“O que essa pandemia ensinará à sociedade brasileira?” foi o tema de estreia do
IT ForOn Series, iniciativa do
Grupo IT Mídia que trará entrevistas sobre as principais questões vividas na atualidade.
A edição desta terça (7) contou com a presença do filósofo Mario Sérgio Cortella, Alex Salgado (
Vivo Empresas) e Fernando Alves (
PwC), que concordaram no seguinte aspecto: confiança e solidariedade serão características
essenciais para atravessar o momento atual com boas perspectivas para o futuro
Cortella inicia a conversa explicando que, durante os últimos anos, o conceito de solidariedade muitas vezes ficou perdido em nossa sociedade, que em parte estava acostumada à uma rotina que não implicava pensar no próximo e a um certo egoísmo desenvolvido a partir desse comportamento.
Mas a expansão do coronavírus fez com que as pessoas precisassem se preocupar em garantir que o outro esteja bem para que o contágio não aumente, levou a população a repensar esse aspecto da vida. “Hoje dada a obrigatoriedade de nos juntarmos para enfrentar algo mais importante que nós, mas não impossível, temos que trazer a solidariedade de volta”, afirma o filósofo.
Em conjunto com a solidariedade está a confiança, seja no governo, na sociedade ou empresas. Levando o tema para o lado corporativo, Alex Salgado relembra que esse aspecto foi posto à prova bem recentemente, quando
muitas empresas tiveram que se ajustar ao modelo de home office para continuar em funcionamento.
“Muitastransformações que nós viemos protelando ao longo desse tempo foram colocá-las em prática em questão de semanas. E você não consegue fazer isso se não tiver liderança da organização de onde você trabalha, na sua comunidade e nos seus parceiros de tecnologia”
Propósito à prova
Para Fernando Alves, da PwC, o cenário logo após a pandemia deve apresentar o que ele chamou de “erosão da confiança”, por acordos ou condutas que não foram seguidas da forma esperada do momento da crise. Para o
executivo, este será um momento para que as empresas repensem o propósito e sistemas de valores ostentados no anteriormente.
“Organizações que não têm ou não praticam um propósito que se coadune com o cenário pós-crise são organizações que tendem a desaparecer”, afirma Alves. No médio e longo prazo, porém, o executivo tem uma visão
mais otimista e acredita no fortalecimento da noção de solidariedade tanto nos negócios como na sociedade.
Salgado também pondera que o curto prazo trará elaborações profundas para diversos negócios, especialmente os que não praticam os princípios que até então apresentava ao mercado como seus. “Nesse momento de crise é hora de fato de pôr a prova para ver se os valores são realmente sólidos ou não”.
“O que vale é nesse momento fazer com que [a situação atual] tenha validade e que tudo o que estamos passando [seja visto] como um sinal de algo que vamos aprender”, finaliza Cortella “Se tivermos valores que sejam só de fachada. Isso é, só para demonstrar algo de maneira mercadológica e não de princípio interno, o futuro vai mostrar isso com velocidade”.
Próxima edição
O segundo episódio está marcado para quarta-feira, dia 8 de abril, com o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente.
“Uma crise anunciada: estamos preparados para o pós?” será o tema do segundo bate-papo.
A participação da live é gratuita e aberta a todos. Para se inscrever, basta preencher seu email
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