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  3. Cores no papel

Cores no papel

Publicado:
12/06/2010 às 17:22
Leitura
8 minutos
Cores no papel

Em recente visita aos laboratórios da Lexmark, nos EUA, tivemos a chance de conhecer as principais etapas de desenvolvimento e produção de uma impressora, mais detalhadamente do tipo Ink Jets, ou jato de tinta. A visita foi fascinante em inúmeros aspectos, sejam pela tecnologia embarcada na produção dos cartuchos, os desafios na fabricação das tintas, ou até pelas características de design e modo de uso que determinarão o aspecto final do produto. Há, porém, uma área no processo de pesquisa que me chamou mais atenção pelo meu completo desconhecimento do problema: o “laboratório de cores”, e isso não têm a ver com a qualidade da tinta do cartucho, ou melhor, não diretamente.

O laboratório de cores é pura pesquisa, mas antes de entrar nos seus trabalhos, vamos conhecer o processo básico da impressão da cor no papel: já sabemos que os monitores, televisores inclusive, trabalham com o padrão de cor RGB (Red, Green, Blue) e no caso dos PCs cada cor pode variar entre 0 e 255 pontos de intensidade, o preto que você vê é representado pelos valores 0-0-0, ou seja, intensidade zero nos três pigmentos, e o branco é o 255-255-255 ou a intensidade máxima. Se vocês fizerem as contas, são 256 posições possíveis (o zero é uma posição) em três variáveis, ou seja, 256 elevado ao cubo, que nos darão 16.7 milhões de cores reproduzidas em um monitor CRT moderno ou nos LCD de 8 bits (2 elevado a 8 é igual a 256), geralmente os modelos mais lentos. Nos monitores LCD mais rápidos, ou seja, com menor tempo de resposta, a quantidade de cores possíveis é sensivelmente menor, geralmente 6 bits apenas (2 elevado a 6 é igual a 64 posições possíveis) capazes de reproduzir pouco mais de 260 mil cores apenas. Para saber mais sobre esse tema, leia o artigo Computadores III: Lógica digital e Álgebra booleana e Computadores IV: Digitalização de imagens ambas do nosso mestre B.Piropo.

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A cor no papel impresso é representada no padrão CYMK (Cyan, Yellow, Magenta e Black), as famosas 4 cores que as gráficas imprimem para formar uma imagem colorida. A adoção de sistemas de cores diferentes tem sua razão: no monitor você vê a imagem produzida por um ponto luminoso de determinada cor, ou seja, a luz é projetada sobre um filtro de cerca cor, com certa intensidade, enquanto que no papel você vê a reflexão da luz natural em cima de um pigmento sob uma base de papel, geralmente branca.

Certamente vocês devem estar pensando-e eu já pensei assim antes-que para converter um padrão para o outro basta uma tabela, certo? Errado, meus caros amigos…

Em 1997 já se usavam 6 ou 7 tabelas de cores diferentes para cada situação, hoje já são mais de 700 tabelas diferentes e a razão disso é aque é algo muito subjetivo, e são nesses pontos que o laboratório de cores da Lexmark trabalha.

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Se nós mostrarmos algumas fotos de pessoas impressas no papel com diferentes tonalidades de cores para milhares de indivíduos escolherem qual àquela que mais é fiel ao que ele “esperava” (notem a subjetividade), perceberemos que as respostas não serão uniformes. A Lexmark já descobriu em suas pesquisas que o padrão de cor muda geograficamente e tem alguma associação com a aparência saudável da pessoa representada na foto. Nos EUA se dá valor a pele bronzeada, mas na Ásia eles acham “vermelho demais” e preferem tons mais claros, e essa é apenas uma das distorções para obter a tabela de cores ideal.

Essas variações já foram maiores no passado, mas segundo a Lexmark estão convergindo em uma mesma direção nos últimos 10 anos talvez por influência da globalização. Sim, pois os filmes agora circulam o mundo, bem como as fotos nas revistas e tudo aquilo que vemos na internet. Povos de diferentes culturas estão tendo acesso às mesmas imagens e padrões de cores, por isso estão adotando inconscientemente o mesmo padrão.

