A Hidrovias do Brasil SA tem seu DNA na nuvem. A necessidade de uma infraestrutura que suportasse planos de rápida expansão levou a uma jornada pioneira: a empresa foi a primeira empresa brasileira a montar projetos com a plataforma de computação em memória da SAP, o Hana, na nuvem, contando com suporte também da cloud da AWS.
A operadora de logística modal e hidroviária, com atuação no Brasil, Paraguai e Uruguai, nasceu de um investimento de 600 milhões de dólares do fundo de infraestrutura P2 Brasil, joint venture entre Pátria Investimentos e Grupo Promon, em 2010.
Em 2012, a companhia iniciou seu projeto de TI com a SAP, com investimento total de 4 milhões de dólares. Agora, encontra-se em sua segunda fase, que consiste na implantação de Hana em nuvem, a base de dados em memória da SAP. Além da rapidez na implementação, crucial para time to makerting na fase de pré-operação, o líder de Tecnologia da Informação da Hidrovias do Brasil AS, Rogério Dutra, aponta que a redução de custo de todo projeto com a gigante alemã propiciado pela nuvem foi de três milhões de dólares, comparado à infraestrutura on-premise.
Agora que a TI está dedicada centro do negócio da Hidrovias, o transporte, o desempenho da área torna-se fundamental, avaliou Dutra, em entrevista concedida ao IT Forum 365 durante o Sapphire 2014, que ocorre esta semana em Orlando (EUA)*. “Somos uma operadora logística que transporta grandes barcos capazes de carregar 700 barcaças de 40 mil toneladas cada. Isso substituiria 700 caminhões em comboio”, explicou.
Assim, segundo ele, o Hana permite gerenciar a ação da cadeia de logística dos barcos como uma torre de controle, como se fosse um aeroporto controlando a entrada e saída dos aviões.
Desse modo, a companhia está início do projeto com a solução em nuvem, que permitirá a análise de dados em tempo real para gerar informações, como quando o barco irá chegar a cada porto, qual vai ser o consumo de combustível e quanto será preciso abastecer. “Extraímos informações do barco a cada cinco segundos, como pressão, consumo de combustível, e tudo isso gera uma massa de dado muito grande”, complementou.
O Projeto
A estratégia para montar sua TI começou na nuvem da AWS, em 2012. Contudo, a implantação de diversas soluções da SAP, a companhia enxergou a necessidade de migrar todos os sistemas produtivos para uma nuvem privada da alemã, enquanto a nuvem da Amazon foi mantida para landscape de projetos.
Concluída em julho do ano passado, a primeira fase com a SAP envolveu na estruturação do back office com a implantação do ERP na nuvem. A operação teve duração de quatro meses no Brasil e depois foi estendida para o Paraguai e Uruguai, onde demandou três meses. A elasticidade da nuvem também tem sido fundamental, segundo Dutra, já que a organização que conquistou cerca de 200 funcionários deve alcançar 500 colaboradores até o final do ano.
A Hidrovias do Brasil começou a faturar este ano, com o transporte de soja no Paraguai. No Brasil, a companhia está construindo dois portos na região norte, que possibilitarão, por exemplo, a otimização do transporte da soja do Mato Grosso até a China em sete dias. Ao invés de ser transportado até o Porto de Santos, em São Paulo, o produto será levado até Belém, onde os navios o conduzirão através do Canal do Panamá até seu destino final.
*A jornalista viajou a Orlando a convite da SAP Brasil.