Em 2019, tecnologia foi usada desde para o registro de um bebê no Brasil a até mesmo para fins de suposta lavagem de dinheiro
A tecnologia que ficou originalmente conhecida por sustentar a mais famosa criptomoeda, o Bitcoin, se tornou uma das promessas mais revolucionárias da transformação digital nos últimos cinco anos. O Blockchain funciona como um grande livro contábil, de registro de dados, criado para operar transações de forma segura e distribuída.
Se a sua vocação inicial buscava garantir a legitimidade das criptomoedas, hoje o Blockchain é aplicado em diferentes indústrias para também rastrear transações entre diferentes partes.
Em 2019, sua adoção começou a ganhar mais maturidade com exemplos diversos, desde o registro de nascimento de um bebê a até mesmo para suposta lavagem de dinheiro. Na lista abaixo, relembramos 9 implementações de uso do Blockchain que marcaram o ano.
A startup Devvio Inc. desenvolveu um protocolo de blockchain para ser usado por instituições financeiras, capaz de executar até 8 milhões de transações por segundo (TPS). Batizada de Devv, a cadeia de blockchain da Devvio Inc., foi construída como um blockchain público, em vez de um blockchain administrado/privado, para uso corporativo, e permite que desenvolvedores de terceiros criem ofertas de blockchain as-a-service.
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Em fevereiro deste ano, a Hewlett Pacakard Enterprise (HPE), em parceria com a Continental, fabricante de pneus alemã, anunciaram o lançamento de uma rede de blockchain com foco na indústria automotiva, para que os fabricantes de automóveis compartilhassem e vendessem dados de veículos. O principal objetivo deste projeto é ajudar os fabricantes de automóveis a monetizarem os dados gerados na produção de veículos, que podem ser valiosos para o mercado, especialmente para a concorrência.
Durante o carnaval deste ano, o bloco Mamãoreco, de Refice (PE), desenvolveu uma rede de blockchain em parceria com a BitJá, prestadora de serviços relacionados a criptomoedas, para que fossem vendidas camisetas e abadás com pagamentos em Bitcoin, Ether e outras moedas virtuais.
Em março deste ano, representantes da indústria de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) do Paraná lançaram o programa Paraná Hub Blockchain. O objetivo é usar a tecnologia para criar uma gestão pública desburocratizada, ágil e transparente, com base em redes de tecnologia blockchain.
Em abril deste ano, o Carrefour investiu no Blockchain para fins de rastreamento de produtos comercializados em suas lojas. Os produtos escolhidos para inaugurar o sistema foram a linha Suíno, Sabor & Qualidade, neste momento, ainda inédita no varejo brasileiro. Com a rede de blockchain, clientes do supermercado podem acessar informações detalhadas de todas as etapas de produção e distribuição, desde a criação do animal na fazenda, passando pelo abate e os processos industriais até chegar na loja.
Já em outubro deste ano, no Rio de Janeiro, um bebê recém-nascido foi registrado no cartório com tecnologia blockchain. Com menos de 15 minutos de vida, o bebê já havia sido registrado no 5º Registro Civil de Pessoas Naturais da Cidade do Rio de Janeiro e a Casa de Saúde São José. A cadeia de blockchain para registro de nascidos foi desenvolvida pela IBM em parceria com a rede Notary Ledgers, da Growth Tech, que fornece serviços cartoriais digitalmente.
Em novembro deste ano foi a vez da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) denunciar o governo norte-coreano de usar redes blockchain para lavar dinheiro, comprando criptomoedas. De acordo com relatório da ONU, a Coreia do Norte teria criado uma empresa de transporte e logística executada em uma plataforma blockchain para evitar sanções e embargos internacionais.
O HSBC anunciou em dezembro deste ano que deseja transferir US$ 20 bilhões em ativos para uma plataforma de custódia baseada em blockchain. De acordo com a instituição, o objetivo é que todo o processo seja concluído até março de 2020. Chamada Digital Vault, a plataforma fornecerá aos investidores acesso 24h a registros de valores mobiliários adquiridos em mercados privados, o que dará mais agilidade ao público para a consulta desse tipo de informação.
De acordo com um relatório do Gartner, um dos usos futuros do blockhain pode acabar com as fake news. Até 2023, 30% do conteúdo mundial de notícias e vídeos serão autenticados pelos livros de blockchain, contrariando a “tecnologia Deep Fake”, segundo Avivah Litan, vice-presidente de pesquisa do Gartner e coautor do “Predicts 2020: Relatório Blockchain Technology”.