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Flávio Xandó já citou em seu recente artigo que a tecnologia da impressão está no cartucho, e não estamos falando só da cabeça de impressão. É preciso desenvolver um padrão de pigmentos que, combinados a uma programação de software no driver da impressora que direcionará a dispersão das gotas no papel, produzirá aquela cor . As tintas não são iguais para qualquer impressora. Há inúmeras tecnologias diferentes, algumas patenteadas, que vão interferir na qualidade final do papel impresso, especialmente nas fotos impressas. Vamos tentar aqui fazer o processo reverso para chegar a uma boa tabela de cores, por isso vamos criar um exemplo hipotético:

A equipe de desenvolvimento criou uma cabeça de impressão capaz de produzir jatos de apenas 3 pico litros (trilhonésima parte de um litro, ou seja, a milhonésima parte de um milhonésimo de litro). Portanto novas tintas precisam ser desenvolvidas com características físicas e térmicas que permitam sua passagem por canais tão estreitos, atualmente com 12 mícrons de diâmetro, e sejam expulsas termicamente em câmeras diminutas sem entupir ou borrar. Tais tintas vão receber quatro pigmentos diferentes, representando cada cor (ou três pigmentos, no caso do cartucho único comentado pelo Xandó).

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Cada uma dessas cores será amostrada no papel impresso por meio de análise fotométrica, a fim de determinar seu valor em uma tabela de conversão. Serão testadas impressões em diversos tipos de papel, com diferentes tipos de superfície, prevendo uma gama de variações de reflexão. Todas essas amostras apurada vão para uma tabela de valores, que terá relação com o tipo do papel utilizado. O pessoal que cuida dos drivers vai desenvolver uma conversão do padrão RGB para que a impressão apareça no papel o mais próximo possível, para isso acontecer o tal driver além de calcular a tabela de conversão precisará levar em conta o tipo de papel e a dispersão das gotas que será usada. Texto, gráficos ou fotografias usam dispersões diferentes, e isso tem que ser levado em conta, ou seja, o driver precisa interpretar o que está sendo impresso naquele instante.

Além disso, conforme a região que você selecionou na instalação do driver da impressora, uma variação da tabela de conversão será adotada para ajustar as cores para o padrão médio obtido nas pesquisas de opinião daquela área geográfica. Como não há pigmentos brancos na tinta, uma impressão mais clara é de fato uma impressão com gotas mais dispersas, por isso a tabela de conversão e o grau de dispersão das gostas estão intimamente relacionadas.

Depois que todo esse processo é finalizado, as amostras das impressões desse driver, com essa tinta, com os papéis utilizados para definir as tabelas de conversão, são submetidos ao desgaste acelerado em laboratório sofrendo influencias de luz, vento, temperatura e umidade para se avaliar a durabilidade daquela impressão, afinal você não quer que uma foto de família se estrague completamente em poucos anos, ou meses.

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Não há como negar que em termos de impressão por jato de tinta, a alta tecnologia não está na “carcaça” da impressora, e sim no cartucho, na tinta, na cabeça de impressão e, sobretudo, no software da impressora. Esse é um dos motivos que tem tornado as “carcaças” das impressoras tão baratas, e seus suprimentos tão caros.

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Agora que já sabemos disso tudo, dá pra estimar as perdas de qualidade com o uso de cartuchos não originais, sejam eles genéricos compatíveis ou recarregados com tintas diferentes do padrão original patenteado. Não vou defender aqui o uso dos originais em todos os casos, mas é importante vocês saberem que os alternativos não são “iguaizinhos” como muitos vendedores dizem. Deixo uma dica pra vocês, se querem imprimir fotos em casa, usem uma impressora de boa qualidade com cartuchos originais e papel “photo” adequado. Se é para economizar, é melhor imprimir a foto nos laboratórios da rua do que partir para soluções alternativas.

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