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Como os CIOs podem medir a produtividade dos colaboradores?

Abordagens para quantificar a qualidade do trabalho são antigas e muitas dependem ainda de consultorias. Líderes buscam ferramentas mais eficazes

Publicado:
03/07/2019 às 16:41
Leitura
5 minutos

Os CIOs que buscam quantificar o desempenho e a produtividade dos colaboradores estão recorrendo a diversos métodos de análise. Em um momento em que os departamentos de TI passam por conflitos entre impulsionar os resultados dos negócios e gerenciar custos, tornou-se crucial avaliar o impacto da atuação dos funcionários.

Apesar dos esforços, há algumas limitações: os CIOs não possuem ferramentas eficientes para medir essas variáveis. Em uma era digital repleta de tecnologias, a maioria dos executivos não consegue estimar com precisão a qualidade das contribuições dos membros de suas equipes. Para ajudar a resolver o problema, startups estão desenvolvendo ferramentas de “análise de força de trabalho”.

Avaliações

Hoje, os líderes de TI podem calcular os custos para executar diferentes soluções em relação ao valor que elas oferecem. Por outro lado, alguns CIOs estão buscando uma maneira de analisar o desempenho dos funcionários, como se cada trabalhador fosse um servidor a ser reconfigurado ou reinstalado com base nas necessidades do negócio.

O benchmarking de desempenho de trabalho versus o custo de cada profissional é uma equação que Scott Spradley, da Tyson Foods, está trabalhando. Como a gigante norte-americana conta com colaboradores de diferentes funções, o desafio se torna ainda maior, já que a relação de valor varia, por exemplo, entre um cientista de dados e um engenheiro de software. “Trata-se de adotar uma abordagem de valor taxonômico para cada pessoa na cadeia da força de trabalho”, explica Spradley.

Até o momento, as abordagens para quantificar a qualidade do trabalho são antigas. Em geral, as empresas pagam à McKinsey, Bain & Co. e outros grandes consultores milhões de dólares para avaliar o desempenho de suas forças de trabalho. Dessa forma, profissionais especializados acompanham os funcionários por semanas ou meses, fazendo anotações, escrevendo avaliações e desenvolvendo recomendações.

Mesmo sendo bastante utilizada, alguns analistas consideram essa abordagem questionável. Para eles, os CIOs precisam de novas ferramentas capazes de medir a produtividade no processo operacional e, até mesmo, no nível de execução de tarefas.

DIY – Faça Você Mesmo

Com tantos desafios, muitos CIOs estão optando por abordagens “faça você mesmo” para a análise da força de trabalho. Enquanto trabalhava como CIO da Aflac, Julia Davis criou métricas básicas para medir a produtividade, como tarefas feitas por funcionários em tempo integral. As tarefas variavam de solicitações de suporte técnico, como ajustes de impressoras, até alterações de código. Por outro lado, quando a CIO começou a analisar o desenvolvimento de aplicativos, ela se deparou com desafios para medir o desempenho individual pensando em agilidade.

Nos últimos dois anos, a TD Ameritrade começou a utilizar uma metodologia interna e uma ferramenta chamada Go Live, que, além de medir a funcionalidade dos negócios, expandiu-se para avaliar o desempenho e a produtividade de cada engenheiro, visando verificar se a atuação de cada profissional melhoraria ao longo do tempo. Incentivada pelos resultados, a equipe começou a ampliar o Go Live para analisar as diferentes etapas de desenvolvimento de um aplicativo.

Tecnologias

Historicamente, os departamentos de TI utilizam planilhas para realizar as avaliações, mas muitos estão descartando essa abordagem em favor de um software de análise.

Reconhecendo que os custos com profissionais representam 50% dos gastos com tecnologia em uma empresa, a Apptio lançou no ano passado o Agile Insights, uma solução SaaS que mede a entrega, o valor da qualidade e a utilização da mão de obra.

Indo pelo mesmo caminho, outras startups estão se juntando à concorrência. A Fin Analytics está desenvolvendo um software que busca ajudar as empresas a entenderem melhor como os funcionários concluem suas tarefas diárias. A companhia, que conta com o apoio da Kleiner Perkins, Accel e CRV, está vendendo um plug-in para Chrome capaz de registrar as rolagens dos usuários, cliques em sites e comportamento de navegação. Além disso, a ferramenta rastreia o consumo de aplicativos, como quanto tempo cada funcionário gasta no Slack, ou quanto tempo são gastos para que uma apresentação de slides seja examinada. Todas essas informações são disponibilizadas a partir de dados estatísticos, onde são destacadas as principais métricas que podem, inclusive, ser utilizadas para treinar os membros da equipe.

Apesar de trazerem novas perspectivas para a área, especialistas defendem que deve haver um ceticismo saudável sobre as análises das forças de trabalho. Anna Frazetto, diretora-chefe de tecnologia digital da Harvey Nash, lembra os esforços que as empresas tiveram na década passada para determinar a eficácia dos programadores de software. Um desenvolvedor pode programar um widget escrevendo 1.000 linhas de código, enquanto outro pode programar a mesma ferramenta escrevendo apenas 200 linhas. Porém, se o widget criado em 200 linhas tiver mais defeitos, a avaliação de eficiência estará comprometida. “Na minha humilde opinião, eles não conseguiram resolver o problema”, diz Frazetto.

Também é difícil comparar equipes de pessoas trabalhando em produtos diferentes, principalmente porque existem graus variados de dificuldade, explica Swanton, analista do Gartner. Além disso, Swanton afirma que os CIOs que tentam medir o desempenho dos trabalhadores correm o risco de desencorajar o trabalho em equipe, o que pode atrapalhar todo o processo produtivo.

As recomendações do especialista do Gartner para medir a produtividade é trabalhar no julgamento de cada produto ou equipe sobre o valor que é criado ou o resultado que é alcançado. O produto oferece uma melhoria mensurável aos negócios? Gera receita ou reduz custos? Se sim, os processos podem ser considerados bem sucedidos. “O objetivo da TI é fazer com que os negócios funcionem melhor. Essa é a métrica que realmente importa”, completa Swanton.

 

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