O segmento financeiro é, hoje, desafiado por novos entrantes. São as fintechs, startups de tecnologias financeira, que estão tirando o sono dos bancos, que por décadas permaneciam soberanas sem concorrentes diretos. A aposta dessas novas empresas é explorar áreas que até então não eram contempladas pelos bancos. Alguns desses negócios apresentaram suas ideias no Ciab, feira de tecnologia para bancos que acontece até amanhã (23/6), em São Paulo. A seguir, conheça mais sobre três delas:
FoxBit
A FoxBit foi criada para gerenciar a movimentação de dinheiro virtual. O potencial do mercado, conforme explicou João Paulo Oliveira, chief blockchain officer (CBO) da startup, é enorme. Segundo dados do bitValor, responsável por indicadores das Exchanges Brasileiras de bitcoin, o volume movimentado a cada ano triplica. Em 2013, somou R$ 14 milhões e a expectativa é de saltar para R$ 300 milhões até o final de 2016, sendo que metade desse valor já foi negociado até o momento.
Oliveira explicou que a companhia surgiu para formalizar e criar compliance para o bitcoin no Brasil. “Em 18 meses de operação, R$ 120 mil foram negociados em nossa plataforma. Somos hoje uma bolsa privada, na qual usuários podem comprar e vender a criptomoeda de forma segura”, detalhou.
Hoje, somente três empresas no Brasil controlam 90% do volume transacionado por aqui, sendo a FoxBit o maior negócio do tipo no País, responsável por 45% do volume de transações da criptomoeda.
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KiiK
Plataforma de adquirência para transações de cartões e moedas virtuais, a KiiK provê solução de carteira virtual para usuários e estabelecimentos. Maurício Valim, coCEO da KiiK, ressaltou que esse mercado apresenta muitas oportunidades de crescimento, uma vez que o Brasil é o segundo maior em adquirência no mundo. “Olhando para esse setor, buscamos construir uma solução que agregasse cartão de crédito, débito, pontos de fidelidade entre outros”, explicou o jovem empreendedor.
Segundo ele, estabelecimentos têm o desafio claro de relacionamento com usuários, entendendo quem comprou e o comportamento dos clientes. A solução da KiiK, disse, busca promover, além do conhecimento do consumidor, recebimento flexível, facilidade na conciliação bancária e ganho operacional. Tudo isso sem máquina de pagamento, aluguel ou manutenção. “Depois de se cadastrar no site, cinco minutos são necessários para o local começar a usar a solução.”
Por enquanto, a KiiK está presente em 200 estabelecimentos em São Paulo, mas a expectativa da startup é conquistar a marca de 3 mil até o final do ano. A empresa também tem parceria com a MasterCard.
Para o usuário, a proposta da KiiK é ser uma solução diferente e inovadora, concentrando todas as formas de pagamento, sendo uma verdadeira carteira virtual.
Mutual
Os últimos anos foram difíceis para Leonardo Rebitti, CEO da Mutual. Ele precisou de um empréstimo e seu advogado orientou a produção de um contrato mútuo feneratício, modelo de contrato de empréstimo com incidência de juros. “Nesse momento, vi a oportunidade de criar um startup”, lembrou, acrescentando que como bancos não fazem contrato feneratício, é possível que haja pequenos mal-entendidos, ausência de seguro e a parte que empresta a quantia pode cobrar os juros que desejar.
Somente no Brasil, de acordo com dados do Instituto Data Popular, são realizado 39 milhões de empréstimos para pessoa jurídica, movimentando R$ 19 bilhões. “Pensando nesse público, desenvolvi a Mutual para formalizar empréstimos entre pessoas, dentro da lei”, sintetizou.
Por meio de um aplicativo, boletos são enviados para as partes e caso não haja o pagamento, multa e juros são aplicados. Depois de 15 dias de inadimplência, pode-se negativar a parte devedora pelo app. Também é possível contratar um escritório de advocacia. “Esse é um modelo comum nos Estados Unidos e que está ganhando espaço por aqui”, finalizou.