Dados do Fórum Nacional Contra Pirataria, associação que reúne representantes de 30 setores, mostram que a pirataria gerou prejuízos de R$ 24 bilhões em 2012, isso contabilizando informações apenas de 13 setores. As informações estão sendo atualizadas neste momento e o presidente da entidade, Edson Vismona, acredita que os valores passarão dos R$ 30 bilhões. O mundo dos produtos falsos e piratas é imenso e tem grande penetração no Brasil: são CDs, roupas e acessórios de grifes, bebidas alcoólicas, softwares dos mais simples aos mais sofisticados e até toner e cartuchos para impressoras.
Neste último ponto, em especial, a HP, que ainda tem boa fatia do seu negócio vinda da área de impressão, tem feito um trabalho intenso de combate ao uso de produtos falsos e piratas. A companhia estima que 6% dos toners vendidos no Brasil sejam falsificados e o ponto que mais chama atenção entre as informações coletadas pela fabricante é a de que grandes empresas e o governo são os maiores alvos dos falsificadores.
Márcio Furrier, responsável pela área de suprimentos da HP, explica que a falsificação tem uma logística bastante complexa, com caixas e materiais impressos no Brasil, cartuchos vindos da China, caixas no Peru, outros materiais impressos no Paraguai e por aí vai, tornando o controle cada vez mais complexo. E até para dificultar ainda mais, esses falsificadores cada vez menos focam a entrega dos produtos em varejo, onde o controle seria maior, e se voltam ao mercado corporativo.
“Varejo é complicado para falsificadores, eles se concentram em grandes contas e no governo que trabalha por meio de licitação cujos lotes ganham por pequena diferença de preço. Já detectamos em contas governamentais lotes falsos, o revendedor pode misturar peças falsas entre as verdadeiras e fica complicado detectar problemas”, detalha Furrier.
Para inibir a ação principalmente dos falsificadores – um cartucho é considerado falso quando até a embalagem é copiada – a fabricante tem investido em formas de autenticar a veracidade dos produtos, como leitura de QR Code e inteligência nas próprias impressoras que permite validar o cartucho. No Brasil, as ações são intensificadas pelo alto índice de penetração desse tipo de produto. A cada 100 verificações, 14 são positivas, maior que a média mundial.
O trabalho das polícias (Civil para tratar de crime de pirataria e falsificação e Federal para contrabando) tem ajudado nesse sentido. As últimas quatro apreensões no Brasil contabilizaram quase US$ 16,5 milhões em produtos e componentes falsificados, sendo que, em apenas uma delas, em Maringá (PR), ocorrida em abril deste ano e que ficou conhecida como maior apreensão das Américas, foram US$ 16 milhões. Apenas a máquina apreendida e utilizada para impressão das caixas dos cartuchos foi avaliada em R$ 800 mil.
“Estamos combatendo casos associados a contrabando e centrando esforços em inibir grandes facções criminosas, agimos nas importações, distribuidores, identificação de galpões e lojistas. Foco principal é contrabando e as vezes identificamos a questão da pirataria em si”, explica Carlos Eduardo Pelegrini, delegado da PF especializado nesse tipo de crime. “Mas mais importante que galpões é engenharia financeira e empresarial. O Paraguai, muitas vezes, funciona como interposto alfandegário com produtos vindos da China.”
Além de ações repressivas, Furrier frisa que as ações mais efetivas para combater as falsificações são na esfera educacional, lembrando também que não há correlação entre uso de produtos piratas com escolaridade ou classe social. Um trabalho grande também é feito pela companhia na gestão dos canais para que se defendam desse tipo de produto. Além disso, para compras mínimas de 500 cartuchos, a HP pode fazer inspeção do inventário e a fabricante emite laudo comprovando originalidade do produto.