Andy Jassy, vice-presidente sênior da Amazon Web Services (AWS), braço de nuvem da Amazon, abriu o AWS re:Invent, evento anual da companhia realizado em Las Vegas (EUA), relembrando a frase que disse naquele mesmo palco no ano passado: a nuvem é o novo normal. E a prova disso, segundo ele, são os números obtidos pela empresa nos últimos trimestres. Já são 1 milhão de clientes ativos até o momento e a receita cresceu 95% ano a ano quando comparado o segundo trimestre de 2014 com igual período deste ano.
A GE, cliente AWS, é uma das empresas que têm apostado na nuvem para crescer e inovar. O CIO da GE, Jim Fowler, contou que a companhia vive agora uma das maiores transformações de sua história de 140 anos e a nuvem acenou como forte aliada dessa jornada. “Temos mais de 9 mil aplicativos em nossos negócios e muitos data centers. Self service e automação vão ser o motor de tudo que fazemos”, relatou durante o keynote.
Fowler contou que tem trabalhado com a AWS nos últimos quatro anos e a companhia espera levar para a nuvem mais de 9 mil cargas de trabalho nos próximos três anos. Segundo ele, não há mais como evitar a cloud. “Ela saiu do provável para o inevitável”, sentenciou.
Mas por que companhias estão migrando tão rapidamente para o modelo, questionou Jassy. O motivo, segundo ele, não está baseado apenas nos benefícios tangíveis que incluem agilidade, mover o modelo de despesas fixas para variáveis, tornar os serviços globais rapidamente e acabar com os achismos de capacidade “Quando converso com CIOs, liberdade é a palavra mais citada. Eles querem liberdade para controlar seus ambientes”, sintetizou, completando que a nuvem da AWS permite isso e que por essa razão as pessoas estão tão apaixonadas por ela.
O executivo citou sete liberdades almejadas pelos líderes de TI. Segundo Jassy, esses objetivos coincidem com os 12 lançamentos feitos pela empresa logo no primeiro dia do evento, que segue até sexta-feira (9/10), divididos em três áreas: banco de dados, segurança e storage. Durante o segundo dia do evento, esperam-se mais novidades, que tudo indica que estarão relacionadas à internet das coisas (IoT).
1. Liberdade para construir de forma irrestrita
A nuvem tem permitido que empresas deixem a era do “não”para trás. Se antes, muitos projetos não iam para frente em razão da complexidade de criação de uma infraestrutura adequada, a nuvem agora possibilita o rápido desenvolvimento de projetos. “Queremos que nossos clientes ampliem rapidamente seus negócios e estamos em posição privilegiada para ajudá-los nessa jornada”, disse o executivo, acrescentando que a AWS tem o maior número de funcionalidades na nuvem, mais do que qualquer outro provedor.
Citando frase do Gartner, Jessy afirmou ainda que TI não pode tratar provedores de cloud como commodity. Segundo ele, uma empresa que entendeu bem essa ideia foi a norte-americana Capital One, famosa no segmento de cartões. A companhia passa agora por uma transformação digital grandiosa, pautada pela mobilidade e ancorada na nuvem.
Nesse cenário, a Capital One escolheu a AWS como parceiro para rodar seus sistemas críticos e como resultado vai passar de oito data centers em 2014 para três até o final de 2018. “Escolhemos a AWS em razão da velocidade e para construir um modelo seguro de cloud”, explicou Rob Alexander, CIO da Capital One.
Um dos exemplos de uso da nuvem da AWS é a solução de mobile banking, que traz diversas funcionalidades interessantes, como oferta de serviços baseados em comportamento e referências anterior e gráficos de gastos no cartão.
2. Liberdade para extrair valor dos dados
O vice-presidente da AWS lembrou que por muito anos, as empresas não guardavam seus dados em razão do custo do armazenamento. Agora, com o acesso facilitado ao armazenamento de dados, a possibilidade de transformá-los em informações valiosas para os negócios se multiplicou. “Empresas querem liberdade para controlar seu destino, usando dados para identificar a melhor rota”, destacou.
Para ajudar empresas a melhor entender como dados podem se transformar em benefícios, o executivo anunciou o Amazon QuickSight, ferramenta de Business Intelligence (BI) que promete fazer análises de forma mais rápida do que outros provedores. Outra tecnologia anunciada pelo executivo foi o Super-Fast Parallel In-Memory Computation Engine (Spice), que potencializa o poder do BI.
3. Liberdade para levar ou tirar os dados da nuvem
Migrar dados para a nuvem pode parecer uma tarefa completa em razão do legado. No entanto, a AWS promete facilitar esse processom especialmente quando há muitos dados em jogo. Para isso, a empresa lançou seu primeiro produto físico, o Amazon Snowball, storage encriptado que funciona da seguinte forma: você transfere os dados que deseja enviar para a nuvem, agenda a retirada do equipamento, que é do tamanho do caixa pequena, por meio da UPS, e manda para a AWS. Cada equipamento comporta 500 TB de dados.
De acordo com a AWS, o Snowball está disponível por enquanto apenas para o estado da Virgínia, nos Estados Unidos, onde deverá usar a mesma logística do Amazon Prime. Ainda não há uma data para que o serviço esteja disponível no Brasil.
4. Liberdade para se livrar de relacionamento desgastados com provedores de bancos de dados
Jassy lembrou que atualmente os clientes querem relacionamento diferenciados com seus provedores de tecnologia, muito diferente daquele dos últimos anos. “E os provedores tradicionais de banco de dados são muito caros e seus sistemas proprietários”, assinalou, projetando no telão imagens da Oracle, com faixas pretas.
Para competir nesse mercado e levar uma experiência diferenciada para os mais exigentes clientes, a AWS anunciou o MariaDB, bando de dados que chega com a bandeira open source.
5. Liberdade para migrar
O executivo lembrou que muitas empresas seguem um caminho semelhante para a nuvem, mas muitos ainda querem ser capazes de executar data centers on premise e trabalhar lado a lado com a AWS. Para ajudar nessa tarefa, a AWS lançou o AWS Database Migration Service que ajuda na migração de banco de dados em produção com o mínimo de downtime, explicou Jassy.
6. Liberdade para garantir a segurança
Por muitos tempo, a segurança foi um impeditivo para a migração para a nuvem. Passado o medo, empresas se renderam aos seus benefícios. Com dezenas de certificações de segurança, a AWS decidiu reforçar a proteção de seu ambiente e lançou o AWS Config Tool, que permite que usuários configurem regras de conformidade para ações que não foram executadas.
Jassy mostrou ainda o Amazon Inspector, serviço de avaliação de segurança automatizado que encontra problemas de segurança ou de conformidade em aplicativos implementados na AWS e informa aos usuários para que eles tomem as medidas necessárias.
7. Liberdade para dizer sim
Empresas conservadoras sempre dizem não, muitas vezes porque não têm infraestrutura e agilidade para dizer sim. “Com AWS, é sempre possível dizer sim. Empresas como Airbnb, Periscope, Pinterest e Tinder descobriram que têm de ir para a nuvem como parte da transformação digital e estão muito bem posicionadas no mercado”, finalizou.
*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da AWS