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A nova corrida do ouro se chama IA e o Brasil está no mapa, acredita CEO da Jitterbit

No Jitterbit Accelerate, Bill Conner alertou para a nova corrida do PIB, disputa em que a IA redefine economias

Publicado:
16/10/2025 às 08:47
Déborah Oliveira
Déborah Oliveira
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7 minutos
Bill Conner, CEO da Jitterbit. Foto: Divulgação/Jitterbit
Bill Conner, CEO da Jitterbit. Foto: Divulgação/Jitterbit

Bill Conner, CEO global da Jitterbit, desembarcou no Brasil para o Jitterbit Accelerate, evento da empresa para clientes que aconteceu nesta quarta-feira (15/10) em São Paulo, com uma provocação: a famigerada corrida da inteligência artificial (IA) não é tecnológica, é econômica e o Brasil disputa o protagonismo desse mercado.

“Presidentes, primeiros-ministros e até ditadores estão em uma corrida de IA pelo PIB”, disparou. “Não existe hoje nada com potencial maior para mudar o resultado econômico de um país do que a inteligência artificial e não em 30 anos, mas nos próximos dois.”

A frase representa um alerta e carrega grande responsabilidade. Segundo ele, no entanto, o futuro da IA corporativa depende da integração entre dados, sistemas e agentes. “Hoje, apenas 28% das aplicações corporativas são realmente integradas. O restante vive em silos de dados. Enquanto isso, o funcionário médio consome 12 horas por semana correndo atrás de informações que não se falam”, afirmou Conner.

É aí que entra a plataforma da Jitterbit, especializada em integração e automação de sistemas empresariais, que busca resolver a equação conectando sistemas legados, APIs e automações com IA. A companhia aposta em uma arquitetura em camadas que mantém a IA “colada” nos dados e casos de uso reais, reduzindo o risco de alucinação.

A aposta da Jitterbit é ainda unir IA generativa e low code em uma única plataforma, permitindo que empresas criem seus agentes de IA, que prometem revolucionar fluxos de trabalho em RH, vendas, atendimento e operações.

A aposta da Jitterbit

A Jitterbit quer balançar o tabuleiro da inteligência artificial aplicada a negócios, que movimenta trilhões de dólares em investimentos. Trata-se de uma corrida global por produtividade, eficiência e novos modelos de receita, na qual poucas empresas conseguirão capturar valor real. A aposta da companhia é oferecer IA com retorno sobre investimento (ROI) e não apenas tecnologia pelo status. “Estamos deixando de vender produtos e passando a vender resultados”, resumiu o executivo.

Conner lista números de impacto dessa abordagem. Três semanas após o lançamento global da sua mais nova plataforma, a empresa teria gerado um pipeline de US$ 3 milhões, sendo que 32 clientes já compraram ou negociam a adoção desses agentes. “É o crescimento mais rápido que já tivemos”, disse.

Mas o próprio Conner reconhece que o novo ouro da IA traz um risco colateral, o “agent sprawl”, ou a multiplicação descontrolada de agentes autônomos nas empresas. “Hoje todo mundo quer o seu agente. O de marketing, o de finanças, o de supply chain. O problema é que ninguém está coordenando essa festa”, ironizou.

O resultado, alerta, pode ser o mesmo que aconteceu com os aplicativos corporativos nos últimos 20 anos, incluindo fragmentação, redundância, gargalos e riscos de segurança. “Estamos construindo agentes um por vez, pessoa por pessoa, sem uma arquitetura. É o faroeste da IA”, provocou.

Corrida global da IA e o lugar do Brasil

Em entrevista ao IT Forum, Conner expandiu seu raciocínio sobre o tema. “O que está acontecendo é uma corrida global pela liderança da IA. EUA, China, Reino Unido, todos competem. Mas a diferença é que agora é uma corrida econômica, não por tecnologia em si, mas por quem vai capturar valor”, disse.

E o Brasil? “Quando vim pela primeira vez, há um ano e meio, o país olhava de forma curiosa para a AI. Agora, vejo empresas maduras, com agentes rodando e projetos reais. Ainda existem dois mundos: os que experimentam e os que precisam da IA para sobreviver. Mas a curva de aprendizado aqui é impressionante.”

