CIO, Fabio Ramos, desenvolveu projeto que gerou redução de quase R$ 4 milhões nos custos da empresa
O DNA tecnológico do vencedor do prêmio Executivos de TI do Ano 2020, da IT Mídia, na categoria de Agricultura e Serviços Relacionados, encontrou a combinação perfeita com a Bevap, empresa do setor de Bioenergia de Minas Gerais. A necessidade de automação de processos agrícolas, a carta branca da empresa para aplicação de soluções, o amadurecimento de tecnologias emergentes e a experiência de Fabio Ramos, formaram uma combinação ideal para a aplicação de desenvolvimento de soluções nunca aplicadas antes na empresa.
Natural de Piracicaba (SP), Ramos atuou por dez anos em outra empresa do segmento até receber o convite para ingressar no time Bevap, há cinco anos. Sua missão era a de auxiliar no desenvolvimento da TI. “Vim com carta branca para implementar o que pudesse fazer para aumentar a produtividade. Isso me motivou a deixar São Paulo e ir para o interior de Minas Gerais, ter a liberdade de fazer essas inovações que transformaram a empresa”, comenta.
Ao chegar na Bevap, preocupou-se em se comunicar com gestores de diferentes áreas, dos quais compartilharam as principais necessidades dos negócios. Ramos lembra que, a partir dessas reuniões, surgiram entre 12 e 13 projetos dos quais precisou selecionar, priorizar e desenvolver projetos.
O terceiro maior custo do setor sucroenergético é com agroquímicos. O executivo conta que havia um custo muito alto no processo e uma dificuldade de controlar o manejo de insumos, gerando desperdício e baixa eficiência nos mais de 30 mil hectares de plantio de cana–de–açúcar da empresa.
“Havia uma necessidade do setor, mas o setor não tinha a cultura do desenvolvimento da tecnologia, por ser muito tradicionalista. Então, o maior desafio do projeto foi a mudança de cultura e a adaptação das equipes de campo (operadores) impactadas pelo projeto”, explica o CIO.
O engenheiro de computação, então, precisou encontrar parceiros para desenvolver tecnologias que ainda não existiam, mas que tornassem o processo mais eficiente. Para, a partir disso, adaptar a cultura do campo. Ele precisou desenvolver um trabalho que pudesse entender o solo do plantio, a variedade e o estágio da cana, e as melhores condições de aplicação e dos insumos.
“O projeto implementado traz um conceito disruptivo de tecnologia aliando inteligência artificial, IoT, M2M, Machine Learn e Cloud. O conjunto delas, aplicadas ao negócio, proporcionou redução de custos – redução do consumo de fertilizantes e defensivos – por meio de uma aplicação assertiva e controlada com o uso de automação e monitoramento online de todas as operações para acompanhamento e tomada de decisão em tempo de execução”, conta.
O projeto conta também com a Alice, inteligência artificial desenvolvida para o projeto, que auxilia no monitoramento, tomadas de decisão do processo produtivo de plantio e tratos culturais, permitindo gestão em tempo real, segundo o executivo. “Conseguimos aumentar a eficiência em 15% no primeiro ano de aplicação”, ressalta.
A redução de custo no processo produtivo foi de 8%, o equivalente a uma eliminação de gastos de mais de R$ 4 milhões. Além disso, houve diminuição de 12% em insumos e defensivos. Hoje, 15 equipamentos estão distribuídos em 30 mil hectares de cana-de-açúcar, uma logística que impossibilitava o monitoramento em tempo real de toda a área.
Também devido a extensão da área, o executivo agora atua para solucionar outro problema do setor. “Hoje, a Bevap possui a maior área de cana de açúcar irrigada do Brasil, são 32 mil hectares irrigados com pivôs. O próximo desafio na área agrícola é a automação dos pivôs para ganho de eficiência hídrica, aumento de produtividade e redução de custos”, finaliza.
1º Fabio Ramos, Bevap
2º Rodrigo Ribeiro Gonçalves, UISA
3º Odércio Claro, Yara Brasil Fertilizantes