O mercado de telecomunicações vive momentos de mais desafios. A alta dólar, por exemplo, impacta os planos de investimentos e, com o fim dos estoques de smartphones não fabricados localmente, as empresas temem também redução nas vendas de final de ano pelo encarecimento dos produtos. Existe ainda a necessidade de ampliar cobertura e qualidade das redes de dados, sobretudo 4G, além de observar uma possível fusão entre Oi e TIM. Dos três assuntos, o que mais parece preocupar o CEO de mercado pessoal da América Móvil no Brasil, Carlos Zenteno, é a alta do dólar.
Em entrevista durante a Futurecom 2015, o executivo afirmou que a valorização do dólar frente ao real traz impactos importantes aos investimentos da companhia no País planejados em moeda nacional e num cenário de câmbio totalmente diferente do atual. “Nossos investimentos estão mantidos”, avisou Zenteno, mas lembrando que os impactos existem e que a companhia trabalha para lutar contra esse cenário.
Para o CEO, o cenário atual, que traz combinação de desaceleração econômica e alta do dólar, seria propício para renegociar o plano de metas com o governo. Ainda não existe uma proposta formal para isso e ele nem sabe se o governo estaria disposto a tal alteração, mas avalia ser prudente, uma vez que os valores planejados já não têm, pelo menos neste momento, o mesmo poder de compra quando os compromissos foram assumidos.
Ainda sobre o dólar, Zenteno acredita que até o final do ano, quando acabarem os estoques de smartphones adquiridos num outro cenário cambial e quando ainda valia a desoneração de impostos para esse tipo de produto – outro tema que o executivo tem esperança que seja revertido -, a tendência é que os preços cresçam e traga um impacto importante nas vendas, prejudicando inclusive a migração de usuários das redes 2G para 3G e 4G. Entre as ações para brigar com essa situação, a Claro investiu, por exemplo, num kit que traz smartphone de entrada, fabricado localmente pela Alcatel e com plataforma Android, e três meses de serviço de streaming de música Claro Música por R$ 279 no modelo pré-pago.
Mais cobertura
“O cenário é complicado e o câmbio reduz a capacidade de investimento e reduz o consumo das pessoas. Estamos trabalhando com produtos mais baratos e investindo em diversas ações comerciais para fidelizar e crescer, mas o câmbio impacta a estratégia”, explicou.
Aliado a todo esse cenário, as companhias precisam seguir com seus planos de ampliar cobertura 4G e melhorar velocidade do serviço oferecido para o usuário. Uma das frentes de trabalho da Claro nesse sentido é o lançamento de rede 4,5G ou LTE Advanced, que amplia a velocidade em pelo menos 30% em relação ao 4G atual. Os primeiros testes estão sendo realizados na cidade de Anápolis (GO).
Já para ampliação da capacidade da rede, a Claro investirá, assim como a concorrente TIM, em agregação de frequência, utilizando a capacidade ociosa de frequências como a 1,8 GHz, hoje usada para 2G, para 4G. Ainda que esse tipo de trabalho não contabilize para as metas acordadas com o governo, atende a uma demanda crescente do usuário por um serviço mais rápido e estável. Atualmente, a operadora conta com 147 cidades cobertas pelo 4G. Existe a intenção de antecipar cidades que receberiam a cobertura em 2016, mas a telco preferiu não compartilhar números e futuras metas.
Durante a conversa, Zenteno também falou sobre a possível fusão entre TIM e Oi, já negada pela TIM. Para o executivo, um eventual processo de consolidação seria benéfico ao Brasil, mas ele entende que pelo tamanho das operações das duas companhias, haveria dificuldade de aprovação por parte das autoridades regulatórias. Em algumas regiões do país, tal união provocaria uma concentração de mercado superior a 50%. Do ponto de vista de estratégia corporativa, ele informou que neste momento, a Claro apenas observa o movimento.