Aplicação mobile, liderada pelo CIO e CSO Wellington Eustáquio Coelho, revoluciona processos em ambiente crítico na fundição
A Teksid é um dos maiores grupos de fundição de autopeças do mundo, com capacidade produtiva de cerca de 580 mil toneladas por ano. O ambiente de produção é altamente crítico, com temperaturas elevadas e maquinário pesado. Uma aplicação mobile nesse cenário é mais do que desafiante, é inimaginável.
Mas não para Wellington Eustáquio Coelho (foto), CIO e CSO da metalúrgica, que modernizou processos com tablets, os mais novos parceiros da área de produção. Implementado na unidade brasileira, o projeto mobile foi batizado como Batalha Naval e levou Coelho a alcançar a primeira colocação no prêmio Executivo de TI do Ano 2018, promovido pela IT Mídia e Korn Ferry, na categoria Siderurgia, Metalurgia e Mineração.
Coelho está há 34 anos na Teksid, 15 deles no cargo de CIO e CSO da companhia para Brasil e México. Antes de assumir esse posto, em 2002, foi operador e programador de mainframe e analista de sistemas, trajetória que o fez aprender tudo sobre o negócio.
Formado em Administração de Empresas, com extensão em Análise de Sistemas e pós-graduado em Gestão da Inovação e MBA em Administração de Projetos pelo IETEC-MG, o executivo relata que o primeiro passo rumo à digitalização de processos foi mapeá-los por meio de Business Process Management (BPM).
Especialistas em BPM da Teksid trabalharam em conjunto com parceiros, mapeando processos, para modernizá-los e criar soluções inovadoras em automação e evolução operacional focada na eficiência e na produtividade do negócio.
“Nessa pesquisa, identificamos a oportunidade de melhorias no processo fabril, bem como a iniciativa de desenvolvimento de uma ferramenta mobile para captura das informações dos defeitos na peça, por meio de fotos em 3D, com defeitos e causas pré-cadastradas, visando a rápida inserção das informações no sistema pelo analista de qualidade”, destaca.
O propósito voltou-se para atender a maior parte da área de qualidade da Teksid relacionada à produção de peças. “Precisávamos tornar mais simples e eficaz e rápida a identificação de defeitos nas peças, necessidade de retrabalho, entre outros problemas. Para isso, tínhamos de digitalizar esse processo para eliminar a papelada e o preenchimento manual desses dados que geravam alto índice de erros”, relata.
O projeto Batalha Naval nasceu com esse objetivo, a partir do desenvolvimento de um aplicativo (app) que consumiu apenas três meses (julho a dezembro de 2017). O nome foi inspirado no tradicional jogo de mesmo nome, em que os alvos são identificados com base nas informações de localização por linhas e colunas (latitude e longitude).
A iniciativa gerou ganhos significativos em produtividade, além de mais agilidade e precisão no preenchimento dos dados e maior integração com os recursos, como geração automática de gráficos, de maneira rápida.
Outro ganho importante é a velocidade nas tomadas de decisão, uma vez que as informações ficam disponíveis instantaneamente e de maneira mais completa e precisa. Além de gerar outras ações estratégicas com base nessas informações.
Parece simples um projeto em que tablets são usados em uma determinada área para coleta de informações, eliminando morosidade, erros e papelada. Mas não foi. Isso porque o CIO e todo o time tiveram de se preocupar com cuidados de uso fundamentais para a sobrevivência e o bom funcionamento dos dispositivos.
A área de produção de peças é um ambiente muito crítico e hostil, que opera sob altas temperaturas, em meio a máquinas pesadas, além da falta de hábito dos colaboradores em lidar com objetos mais frágeis.
“Tivemos de procurar uma proteção ideal para os tablets, para inibir impactos e protegê-los do calor. “Para ter uma ideia, com essa proteção, uma moto pode passar por cima deles sem danificá-los. Para danificá-los, é preciso querer muito isso”, brinca.
Todas as informações sobre peças foram indexadas no app, integrado a um banco de dados, que possibilita acesso rápido e intuitivo, por touch. “A identificação das peças é veloz, pois fotografamos em 3D e cadastramos todas elas.”
O Batalha Naval proporcionou ganhos em produtividade dos colaboradores que fazem a identificação dos defeitos, reduzindo o número de envio de peças com defeito aos clientes e consequentemente redução de custos com retrabalho de peças, penalizações, multas e despesas de frete.
“Hoje, fazer mais com menos é a chave. E tudo em alta velocidade. O Batalha Naval é um projeto que comprova a possibilidade de realizar algo inovador até mesmo no setor, com muito pouco tempo de dedicação e com baixo investimento. E nem por isso, menos nobre, menos disruptivo ou menos estratégico. Esse foi um grande feito da equipe”, ressalta.
A Teksid, ele diz, é a primeira fundição a utilizar o processo da tecnologia 3D na identificação de possíveis defeitos com a sua localização exata nas peças por meio das coordenadas latitude/longitude.
A próxima evolução do projeto será o uso de Inteligência Artificial (IA) para a identificação e visualização imediata das peças com defeitos. “Em vez de procurar a foto de um determinado tipo de peça no catálogo de fotos do aplicativo, bastará apontar a câmera do dispositivo para a peça e ela será captada e inserida instantaneamente no sistema”, revela.
O CIO considera esse projeto inovador, por proporcionar importante vantagem competitiva em função das suas características irem ao encontro da transformação digital. “Afinal, estamos falando do segmento industrial, em que os processos são muito cristalizados e ortodoxos, quase sempre resistente ou apresenta grandes dificuldades para mudanças. Quebramos paradigmas”, comemora o dono do troféu na categoria Siderurgia, Metalurgia e Mineração.
1º Wellington Coelho – Teksid
2º Marcelo Nascimento – Mineração Taboca
3º Eduardo Magalhães – Kinross Gold