Trabalhar fora do país sempre fez parte dos planos de Rodrigo Parreira, atual CEO da Logicalis South Cone, subsidiária da PromonLogicalis Latin America. O gaúcho de 44 anos, bacharel e doutor em física, aproveitou o momento da fusão da brasileira Promon Tecnologia com as operações do grupo britânico Logicalis na América do Sul e se ofereceu para fazer a integração dos negócios. A mudança ocorreu no primeiro semestre de 2009. Na Argentina, ele assumiu como COO e, em março último, ocupou o lugar do fundador da empresa, ato previsto no plano de transferência.”Minha família está adorando. Penso em voltar para o Brasil, mas não tenho pressa.”
Contribuiu para a rápida adaptação de Parreira e sua família – mulher e uma filha – os dois já terem morado fora do País, além do fato de que Argentina se parece com o Brasil, na opinião do executivo, que não dominava o idioma espanhol. Antes de se mudar, a família fez várias viagens a Buenos Aires, com suporte financeiro da Promon. “Além disso, liguei para alguns amigos argentinos, que me ajudaram na indicação de escola e outras coisas práticas.”
O atual CEO conta que, além do subsídio para aluguel, teve ajuda de empresa especializada em mudança, indicada pela Promon. “Levamos apenas uma parte dos móveis e convencemos nossa empregada doméstica a passar um mês com a gente lá. Ela adorou e para a gente foi ótimo, porque nos deu tranquilidade até conseguirmos alguém para substituí-la.” A burocracia na Argentina, segundo Parreira, é maior do que no Brasil. “Depois de um ano, só agora vou obter meu documento de identidade. Por enquanto, tenho apenas permissão de residência, o que dificulta a vida, embora não impeça de abrir contas e tomar outras providências”, explica. Quanto ao resto, ele diz que todos estão felizes, inclusive o cachorrinho da família, que entrou no país sem nenhum problema, uma vez cumprida toda regulamentação exigida para desembarque de animais de estimação.
A mesma sorte não teve Elaine Turra, gerente de remuneração e expatriados da Souza Cruz, que precisou doar o seu cãozinho, porque as leis do país que a recebia não permitiam a entrada de animais. Ela não revela detalhes, mas lembra que foi um drama. Segundo ela, são imprevistos que podem ser reduzidos com a obtenção do máximo de informação sobre o país de destino, com antecedência.
A executiva não lembra de nenhum outro caso de desistência, entre as dezenas de profissionais que a Souza Cruz mantém espalhados por países diversos, como Cazaquistão, Coreia, Sri Lanka e Irã. “O desafio é maior quanto maior for a distância entre as culturas, mas oferecemos ao funcionário e seus familiares uma viagem prévia para conhecimento.” A orientação de Elaine é manter a mente aberta e não desanimar diante das primeiras dificuldades. A gerente afirma que tudo é mais fácil quando o funcionário parte consciente que nem tudo serão flores e que a cultura de um país não muda, ele é que tem de se adaptar.
Na Souza Cruz, há pacotes de benefícios compatíveis com a função. “A BAT (British American Tobacco, grupo da qual a Sousa Cruz é subsidiária) oferece seguro de saúde internacional para toda a família, paga escola internacional para os filhos e cursos de reciclagem para o cônjuge”, exemplifica Elaine. Para quem se desloca para países culturalmente muito diferentes, há iniciativas que visam à diminuição do estresse e da saudade.
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