De acordo com previsões da IDC, mais pessoas irão navegar na web esse ano usando dispositivos móveis do que em computadores desktop ou laptop. Mas a crescente complexidade das páginas na internet faz com que a navegação móvel seja uma fonte de drenagem cada vez maior sobre as baterias dos dispositivos.
O resultado mais comum é que a vida da bateria é significativamente diminuída ou a navegação na web móvel tem velocidade diminuída para conservar energia. Usuários de smartphones não ficam felizes com nenhum dos dois efeitos. As empresas on-line estão perdendo dinheiro e clientes em potencial, uma vez que os dispositivos móveis não estão conseguindo oferecer uma experiência de navegação de qualidade.
Uma possível solução para esse problema usa hardware já existente dos smartphones de forma mais inteligente: evita o desperdício de desempenho do processador e carga da bateria no carregamento de páginas da web. Os sistemas operacionais dos smartphones geralmente têm um modo de “economia de bateria” que utiliza a menor frequência possível do processador para reduzir o consumo de energia, além de um modo de desempenho que carrega páginas o mais rápido possível utilizando a mais alta frequência do processador.
Engenheiros da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, têm feito avanços, desenvolvendo um sistema que diferencia o ato de carregar páginas da web usando apenas a frequência certa do processador. Eles apresentaram um artigo descrevendo esse trabalho na IEEE Symposium on High Performance Computer Archtecture no mês passado em Burlingame, Califórnia.
“O desafio é diminuir o desempenho apenas o suficiente para economizar energia, e o usuário não percebe nada”, disse Vijay Janapa Reddi, engenheiro elétrico e da computação na Universidade do Texas em Austin, um dos autores do artigo.
Primeiro, Reddi e seus colegas tiveram de prever desempenho e consumo de energia no carregamento de páginas individuais. Visitar sites diferentes pode mudar drasticamente os requisitos de desempenho e consumo de energia em um browser móvel, mas, surpreendentemente, poucas pessoas se preocuparam em checar as diferenças de desempenho e energia.
Essa análise permitiu que a equipe criasse um sistema de agendamento que carrega páginas com base e uma análise caso a caso de acordo com a frequência do processador que cada uma demanda. Eles testaram o sistema de agendamento com a chamada “regra dos três segundos” para garantir que todas as páginas fossem carregadas dentro desse período de tempo.
O sistema de agendamento acabou usando 20,3% menos energia do que o modo de desempenho, e a regra de três segundos foi excedida em apenas 2,2 % das páginas. Ao mesmo tempo, o sistema de agendamento usou 78,8% mais energia do que o modo de economia de bateria, reduzindo o número de violações de três segundos de regras em 37,1%.
Mas carregar páginas na web é apenas o primeiro passo na experiência do usuário da internet móvel. O grupo de Reddi apresentou outro artigo na mesma conferência sobre a forma de alcançar máxima eficiência energética durante interações do usuário com os aplicativos móveis. Os engenheiros criaram um planejador baseado em eventos que analisa a interatividade como um clique ou de uma rolagem na tela.
“É sobre como eu posso pegar um app de alta interatividade e fazer uma programação para esses eventos específicos”, explicou Reddi.
O grupo testou uma variedade de aplicativos interativos como o navegador Chromium, um app de edição de fotos chamado CamanJS, e uma porta de JavaScript do game de tiro em primeira pessoa “Doom”. O planejador baseado em interatividade poupou 37,9% e 22,9%, respectivamente, em consumo de energia em comparação com dois modos de gerência Android comuns chamados de “interativo” e “on demand”.
Essas vantagens de eficiência energética podem ser aplicadas a sistemas de smartphones já existentes simplesmente aprimorando sistemas operacionais, seja de smartphones Android ou de outras marcas. Mas Reddi quer fazer mais do que apenas convencer um ou dois fabricantes de dispositivos móveis a se preocupar com isso. Ele quer desencadear uma conversa mais ampla, para posicionar a eficiência energética em um lugar mais alto na lista de prioridades para a criação de software para dispositivos móveis, em vez de apenas enfatizar sempre o melhor desempenho.
“Se eu falar com um profissional de arquitetura de software, então eu posso falar livremente sobre energia, porque eles estão dispostos a ouvir sobre o tema”, disse Reddi. “Mas se eu falar com um desenvolvedor de app, ainda preciso convencê-lo a pensar nisso. Essa não é uma jornada fácil. “
*Jeremy Hsu é jornalista e escreve para a revista do IEEE Spectrum