Solução que usa inteligência artificial leva diretor de TI da Votorantim ao primeiro lugar no Prêmio Executivo de TI do Ano
Quando João Donizeti dos Santos resolveu entrar no curso que o levaria à TI, a área ainda era resumida sob um termo um tanto vago para os dias atuais: computação. Antes do computador pessoal ser uma realidade e o celular apenas uma ideia de que poderia concentrar grande parte das necessidades cotidianas, o que acontecia no universo da computação soava mais como ficção científica, em suas palavras.
Quarenta e poucos anos separam o garoto que encontrou por acaso, em um folheto, informações sobre o curso de computação do diretor de TI que hoje comanda toda a estratégia de tecnologia do ambiente corporativo no grupo industrial Votorantim, empresa brasileira com mais de cem anos de história.
Além da Votorantim, Santos passou pela Servimec S/A, Vasp e Basf com o orgulho de não ter tido um período sequer sem trabalho. “Saía numa sexta-feira de uma empresa para trabalhar na segunda-feira na outra”, conta o executivo. Nessas companhias, teve a chance de atuar em todas as frentes da TI – de fitotecário a programador. “Sou da época do cartão perfurado”, diz rindo. E acompanhou de perto questões como a substituição dos mainframes, o bug do milênio, a chegada do onl–ine e, claro, o fim dos cartões perfurados.
Sua entrada no grupo Votorantim foi para uma missão e tanto: integrar as diferentes empresas do grupo que utilizavam até então, em 2004, ERPs independentes, um trabalho que durou dois anos e meio. Quase dez anos depois, chegaria ao cargo atual.
Atualmente, entre tantos projetos, Santos, em conjunto com uma das empresas do grupo, a Votorantim Cimentos, lideram um projeto parrudo que agrega big data, inteligência artificial e algoritmos. Seu time, junto com o da Votorantim Cimentos, desenvolveu uma solução para aumentar a eficiência nas operações de compras “spot” de materiais, aplicando inteligência artificial na gestão de dados mestres, rotinas de negociação e decisão de compra de materiais.
Santos explica que compras spot são chave nos negócios da empresa. Segundo ele, são compras com grande volume de itens e ticket médio baixo. A cobrança por uma ferramenta que facilitasse esse tipo de compra e economizasse tempo veio do próprio setor de negócios que tem forte relação com o time de TI tanto na origem da ideia quanto no seu desenvolvimento. “Todo o engajamento da área de negócios foi fundamental. Sem eles não faríamos nada.” Com a iniciativa, ele levou o primeiro lugar no prêmio Executivo de TI do Ano 2020, da IT Mídia, na categoria Holdings e Grupos Empresariais.
Ao desenvolver o projeto, encontrou o primeiro obstáculo: cuidar da qualidade dos dados do cadastro de materiais. “Saneamento de dados é igual enxugar gelo. Por isso, para conseguir realizar o projeto da forma adequada, sem ter de sanear os dados para sempre, decidimos colocar a inteligência para resolver o cadastro”. Sem confusão de qual item vai ser comprado, os outros dois núcleos de aprendizado se direcionam para duas áreas: interpretação das políticas de suprimentos para evolução contínua da estratégia de compras e interpretação do contexto da negociação.
Baseado em machine learning e big data, os três núcleos funcionam juntos e conseguem, dentro das regras e políticas estabelecidas, fazer análise da cotação com fornecedores e mirar para a melhor estratégia de negociação de olho em diversos pequenos fatores que poderiam escapar para o comprador humano.
Para essa etapa inicial, na qual os algoritmos aprendem, estabeleceu-se um limite baixo para os itens nos quais a decisão da compra é gerenciada pelos algoritmos, e a medida que se ganha confiança, aumenta os valores. Para valores que extrapolam o limite estabelecido, o dedo humano é responsável por bater o martelo.
Enquanto a máquina aprende, os resultados já se apresentam. Em um período de quatro meses, a empresa registrou redução importante nos valores negociados, dependendo do material.
Se a equipe de negócios foi fundamental para o desenvolvimento da ferramenta, como não assustar as pessoas que trabalham na mesma função? “Toda nova tecnologia, em um primeiro momento, gera certo desconforto. Wxiste o medo em relação à manutenção das funções existentes. Porém, quando se explica o funcionamento, que aquilo vai ajudar o seu dia a dia e liberar tempo para atividades mais relevantes, as pessoas compram a ideia e se tornam aliados.
O contato da equipe de TI com diferentes áreas, segundo Santos, se mantém e será determinante para as próximas ideias de inovação propostas. Os planos futuros incluem novidades na área de produção, comercial, manutenção e produção.
“Temos várias iniciativas. Você tem de estar próximo das áreas de negócios. Afinal, os grandes projetos estão nos negócios. Fazer eles entenderem a tecnologia, os benefícios e parceria gera diversas ideias”. É assim que o executivo deixa as ideias de época de ficção científica mais longe da ficção.
1° João Donizeti dos Santos, Votorantim
2° Paulo Santos, Weg
3º André Costa, grupo CCR