Há tempos a TI é acusada de não se comunicar bem e isso vale tanto para o CIO quanto para integrantes da equipe. Esse ruído de comunicação vai desde um discurso técnico e não adaptado para os demais departamentos que não possuem a bagagem da área de tecnologia até a falta de transparência na execução de algumas tarefas e projetos, com pouca ou nenhuma informação em atividades que impactam e muito o dia a dia do usuário. E num momento em que se questiona o modelo atual da TI e paira no ar uma forte pressão por mudanças, nada melhor do que ouvir de um próprio CIO uma espécie de autocrítica.
“Ser CIO é um dos trabalhos mais divertidos, não é apenas entender de tecnologia, mas saber usar de forma estratégica para o seu negócio”, apontou Rebecca Jacoby, CIO da Cisco. “Mas é verdade que precisamos de um novo modelo de TI, não fazemos uma comunicação adequada para nossos parceiros durante as implantações. Toda companhia precisa entender como usar tecnologia em seu benefício próprio”, completou a executiva, ao falar durante o Interop 2014, em Las Vegas (EUA).
Ela cita dois pontos fundamentais: sim, o CIO tem que entender de TI, mas mais que aspectos técnicos, compreender como aquilo vai contribuir para o negócio de maneira geral. A partir desse entendimento, ele precisa construir um discurso simples e coeso para que toda a empresa – ou ao menos os impactados pelo projeto – possam entender o que está acontecendo e os benefícios que serão gerados ao final da implantação. Mas por que isso é tão difícil?
Nos próprios fóruns realizados pela IT Mídia o tema “comunicação” sempre está presente quando se discute carreira e habilidades dos executivos de TI. É verdade que profissionais da área de exatas são mais introspectivos, mas isso não significa que eles não possam se comunicar de maneira adequada. Vale lembrar, inclusive, que temos excelentes exemplos de CIOs que transitam bem entre as áreas de negócio, constroem parcerias efetivas e possuem até planos de comunicação para seus projetos.
Para Rebecca, as diversas transições tecnológicas que aconteceram nas últimas duas décadas contribuem para os desafios atuais e até para uma melhora na comunicação do CIO. Pegue, por exemplo, a internet. A CIO lembrou que nos anos 90 a web era usada para conectar ecossistemas, depois vieram as lojas virtuais, processos e interações digitais e o mundo como conhecemos hoje.
“O fenômeno do social mudou esse conceito de ecossistemas e trouxe a presença universal da computação em nuvem móvel. Há alguns anos começamos a falar sobre o uso da nuvem como fundação do data center e acharam que era balela, mas não era e não é. É uma forma de entregar algo para o consumo geral e para o corporativo, fazendo um balanceamento adequado das coisas”, ensinou.
Ela tem razão quando fala sobre os desafios trazidos pelas ondas tecnológicas e mais ainda sobre essa presença universal da tecnologia na vida dos usuários. A TI deixou de ser o único ponto de oferta de tecnologia a partir do momento em que o funcionário passou a demandar no ambiente corporativo aparatos utilizados para soluções pessoais. E sem uma boa comunicação, o caos se instaura. Isso porque nem tudo será internalizado e nem sempre o usuário será atendido.
“Precisamos de um modelo que seja mais rápido, tem que ser algo voltado à comunidade. Preciso ter a possibilidade de prover um ambiente mais rapidamente para a corporação e com uma boa metodologia”, ponderou ao final da apresentação, deixando como conselho esse olhar ao usuário como uma forma até de exercitar todo esse gap comunicacional existente na área.
Tem alguma história interessante para nos contar sobre isso? Deixe seu comentário e compartilhe sua visão com nossa comunica IT Forum 365!