Segundo especialista, unir as duas soluções é a maneira mais adequada de controlar a operação
Adquirir um ERP e integrar, profissionalizar e automatizar a gestão de diversos ou todos os setores da empresa é uma escolha acertada. Entretanto, se a companhia não adiciona a esta gestão um sistema de BI, a eficácia tanto do ERP quanto (e principalmente) de suas operações e controles pode estar limitada. A avaliação é de Augusto Fleck, CTO da BIMachine, empresa especializada em self-service BI.
“Digo isto porque ter todos os dados sobre tudo não faz com que toda a empresa enxergue o todo. A frase pode parecer um mero trocadilho, jogo de palavras, mas não é: o ERP traz, sim, informações sobre todas as áreas conectadas ao sistema, porém não promove análise alguma. E dado por dado é conteúdo vazio”, analisa o executivo.
Fleck ressalta que, por exemplo, saber os números de vendas, entradas e saídas de estoque de todos os pontos de venda é bom, mas poder cruzar estes dados com horários, sazonalidades, regiões, comportamentos de compra, mesclá-los com informações provenientes da logística e da distribuição permitirá traçar análises que levarão a um maior entendimento sobre os perfis de consumidor de cada local, entre outras tantas avaliações e compreensões que podem ser feitas, gerando decisões assertivas e ações rentáveis.
O especialista afirma, ainda, que a integração do ERP ao BI permite à empresa ter visão, mais do que apenas visibilidade. “Agrega expansão da compreensão operacional, comercial e gerencial. Aumento das possibilidades de análise do negócio, o que, inevitavelmente, amplia também o poder de identificação tanto de oportunidades quanto de falhas”, comenta o especialista.
Em se tratando de falhas, o CTO é taxativo: detectar onde estão os gaps do negócio é algo primordial, que, só com o ERP, pode ser difícil de perceber. O que facilita a tarefa são relatórios, gráficos e dashboards detalhados, que possibilitarão analisar processos, operações, rotinas, departamentos inteiros, resultando em maior facilidade na verificação de possíveis gaps.
Isso, segundo ele, é importante para que seja possível antecipar ou reconhecer precocemente possíveis gargalos e corrigi-los antes que afetem – ou afetem mais – o negócio.
“Sem falar na integração departamental e pessoal. Quem nunca ouviu reclamação de operações em silos? Uma área não sabe o que a outra faz, os erros e retrabalhos se acumulam. Tudo isso é tão comum quanto desnecessário: com o BI integrado ao ERP, interligar as áreas por meio da informação circulante e analisada é prático, ágil e inteligente, resultando em capacidade de ação conjunta, muito mais geração de potenciais de crescimento e desenvolvimento internos e mais benefícios para a operação lá na ponta”, salienta o CTO.
Conforme o especialista, a integração ERP/BI é a resposta para entregar a colaboradores e gestores de todas as áreas os sentidos que precisam ter para verificar os cenários desejados, tomar as decisões certas, designar as ações mais prudentes e benéficas.
“Um ERP sozinho é gestão profissionalizada. Mas somado a um BI é inteligência agregada e utilidade entregue a todo o negócio”, conclui.