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Como uma empresa com mais de 200 anos pensa inovação?

Gigante do setor imobiliário JLL passou a adquirir empresas de tecnologia, lançou fundo para startups e criou uma dedicada a soluções digitais

Publicado:
13/11/2019 às 09:46
Leitura
6 minutos

A JLL carrega uma trajetória histórica que atravessa, pelo menos, os últimos 200 anos. Resultado de sucessivas fusões, tornou-se líder global no setor de serviços imobiliários, que vão desde locação e consultoria a engenharia e manutenção predial. Mais recentemente, a companhia passou a vivenciar uma grande transformação digital. Afinal, é preciso se reinventar para também competir com empresas que surgem para ganhar, em pouco tempo, títulos de unicórnio (nome dado às startups que superam US$ 1 bilhão em valor de mercado). “Hoje somos uma empresa de tecnologia focada no ramo de real estate”, resume Poliana Brandão, diretora de Digital Solutions da JLL América Latina, à CIO Brasil. Com a principal sede em Chicago, a JLL conta, em sua operação global, com cerca de 90 mil funcionários.

Nos últimos cinco anos, a JLL vem adquirindo uma série de empresas de tecnologia para alavancar sua transformação. Uma delas é a ValuD Consulting, integradora de software IBM e serviços de consultoria. A aquisição tem no horizonte o crescente interesse – e necessidade – do mercado imobiliário em espaços inteligentes e conectados. Afinal, nada mais diz economia (e lucro) a longo prazo do que conectividade e análise de dados. Outro sinal de que a JLL está atenta à transformação digital é o lançamento de um fundo de US$ 100 milhões, o JLL Spark, dedicado a investir em startups que possam alavancar o mercado. No ano passado, a JLL contratou um dos grandes nomes do Google, Vinay Goel, para o cargo de Chief Digital Product Officer. No Google, Goel foi responsável, por mais de sete anos, pelo Google Maps.

“Não estamos apenas comprando empresas de tecnologia e colocando uma linha de serviços de tecnologia”, pontua Poliana. “A gente está se transformando internamente”, complementa. Segundo a executiva, a JLL adotou uma estratégia de transformação de todo o seu quadro para poder entrar em um novo ramo da transformação digital. “Estamos realmente nos reinventando. A empresa entendeu isso, pois senão perderia espaço no mercado”, destaca.

A criação da área de Digital Solutions é um dos reflexos destes esforços. No Brasil, a divisão foi lançada em agosto deste ano, com Poliana, baseada no escritório em São Paulo, para liderar a área. Sob sua direção, uma equipe dedicada de 11 colaboradores, que inclui cientistas de dados e analistas de Business Intelligence. Há ainda o apoio de mais de 200 colaboradores para Digital Solutions na unidade na Índia, onde a JLL conta com uma parceria com universidades para encontrar talentos com habilidades em tecnologia.

Experiência seamless

Leia qualquer manual de transformação digital das companhias e você encontrará frequentemente o termo “experiência do usuário” como mandatório. Soma-se a isso, soluções que conseguem entregar experiência sem fricção ou seamless. É o tipo de solução que tem se popularizado nos meios de pagamento – como quando você pede um Uber e sai do carro sem ter um meio físico de pagamento. No setor imobiliário, esse tipo de experiência vem ganhando valor entre aqueles que pensam inovação e aqueles que a usam, claro.

No Brasil, no escritório da JLL, na Vila Olímpia, em São Paulo, a área de Digital Solutions implementou um projeto piloto para testar um aplicativo proprietário que consegue orquestrar as facilidades do prédio, como agendar salas para reunião ou saber se há vagas disponíveis no estacionamento. “O que a gente faz é dar visibilidade ao usuário de tudo que tenha um edifício”, explica Poliana. A ideia é fazer do aplicativo um super app que centraliza diversas funções, incluindo recursos para chamar um Uber, encontrar bikes ou patinetes para compartilhamento ou acompanhar horários do transporte público.

Um dos grandes casos de sucesso recente da divisão de Digital Solutions da JLL está em um prédio inteligente do McDonald’s. Na nova sede da gigante de fast food, localizada no centro de Chicago, a maioria dos espaços são abertos e não são fixamente designados. A ideia é que o funcionário tenha liberdade para escolher onde trabalhar. A gestão do espaço, assim como outras funções, é feita por um aplicativo pensado pela JLL. A estratégia da JLL foi desenhar um escritório inteligente que consegue dar apoio a mobilidade interna dos colaboradores. Sensores ainda medem e reportam a frequência de utilização dos espaços. Depois de quatro meses após a mudança para a nova sede, 83% dos funcionários reportaram que o novo prédio encoraja a colaboração. A companhia também aumentou em 22% a sua aquisição de talentos após a mudança.

Como pensar inovação quando se tem um legado histórico?

Um dos grandes obstáculos das organizações para inovar diz respeito à própria estrutura da companhia. Se há legado, há dificuldade. Diferentemente das startups que já nascem digitais e orientadas para inovar setores, as grandes companhias lidam com um arcabouço herdado. Inovar não é uma tarefa trivial.

Para Poliana Brandão, a inovação precisa ser pensada de uma forma holística e orientada. Para além de implementação de metodologias ágeis, Poliana destaca os esforços da JLL em pesquisa e inovação. “Não pensamos aqui sozinhos. Temos um time global, que faz parte do time de transformação e inovação. Uma vez por mês, a gente se encontra e começa a falar das tendências. Fora isso, a gente tem uma equipe focada em pesquisar quais são as tendências, novas tecnologias que a gente tem que olhar. E aí, junto com os líderes globais, a gente decide o que precisa trazer para o momento”, relata.

Para o mercado brasileiro, a executiva conta que a JLL também buscou uma empresa de análise antes de lançar a área de Digital Solutions. “Não queríamos entrar no mercado às cegas”, pontua. “Essa empresa vem trabalhando nisso e mostrando os nossos competidores. A maioria dos nossos competidores são empresas de tecnologia focadas em tecnologias. O nosso diferencial é que a gente é uma empresa de real state focada em tecnologia, ou como a JLL diz, uma empresa de tecnologia focada no ramo de real estate. Ela deixa de dizer para o mercado que é real estate para dizer que é uma empresa de tecnologia e isso ajuda muito, pois entendemos do negócio e embarcamos tecnologia para atender a necessidade do cliente,”, conclui Poliana.

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