Ricardo Romanelli liderou um projeto, baseado no uso de IoT e comunicação máquina a máquina, que permitiu à Biosev aumentar a eficiência no campo e reduzir os custos de produção
Reduzir custos operacionais é o desejo de todas as empresas, mas quando se fala em commodities a questão se torna mais urgente. Com o preço regulado pela lei da oferta e demanda, a produção suscetível às alterações do clima, além do impacto das flutuações do câmbio, os resultados das companhias são decisivamente afetados pelo ganho de eficiência.
Ricardo Romanelli, gerente de TI e do Centro de Serviços Compartilhados da Biosev, uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do mundo, sabe muito bem disso. Com anos de experiência no setor, mais especificamente na indústria de cana, ele está sempre em busca de uma solução capaz de diminuir os gastos. “O custo das máquinas que operam na colheita é muito alto, tanto no que diz respeito à aquisição quanto à manutenção”, explica o executivo.
O projeto “Fila única de transbordo”, que lhe rendeu o prêmio Executivo de TI do Ano, realizado pela IT Mídia, na categoria Agronegócio e Serviços Relacionados é resultado da busca incessante de Romanelli para reduzir custos. A solução utiliza sensores (IoT) e comunicação máquina a máquina (M2M) para diminuir o número de máquinas (transbordo) que fazem a operação de colheita de cana-de-açúcar. “Antes, tínhamos dois veículos (chamados de transbordo) que recebiam a cana que era colhida. Quando um deles chegava ao limite de estocagem, o outro, que estava logo atrás, passava a ser carregado”, relata Romanelli.
O executivo explica que isso implicava em gastos, pois era necessário manter um veículo rodando vazio, o que se traduzia em despesas com combustível e maior custo de manutenção. Com o novo sistema, cada colhedora é seguida por apenas um transbordo. Este veículo tem um sensor que indica quando está atingindo sua capacidade máxima de carga. Essa informação é disparada para a solução, que calcula em quanto tempo o outro veículo deve chegar para assumir a posição sem que seja necessário paralisar a colheita.
“É uma espécie de Uber da colheita mecanizada. A colhedora faz uma solicitação ao transbordo disponível usando a tecnologia M2M. Criamos uma fila única, o que permitiu reduzir o número de transbordos usados na colheita e, consequentemente, o custo de colheita”, afirma.
Uma vez disparado o pedido, o primeiro transbordo da fila segue em direção à colhedora, orientado pelo sistema de ajuda à navegação e assume o lugar do equipamento que já está cheio. Este segue até o local onde ficam os caminhões, descarrega e volta, já vazio, para o fim da fila, ficando disponível para o próximo chamado.
O processo de alocação automática se divide em três etapas: cálculo de porcentagem de enchimento do transbordo, que leva em conta quanto tempo o outro transbordo leva para chegar até a colhedora, chamado automático e formação da fila. “Quando apresentamos o projeto, rapidamente o board entendeu que se tratava de algo estratégico”, conta Romanelli.
Da concepção à implementação, foram 12 meses de trabalho. “Trabalhamos muito perto da área de operação, já que o engajamento da equipe era essencial para o sucesso do projeto”, afirma o executivo. Segundo ele, além do treinamento dos operadores das máquinas outro desafio foi garantir que toda a comunicação funcionasse adequadamente. “Tivemos de reposicionar algumas antenas porque o terreno é bem acidentado. Com isso, asseguramos a qualidade do sinal”, detalha.
Com o sistema, a companhia atingiu economia em recursos com os transbordos e combustíveis, além do aumento da produtividade na colheita. “A grande vantagem é que não é preciso parar a colhedora”, destaca Romanelli, comentando que o projeto reforça a importância da automação no campo. “O uso da tecnologia no agronegócio traz benefícios tangíveis”, conclui.
O executivo tem agora diante de si mais um desafio: ele acaba de assumir o Centro de Serviços Compartilhados (CSC), que envolve folha de pagamento, recebimento de notas fiscais e processos financeiros. “O foco é manter o investimento em automação, avançando cada vez mais na busca de redução de custos e ganho de eficiência”, destaca.
Finalistas da categoria Agronegócio e serviços relacionados
1º Ricardo Romanelli – Biosev
2º Fabio Mota – Raízen
3º Felipe Soares – AGCO