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  3. Banda larga: desafio da universalização

Banda larga: desafio da universalização

Publicado:
02/02/2010 às 08:06
Leitura
7 minutos
Banda larga: desafio da universalização

Existe um esforço para universalizar os serviços de banda larga. A ideia é levar internet rápida para quase todos os rincões do Brasil. Faz um tempo que o governo discute como fazer isso. Elucubrações surgem de todos os lados. Ao que tudo indica, um Plano Nacional deve ser aprovado em 2010. Há muito interesse em jogo e o processo acaba ainda mais lento do que o normal. Mas, como o ano é de eleição presidencial, é bem provável que isto se concretize.

No dia 27 de agosto de 2009, representantes da Telebrasil reuniam-se no litoral de São Paulo na tentativa de desenvolver ações e objetivos para inclusão digital no País. Uma das metas estabelecidas contempla levar o serviço para 150 milhões de cidadãos até 2014. Ninguém duvida da necessidade de investimento em infraestrutura. A questão é como fazer isso e quem vai pagar a conta. A Carta do Guarujá, como ficou conhecido o manifesto, defende a prioridade de um “Plano Nacional de Banda Larga”, com políticas públicas que contemplem investimentos em redes e outras condições para prestação de serviço. A entidade pleiteia desoneração tributária, redefinição de limites de competência para a implantação de infraestrutura de telecomunicações, entre outros.

Em uma aparição na segunda quinzena de dezembro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou à Agência Brasil que o governo empenha-se na viabilização de investimentos de R$ 49 bilhões para impulsionar o serviço. A meta é aplicar aproximadamente R$ 15 bilhões, ao ano, até 2014. O responsável pela pasta ressaltou que caberá às empresas de telefonia a maior parte dos recursos. A contrapartida do setor público seria de R$ 26 bilhões, com base em renúncias fiscais.

No Brasil, a tributação incidente nos serviços de telecomunicações gira na casa dos 40%. Em outros países, a média de imposto fica por volta dos 17%. Na avaliação de Rivo Manhaes, gerente de oferta de longa distância e serviços convergentes da TIM Brasil, a desoneração ajudaria na melhoria dos serviços ofertados pelas operadoras, que, em segunda análise, reverteria redução nos preços ao consumidor. Mas isto é relativo, pois, como o mercado segue a lei da oferta e da procura e – já vimos que a demanda está alta -, isto pode ser apenas um discurso demagógico.

Por uma fatia do mercado

Três operadoras concentram 86% do mercado de banda larga fixa. A Telefônica está entre estes privilegiados, oferecendo o serviço sobre ADSL (rede de cobre) que permite conexão de até 15 Mbps. Atualmente, a velocidade mais alta no portfólio da companhia sobre essa infraestrutura é 8 megas e a mais procurada é 2 Mbps. Em meados do ano passado, a empresa firmou acordo com o governo do Estado de São Paulo para oferecer um serviço de internet popular de 256 Kbps a um custo de R$ 29,80. A medida visa a alcançar a população de baixa renda e conta com subsídios fiscais. Mais operadoras interessaram-se pelo programa, mas ainda há arestas a aparar para ingressarem.

Oi e Net são as outras duas companhias a abocanhar grande parte do mercado fixo de internet rápida. Quando a operadora de TV por assinatura ingressa em uma região consegue acirrar um pouco a competição contra as provedoras tradicionais. Segundo Eduardo Guedes, gerente de marketing de banda larga e telefonia, a empresa encontra-se em 90 cidades.

A GVT ajuda a apimentar a disputa por clientes. A companhia mostra-se a mais agressiva na busca por market share. Em 2005, partiu para ampliação vertiginosa da velocidade de acesso, o que culminou em conexões de até 100 Mbps. Três anos depois, parou de comercializar serviços na faixa dos kilobites e procura praticar preços abaixo do mercado nas 81 cidades onde oferece o produto. O carro-chefe do portfólio é 10 Mbps por R$ 69,90. Cerca de 65% das vendas são nesta faixa. O segredo está na infraestrutura fortemente baseada em fibra ótica, que chega até 800 metros do cliente. A última milha é cobre.