Na visão dele, o Brasil tem um papel singular por laboratório e vitrine ao mesmo tempo. A operação local da Jitterbit, inclusive, cresceu para comportar essa explosão e abriga um terço da força global da companhia, funcionando como centro de engenharia, suporte e produto. “O Brasil é a nossa referência em integração e serviço para o mundo”, reforçou.

Segundo ele, enquanto boa parte do Vale do Silício discute ética e regulação, o Brasil aposta no “fazer”, aprendendo na prática, com menos medo e mais urgência.

Outro lado da moeda: segurança e governança

Mas nem tudo é entusiasmo. Conner admite que o avanço da IA cria um campo minado. Depois de ter colaborado com agências governamentais e forças policiais internacionais em investigações sobre crimes cibernéticos enquanto liderava empresas de segurança digital, o executivo traz a cibersegurança para a discussão.

“Hoje há mais brechas abertas em IA do que havia em qualquer outro software nos últimos anos”, afirmou. “A diferença é que as janelas de exposição são menores, porque as tecnologias mudam rápido. Mesmo assim, o risco é real.”

Ele cita o caso de frameworks como o Model Context Protocol (MCP), que se popularizaram rapidamente antes que as empresas conseguissem criar camadas adequadas de segurança. “Como não dava para esperar, criamos nossos próprios wrappers de proteção para cliente e servidor. É melhor do que deixar para depois.”

Nessa arena, a Jitterbit quer se diferenciar com o conceito de IA rastreável. Cada ação de um agente, cada decisão sugerida por IA, cada comando executado seria registrada, carimbada e auditável. “É a única forma de garantir accountability”, disse.

O discurso soa como um contraponto à lógica da IA “caixa-preta”. Na visão de Conner, quem não souber explicar como o algoritmo chegou à conclusão perderá credibilidade e, em breve, clientes.

Durante a conversa, Conner contou um caso que ilustra a virada da Jitterbit de “vendedora de produtos” para “parceira de transformação”. “Um cliente do setor de móveis me disse: ‘não consigo acompanhar a mudança diária de preços e promoções’. Eu respondi: ‘isso é uma aplicação perfeita para IA’. Em poucas semanas, combinamos nosso App Builder com um agente inteligente que monitora preços em tempo real, cruza dados de estoque e sugere ajustes automáticos. Ele não comprou um software. Comprou uma resposta para um problema.”

A anedota resume a filosofia de Conner. Para ele, a IA é útil quando resolve o que tira o sono do executivo. E, como ele fez questão de repetir, “quem estiver confortável demais, está prestes a ser ultrapassado”.

Mar de agentes de IA

Conner aposta que, em poucos anos, cada profissional usará dezenas de agentes diferentes e que será inevitável a criação de um “orquestrador de agentes”, uma camada capaz de fazer todos conversarem entre si.

“O Google diz que serão entre 3 e mil agentes por trabalhador do conhecimento. Isso é um caos. E alguém vai precisar coordenar esse caos”, brincou. “Ainda não sei quem será o ‘Deus dos agentes’, mas quero conhecê-lo.”

Enquanto esse futuro se desenha, a Jitterbit se move rápido. “Somos o elo entre low code, integração e IA, com a bandeira da segurança e do ROI. Há muita gente vendendo promessas. Nós vendemos resultados mensuráveis”, finalizou.

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Déborah Oliveira
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Editora-chefe e diretora de Conteúdo do IT Forum, Déborah Oliveira é jornalista com mais de 17 anos de experiência na área de TI. Tem passagens pelas redações da Computerworld, CIO e IDG Now!. Bacharel em Jornalismo, com graduação executiva em Marketing, e MBA em Marketing. Em 2018, foi vencedora do prêmio de melhor Jornalista de TI no Brasil, do Cecom. Em 2019 e 2020, foi destaque do mesmo prêmio na categoria Telecom. É uma das autoras do livro “Da Informática à Tecnologia da Informação – Jornalistas Contam Suas Histórias”, pela editora Reality Books, lançado em 2020.

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