Pesquisas com diversos focos e de diferentes fontes têm chamado atenção para o problema da carência de profissionais qualificados. E não adianta dizer que já estamos discutindo isso. O desafio vai além do velho discurso da falta de mão de obra em TI, porque trata, agora, de carreiras emergentes, cujas capacidades estão subdesenvolvidas. Para lidar com o assunto, a Cisco, grande interessada em ter profissionais capacitados para trabalhar com tecnologias digitais, anunciou nesta terça-feira (14/10), em Chicago, um consórcio de talentos para inibir esse gap em escala global.
Para a vice-presidente de serviços da Cisco, Jeanne Beliveau-Dunn, que anunciou o consórcio global durante o IoT World Forum, evento dedicado a discutir oportunidades e desafios do conceito de internet das coisas que acontece em Chicago (EUA), apenas uma aliança como esse consórcio que integra universidades, indústria, empresas de treinamento e governos em prol de um objetivo comum é capaz de atender à essa demanda, visto que, pelas projeções, a demanda por cientistas de dados já avançou 40% nos últimos três anos e outros dois milhões de empregos devem ser criados em TI apenas por conta de IoT nos próximos dez anos.
“As pessoas poderão coletar informações de diversos dispositivos e fazer coisas com elas, assim, um arquiteto de informação será cada vez mais importante”, afirmou, aludindo aos bilhões de coisas conectadas existentes e que devem crescer exponencialmente para perto de 50 bilhões em 2020. “Essas mudanças atingem os trabalhos e requisitos não apenas em TI, mas em marketing, vendas e pede até mudanças no sistema educacional. Num mundo digital para o que caminhamos, o analista de cibersegurança, por exemplo, será um dos principais trabalhos em TI.”
Sem precisar detalhes das ações para além do mercado norte-americano, Jeanne afirmou que enxerga grandes oportunidades no Brasil e México, para citar alguns emergentes, frisando que trata-se de um objetivo global da fabricante. No Brasil, ela entende que o trabalho pode ser muito forte com universidades e entidades que já fornecem treinamento e certificações Cisco. A ideia é tornar esse ecossistema o maior e mais forte possível, trabalhando inclusive na padronização de alguns treinamentos, como na área de cibersegurança.
No mercado dos EUA, onde a iniciativa está mais madura, o consórcio conta com nomes como Pearson, The New York Academy of Science, Stanford University, MIT, CareerBuilder e empresas como Xerox, GE e Rockwell. Estimativas apontam que apenas o mercado norte-americano tem mais de 11 milhões de desempregados, e que, por outro lado, 45% dos empregadores não encontram pessoas capacitadas para preencher as vagas. “Os programas focarão em carreiras novas como cientistas de dados, analista de cibersegurança, desenvolvedor móvel e programador de rede. O consórcio quer conectar talentos que tenham os pré-requisitos necessários para preencher as vagas abertas”, resumiu.
*O IT Forum 365 viajou a Chicago a convite da Cisco