Ricardo Sanfelice, diretor de marketing e produtos na operadora, revela que grande parte dos investimentos de R$ 630 milhões realizados no último ano destinou-se à expansão da rede. A empresa separou R$ 850 milhões para aplicar em 2010, dentro de um plano de expansão para cinco grandes cidades, atuando no varejo, incluindo municípios no estado do Rio de Janeiro e São Paulo.

A postura arrojada da GVT despertou interesse de compradores a ponto de Telefônica e Vivendi entrarem em uma disputa para ver quem compraria a operadora espelho surgida em Curitiba. A Vivendi ganhou a queda de braço pagando cerca de R$ 7 bilhões pelas ações. Sanfelice prefere não dar detalhes sobre o futuro pós-compra, limitando-se a afirmar que a estratégia já traçada permanece inalterada.

O mercado espera que a chegada da francesa traga mudanças significativas. Luis Cuza, da TelComp, projeta que a entrada do novo player sacudirá o mercado local, pois a injeção de investimento tende a fomentar negócios para a companhia. “Quando as operadoras tradicionais tiverem mais concorrência, os serviços de banda larga no Brasil ficarão parecidos com o de suas matrizes na Europa. A pressão fará eles se mexerem”, analisa. 

De um lado a outro

Como mostram as pesquisas da Teleco, a banda larga móvel cresce a passos largos, podendo deixar a fixa “na saudade” já em 2011. Durante encontro de fim de ano com a imprensa, o presidente da Claro, João Cox, não titubeou ao definir com um sonoro “três dígitos” a evolução esperada nas vendas do serviço por parte da operadora para 2010.

Algumas semanas antes deste episódio, Fiamma Zarife, diretora de serviços de valor agregado da companhia, concedera uma entrevista para esta reportagem. A executiva deixou transparente a evolução da representatividade do serviço de banda larga nas receitas da operadora. “O brasileiro é muito freak por tecnologia”, diz, citando um fenômeno de acessos móveis puxados pela de terceira geração (3G).

De uma forma geral, a percepção é que a internet móvel ocupa os (gigantescos) vácuos deixados pelos serviços fixos. “Muitos usuários de internet móvel a acessam de apenas um ou dois lugares”, comenta Rivo Manhaes, da TIM Brasil. Em 2009, a operadora aplicou 60%, de um total de R$ 2,3 bilhões, na rede. Os recursos integram um plano de investimento de R$ 7 bilhões até 2011. No fim de dezembro, a companhia aprovou a incorporação da Intelig de olho em uma infraestrutura de fibra que trará economias de R$ 250 milhões, ao ano, originadas de sinergias. Outro ponto visado é a oferta de internet rápida.

Com evolução média de 21%, o serviço de banda larga móvel é um dos que mais cresceu no Brasil ao longo do ano passado. As operadoras enxergam as pepitas de ouro e tentam lapidá-las da melhor forma possível. Os parceiros da Vivo para o mercado corporativo foram direcionados para o tema banda larga. A estratégia permitiu quadruplicar o volume de vendas em comparação a 2008 e o surgimento de soluções baseadas na tecnologia. Na percepção de Rodrigo Shimizu, gerente da divisão de negócios empresas da operadora, a procura pela tecnologia se acentua no interior onde não tem cobertura fixa. “Preenchemos um mercado desatendido.” 

Entre altos e baixos, falhas e inovação, o mercado deve manter-se aquecido pelos próximos dez anos. Além da constante atualização tecnológica pela qual, naturalmente, passa o setor; dois eventos devem contribuir decisivamente para o futuro da banda larga no Brasil: Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. O País, de fato, encontra-se em uma encruzilhada e precisa decidir o que quer para o futuro da internet: atender a demanda ou ver multiplicarem-se situações constrangedoras de não entrega do serviço.

Leia também:

Como resolver a questão da banda larga no Brasil?

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