As companhias que não adotaram esses produtos e nem planejam fazer isso
citaram três razões para essa atitude: não acreditam que seja
necessário, o custo e a complexidade. Aparentemente, os fabricantes de
soluções para gerenciamento de dispositivos móveis estão realizando um
trabalho insatisfatório no que se refere a educar os clientes em
potencial quanto ao valor e a facilidade de uso. Isso é explicado, em
parte, pela natureza fragmentada deste mercado. Os sistemas estão
disponíveis a partir de operadoras de telecomunicação sem fio,
fabricantes de aparelhos de telefonia, especialistas em administração
de despesas de telecom, e também provedores de softwares de segurança.
Refletindo a posição dominante dos BlackBerrys entre os usuários
corporativos de dispositivos móveis, o produto BlackBerry Enterprise
Server, da Research In Motion (RIM), é, sem dúvida, a plataforma para o
gerenciamento de dispositivos móveis mais conhecida, que foi mencionada
no estudo, por 80% dos respondentes. Sua capacidade de oferecer
recursos de segurança e gerenciamento de dispositivos ocorre porque a
empresa criou, essencialmente, um serviço que quase pode ser
considerado universal.
Um administrador de sistemas pode gerenciar até dois mil BlackBerrys a
partir de um único servidor, com recursos como atualizações
instantâneas e varredura de dados remota em dispositivos considerados
inadequados. O preço do BlackBerry Enterprise Server é de US$4 mil por
servidor, mais US$100 por usuário ou dispositivo, e incluía função de
gerenciamento de dispositivos e de serviço de e-mail do BlackBerry.
MARCADOS PELA EXPERIÊNCIA
Uma razão pela qual a adoção de produtos de gerenciamento de
dispositivos móveis não tem sido mais rápida pode ser porque nem todas
as companhias estão certas de como suas estratégias específicas devem
evoluir. A situação da LifeLong é, parcialmente, o resultado do fato de
que sua experiência com aplicativos móveis não tem sido das melhores: a
companhia, que tem 371 funcionários, realizou um programa-piloto de
prescrição eletrônica há alguns anos, utilizando os PDAs Axim, da Dell,
que depois deixaram de ser fabricados. Principalmente por falta de
cobertura para os serviços sem fio em suas instalações médicas em
Berkeley, na Califórnia, a experiência não chegou a nenhuma conclusão.
Por enquanto, embora a LifeLong ainda disponibilize alguns PDAs para
médicos e funcionários, a maioria de seus empregados utiliza seus
próprios celulares ou smartphones, cobrando da companhia o reembolso
parcial para o pagamento de seus planos de serviços. Essa situação está
longe de ser ideal. ?O problema é que uma vez que não temos nenhuma
estratégia de gerenciamento, o departamento de TI solicita e distribui
os dispositivos, mas ninguém verifica as contas efetivamente?, comenta
Ami. As atualizações de software são outro problema. Para instalar
novos programas e fazer atualizações, a equipe de Ami precisa recolher
fisicamente todos os apaerelhos que estão em uso na organização.
A ABI Research prevê que os rendimentos obtidos a partir dos serviços
de gerenciamento de dispositivos móveis irão exceder os US$ 20 bilhões
até 2013, em comparação a menos de US$ 600 milhões registrados no ano
passado; um tremendo aumento na demanda, considerando o pequeno
interesse que o estudo da InformationWeek EUA revelou.