Com uma base de dados de mais de 200 milhões de cadastros de pessoas físicas (CPFs), a Boa Vista, empresa de informações de crédito, viu a oportunidade de criar um produto anti-fraude on-line para transações não presenciais, o Safe. Até então, o segmento contava apenas com um player e a companhia identificou grande potencial para explorar esse mercado. A ideia da solução é verificar, em tempo real, se pessoa que está tentando comprar um produto em um e-commerce é, de fato, quem diz ser.
Lucas Guedes, diretor de novos negócios da Boa Vista SPC, juntou-se ao time de TI da companhia para identificar se a tecnologia seria desenvolvida e hospedada dentro de casa ou fora. Foi quando a nuvem entrou em cena. “Analisamos a cloud da Amazon Web Services (AWS) e da Microsoft e concluímos que a da Microsoft, com Azure, contava com os requisitos técnicos e de negócios de que precisávamos”, justificou o executivo.
A escolha pela nuvem foi pautada em segurança e escalabilidade, detalhou. Além disso, prosseguiu, a solução tinha de ser 100% digital para não atrapalhar a experiência do usuário on-line, para quem esperar minutos por uma resposta é uma eternidade.
O modelo atual é uma nuvem híbrida, uma vez que os dados estão dentro da Boa Vista e o processamento acontece na cloud. “Em breve, vamos migrar tudo para a modalidade pública para ganharmos velocidade”, adiantou.
Em 2014 começaram os testes da solução e em 2015 o Safe já estava em plena produção. Atualmente, dezenas de clientes usam o serviço oferecido pela Boa Vista, hospedado na nuvem da Microsoft. Guedes não relevou nome de empresas usuárias, mas afirmou que dois dos maiores bancos do Brasil usam o Safe e três dos maiores varejistas estão em fase de testes.
A expectativa da Boa Vista era somar 1 milhão de usuários analisados por mês até o final de 2016. Mas os resultados superaram a meta e já em agosto a ferramenta fechou com 1,6 milhão e em setembro com 2 milhões. Com o Black Friday chegando também no Brasil, Guedes espera que o número de transações salte 60 vezes. “Fizemos testes para essa data e em todos fomos bem-sucedidos. Escalabilidade não será problema. Estamos prontos para o crescimento”, comemorou.
Embora não cite a quantidade de fraudes captada pela solução, o executivo afirmou que dois tipos foram os mais encontrados: uso de dados de cartão de crédito após roubo ou perda e autofraude, prática na qual uma pessoa faz a compra, envia o produto para a casa de outra e afirma que não o recebeu.
Entre os benefícios da nuvem para os negócios da Boa Vista, Guedes destaca flexibilidade, segurança e velocidade. “O Safe não existiria se não fosse pela cloud”, garantiu. Agora, a equipe da Boa Vista mira o salto dos negócios do produto, com a chancela Microsoft. “A Microsoft tem aberto portas para seus clientes. Isso facilita muito a conversa”, concluiu.
*A jornalista viajou a Miami (EUA) a convite da Microsoft