Não faz muito tempo, a família de cargos nas áreas de TI se resumia a alguns poucos. O cargo e a função basicamente eram os mesmos: cargo – programador, função – programar. As funções, por sua vez, eram estritamente técnicas. Não se falava em gestão, relacionamento e, muito menos, negócios. Com a presença da informática em todos os cantos da organização e a evolução tecnológica, o perfil do profissional de TI vem se modificando de forma acelerada e se tornando cada vez mais segmentado.
As instituições de ensino ainda pecam na formação de mão-de-obra, papel que acaba sendo absorvido pelas organizações e seus líderes. São poucos os cursos de formação que focam de igual para igual as características técnicas e de negócios. As organizações, por sua vez, falham ao insistir em carreiras verticais, procurando profissionais de TI ainda com formação acadêmica e puramente técnica.
Hoje, áreas bem-sucedidas de TI são aquelas que têm funcionários bem-sucedidos, que conseguem vê-la como uma empresa, com clientes, contas a receber e a pagar, direitos e obrigações, necessidade de vender produtos e serviços, de ser competitiva e de saber se comunicar.
Nas áreas de TI onde já percebemos essas mudanças, há um outro detalhe a ser observado: os profissionais com melhor preparo são aqueles que atuam em negócios. O pensamento sistêmico e de processos colaboram para que esses profissionais detenham importante conhecimento de como os departamentos e a empresa funcionam. Além disso, não precisam se preocupar com o crescimento profissional. Estão aptos a crescer dentro da própria área de TI, mas também têm inúmeras chances dentro da companhia em que atuam. Muitos hoje já ocupam cargos de gestão de negócios.
Entendo que deveríamos começar a pensar no caminho inverso: trazer profissionais das áreas de negócios para dentro da TI, com formação em outras disciplinas que não sejam voltadas para a tecnologia da informação.
Foi-se o tempo em que o profissional de TI tinha que saber só programar ou analisar ou ser especialista em uma das áreas de suporte. Hoje, ele não só tem que dominar essas disciplinas, mas ainda conhecer as novas tecnologias, saber como elas podem agregar valor para a empresa e quais impactos os negócios podem provocar na tecnologia.
O bom profissional de TI hoje precisa saber se relacionar com as unidades de negócios, com os fornecedores, com os parceiros, com os círculos de relacionamento. Precisa saber se comunicar, precisa encantar o cliente e conseguir agregar valor para os negócios. Precisa dizer não e antecipar-se às demandas.
Nada fácil estas novas função e postura do novo profissional de TI. A questão é saber se vamos conseguir preencher todas essas lacunas na mesma velocidade com que a tecnologia vem evoluindo.
* Miguel Marioni é CIO da Net Serviços e escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil
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