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Como a IoT alavancou a operação do McDonald’s Brasil e da Queiroz Galvão

CIOs das companhias detalharam, durante o IT Forum, seus projetos de conectividade e como encontraram valor na consciência digital dada por sensores

Publicado:
20/04/2019 às 10:01
Leitura
5 minutos
Como a IoT alavancou a operação do McDonald’s Brasil e da Queiroz Galvão

Por trás da adoção de novas tecnologias, companhias buscam, sobretudo, eficiência operacional. E a internet das coisas (IoT) é uma das formas que diferentes indústrias têm adotado para encontrá-la. O Grupo Queiroz Galvão e a Arcos Dorados – McDonald’s Brasil implementaram projetos distintos de IoT, mas conquistaram benefícios semelhantes: otimização do trabalho de funcionários, redução de custos, manutenção preditiva de equipamentos e melhoria da satisfação de clientes.

Os CIOs das duas companhias, Marcello Borges, e Renata Zepelini, respectivamente, falaram sobre os desdobramentos de seus projetos, os desafios e os ganhos durante o IT Forum 2019, realizado pela IT Mídia que acontece nesta semana na Praia do Forte, BA.

O Grupo Queiroz Galvão, por meio da sua divisão Vital Engenharia Ambiental, que cuida da coleta de lixo nas cidades, aplicou a internet das coisas para monitorar uma frota de caminhões. Com sensores instalados nos veículos, agora a companhia consegue monitorar todo o trajeto dos mesmos, coletar dados de tempo de permanência nos locais e até mesmo o peso do lixo que entrega nos aterros sanitários. Munida de tais informações, a Vital conseguiu não só ganhos em produtividade e economia de custos, como dar início a jornada de transformação digital da empresa.

“O maior ganho que tivemos foi operacional. Agora, consigo ver por onde meu equipamento passa, por quanto fica parado. Acabamos com o problema do cliente questionar se o nosso serviço passou pela rua dele ou não”, destaca Borges.

O executivo conta que até então os roteiros dos caminhões confiavam muito em processos manuais e em papel. Em outra ponta, para avaliar o pleno funcionamento da atividade, a Vital recorria a fiscais nas rotas. Com a IoT, todos os processos se tornaram, automaticamente, incontestáveis dado o apoio das informações.

Onipresença digital

O projeto de IoT da Vital Engenharia Ambiental veio também ajudar nos custos de manutenção dos equipamentos. “Esses caminhões são caros e a caçamba compactadora é cara. Colocar isso na rua, sem nenhuma medição, é pesado. Tínhamos um alto índice de quebra de mola dos caminhões”, explica Borges. Conscientes de cada demanda e peso suportado por veículo, é possível não sobrecarregá-los. A logística do serviço passa também a ser mais inteligente.

“Pagamos pela quantidade de resíduos coletado. Só que esse contrato [com as prefeituras] tem uma série de nuances, sujeito a multas. Portanto, tenho de passar naquela rua, naquele horário, senão recebemos multas. A operação acaba sendo muito complexa, conseguir controlar isso tudo na mão é complexo”, lembra Borges.

Borges conta que diante dessa problemática, a área de TI passou a refletir como poderia otimizar o processo e agregar mais valor. A resposta veio, então, na forma da internet das coisas. Segundo o executivo, o projeto foi construído com as áreas de negócio do Grupo Queiroz. “Você precisa estar de mãos dadas com o negócio”, ressalta.

Essencialmente, o projeto de IoT da companhia recorre a sensores instalados nas cabines dos caminhões que coletam dados. Há sensores de temperatura, de carga, acelerômetros, telemetria. Estes mandam dados para uma plataforma em nuvem. Para implementar a tecnologia e solução, a Vital se apoiou na parceria da Inlog.

Em uma nova fase do projeto, a companhia tem recorrido às startups Engemon IT e Crazy Tech Labs para avançar a análise preditiva, aplicando inteligência artificial para pesar a carga dos caminhões em tempo real, algo que ajudará na manutenção preventiva dos veículos.

Um combo com sensores

O McDonald’s conta com uma operação massiva no Brasil. São mais de 900 restaurantes no Brasil em mais de 200 cidades. Essa distribuição atrai mais de 2 milhões de clientes por dia. “Olhando esses números, vocês veem o tamanho do nosso desafio”, brinca Renata Zepelini, CIO da Arcos Dorados MC Donal’s Brasil.

Há cinco anos, a operação dos restaurantes da franquia no País não era automatizada. Os tempos, contudo, mudaram. “O cliente não é o mesmo. Ele é digital. As expectativas são outras”, lembra.

Segundo Renata, há, hoje, cerca de 200 componentes de tecnologia em uma unidade do McDonald’s nas cidades brasileiras. Cada restaurante conta, inclusive, com um servidor dedicado. “Multiplicamos em quatro vezes a nossa conectividade”, revela. Para multiplicar esse alcance, a Arcos recorreu à implementação de SD-Wan nos restaurantes.

Renata conta que antes do desdobramento do projeto de internet das coisas, o modelo de suporte da tecnologia acabava sendo muito reativo. Quando surgia um problema, era então acionado um técnico em campo. “Tínhamos muita ocorrência de queda de link de pagamento nos caixas. Mas era reativo, se o gerente não reportava esse problema, não tínhamos como medir. A primeira coisa que resolvemos foi melhorar a conectividade”, explica.

Depois da implementação bem-sucedida do projeto de conectividade, o horizonte de possibilidades para a IoT foi ampliado. Sensores foram levados para uma série de componentes nos restaurantes: de geladeiras ao forno elétrico e ar-condicionado. Com isso, a TI da Arcos conseguiu monitorar até mesmo o consumo de energia elétrica e ajudar a reduzir as contas de luz e oferecer manutenção preventiva dos aparelhos.

“Começamos a entender que podemos monitorar o que quisermos. Mas era preciso adotar as tecnologias emergentes que faziam sentido para gente. Há milhares delas, mas é preciso alinhar o que interessa para o negócio, o que faz sentido, ouvir as experiências dos outros e tentar entender a aplicação. Se não tiver paralelo com o negócio, passe para a próxima tecnologia”, aconselha Renata.

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