primeira vez em 27 anos de história, foram questionados sobre “a evolução do papel de liderança dos diretores de TI”, e eles mencionaram este aspecto entre suas principais preocupações ? a de nº 10, precisamente ?, indicando alguma incerteza sobre como e onde eles se encaixam dentro de suas organizações.
Quer os dados da SIM sejam um indicador inicial ou um definido, existem sinais de que o papel dos CIOs está em uma encruzilhada. “O diretor de TI que não estiver orientado ao negócio está prestes a descer um pouco no nível hierárquico”, prevê Bobby Cameron, diretor na Forrester Research. Já M. S. Krishnan, responsável por TI para os negócios na Ross School of Business, da Universidade de Michigan (EUA), apresenta isto como um desafio. “É a TI que atualmente executa todos os processos de negócios”, observa. “E, embora o departamento de TI assuma a responsabilidade por realizar esses processos, eles não assumem a propriedade destes processos.” No entanto, alguém irá assumir a propriedade, prevê Krishnan, e isto ocorrerá em breve. “À medida que as companhias se tornam globais, esta se tornará uma posição fundamental.”
TRANSFORMAÇÃO
Bruce Rogow, diretor da companhia de consultoria Vivaldi Odyssey & Advisory, tem viajado pelos Estados Unidos há vários anos, entrevistando inúmeros CIOs, como parte de um projeto que ele chama de Odisséia de TI. Em sua recente revelação, Rogow alerta para uma alta rotatividade no cargo de diretor de TI. ?Alguns diretores-executivos estão começando a questionar se suas companhias realmente precisam ter um diretor de TI. Ou, pelo menos, se eles têm a pessoa certa ocupando este cargo?, avalia. Isto porque uma maior responsabilidade pelos projetos de tecnologia está sendo transferida para as unidades de negócios.