Flexibilidade e elasticidade são características marcantes de plataformas oferecidas por provedores de infraestrutura na nuvem. Mas a Hewlett-Packard Enterprise (HPE) quer provar que esses conceitos podem ir além de cloud computing e que modelos on-premises podem trazer os mesmos benefícios, sendo uma excelente alternativa para empresas em meio à “era dos dados”.
Diante do seu foco no modelo de TI híbrida, a companhia está apostando suas fichas no Synergy, plataforma de “Composable Infrastructure” (ou Infraestrutura Composta, em português), que une aplicativos tradicionais e novos, capacitando a TI para criar e entregar valor instantânea e continuamente. O diferencial da solução, segundo a empresa, é sua capacidade de rearranjar workloads não estáticos por meio de programação.
De acordo com definição da empresa, a infraestrutura composta – também chamada de “infraestrutura como código” – é uma solução definida por software que vai além da simples convergência ou hiperconvergência de hardware, computação e armazenamento em uma única unidade integrada. O sistema virtualiza toda a infraestrutura de TI: trata os dispositivos físicos de computação, armazenamento e rede como serviços e gerencia toda a TI por meio de um único aplicativo. Isso elimina a necessidade de configurar hardware para dar suporte a aplicativos específicos e permite que a infraestrutura seja gerenciada por comando de software.
O formato flexível traz ao data center um modelo semelhante ao de cloud, como define Marcos Gaspar, diretor da unidade de negócios Data Center e Cloud Híbrida da HPE no Brasil. O executivo comenta que a solução pode ser considerada uma evolução natural da hiperconvergência. “Muitos clientes que hoje têm arquitetura de servidores BladeSystem estão olhando para o Synergy como a próxima evolução”, explica.
Já Alexandro Jose, arquiteto de Enterprise da HPE, explica que a proposta do Composable é incorporar tudo aquilo que é tradicional e o que é hiperconvergente mas também rearranjar todos os componentes físicos. “É possível fazer uma organização de tudo que é físico para montar solução e atender determinada necessidade de negócios”, comenta.
Nessa estratégia híbrida, a solução permite rodar aplicações cloud e também monolíticas e legadas. Para explicar a importância disso, José usa bancos como exemplo. “Hoje, cerca de 70% das transações financeiras passam por mobile banking, mas todas elas passam por um mainframe. Você tem dois mundos rodando em uma única plataforma: o mundo novo de mobile, mas também de mainframe fazendo todas as consultas por trás, que é um legado. O Synergy acomoda esses dois mundos.”
Segundo os executivos, a solução é destinada a qualquer empresa que tenha cerca de 12 servidores, mas com apelo muito grande ao mercado Enterprise, que em sua maioria ainda mantém dados “dentro de casa”. “Por ela (Synergy) se moldar e se adaptar, não tem um único mercado específico. A plataforma tem um pool de recursos, tanto de computação, quanto rede e memória”, lembra Jose.

HPE Synergy fortalece estratégia de data center modular e flexível da HPE
A estrutura do Synergy é modular, desenhada por frames. “Começo com um frame e posso ampliar até 21, que vão se comportar como um sistema única”, explica Gaspar.
Jose destaca que todos os frames são gerenciados por meio de uma interface de programação, o que cria o conceito de Software Defined Data Center. “No mercado não tem nenhuma solução que escale como sistema único como esse. É possível orquestrar todos elementos por programação, eliminando a necessidade de mandar alguém para dentro do data center”, explica Jose.
A solução, classificada como uma espécie de Lego, foi lançada no ano passada e chegou em março ao Brasil. Ela é diretamente ligada ao The Machine Reserach Program – programa que recebeu maior parte dos investimentos da companhia nos últimos anos.
A empresa defende o modelo Composable frente à nuvem. Jose destaca que, como um pool de recursos que o cliente usa sob demanda, o conceito é semelhante ao de cloud computing, mas sem a necessidade da camada de virtualização. “A nuvem faz isso hoje para todos elementos considerados virtuais, mas tem sempre uma camada de virtualização resolvendo isso. No Synergy é possível fazer tudo isso no mundo físico, combinando elementos físicos que podem ser programados para se comportar de maneira diferente.”
Na nuvem, Jose lembra que há uma capacidade gigante ociosa esperando ser ativada pelo cliente. Já no Composable, não existe essa ociosidade, já que a infraestrutura é alocada sob demanda. “Vou pavimentando a autopista à medida que o trânsito evolui. Em cloud, você já tem a estrada criada e vai percorrendo. Tem uma estrutura ociosa te esperando”, exemplifica.
O movimento de migração para cloud é outro ponto alertado por Jose. Para o executivo, o modelo de nuvem exige diversas adaptações para uso, ao contrário do Composable. “Em vez de transformar a aplicação para rodar no ambiente novo, eu transformo o ambiente para que a aplicação rode nele. Não é qualquer tipo de aplicação que você consegue usar o benefício de uma AWS ou Azure. Você precisa transformar a aplicação para isso. Não é a aplicação se adaptando ao meio, mas sim o meio se adaptando à aplicação”, finaliza.