Ao substituir silos tecnológicos por uma infraestrutura integrada, o Crea-MG elevou eficiência, resiliência e capacidade de evolução dos serviços
Durante anos, a infraestrutura de TI do setor público brasileiro seguiu um roteiro aquisições fragmentadas, contratos desconectados, múltiplas camadas de gestão e um ambiente cada vez mais difícil de operar, atualizar e escalar. No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), esse cenário começou a se tornar um limitador direto para a operação e para a evolução dos serviços digitais prestados.
A virada veio com a decisão de substituir um ambiente legado, baseado em silos tecnológicos, por uma arquitetura hiperconvergente (HCI), integrando computação, armazenamento, virtualização e gestão em uma única plataforma. O projeto foi conduzido em parceria com Lenovo, Nutanix e a integradora Altasnet, e marcou um novo estágio de maturidade tecnológica para a autarquia Crea-MG.
Antes da modernização, o Crea-MG operava um ambiente típico de infraestruturas construídas ao longo de décadas: servidores, storage, redes e softwares adquiridos separadamente, cada um com seu contrato, ciclo de atualização e console de gerenciamento. Na prática, isso significava alto esforço operacional, baixa visibilidade sobre uso de recursos e dificuldades para planejar crescimento.
“Era comum a equipe de TI passar meses especificando uma licitação para servidores e, quando concluía, já precisava iniciar outro processo para armazenamento, criando um ciclo contínuo de renovação incompleta”, explica Matheus Bello, diretor da Lenovo ISG para o setor público.
A situação se tornou ainda mais desafiadora quando o Crea-MG perdeu licenças perpétuas de virtualização, o que impactou diretamente a disponibilidade de sistemas e reforçou a urgência por uma nova arquitetura.
Após um estudo técnico aprofundado, o Crea-MG optou por uma solução de infraestrutura hiperconvergente baseada na linha Lenovo ThinkAgile HX Series com Nutanix Cloud Infrastructure Pro. O modelo consolida todos os componentes essenciais da infraestrutura em nós integrados, gerenciados por uma interface única.
Na prática, a mudança reduziu drasticamente a complexidade operacional, garantiu previsibilidade de capacidade e permitiu que a escalabilidade passasse a ser feita de forma modular. Agora, é possível crescer adicionando novos nós, apenas quando necessário.
A nova infraestrutura já suporta dezenas de servidores virtualizados, além de sistemas críticos e ambientes de telefonia, com armazenamento NVMe e processadores de última geração, eliminando gargalos e interrupções recorrentes.
Um dos impactos mais relevantes do projeto não está apenas no desempenho técnico, mas na forma como a equipe de TI passou a atuar. Com gestão centralizada e atualizações unificadas, o volume de incidentes e chamados operacionais caiu, liberando tempo para atividades estratégicas.
“Antes, não tínhamos visibilidade adequada nem para monitorar cibersegurança. Hoje conseguimos enxergar melhor nossos dados, aplicar novas ferramentas e planejar com mais segurança”, afirma Gustavo Mendes Guimarães, gerente da divisão de Governança de Tecnologia e Cibersegurança do Crea-MG.
Segundo a autarquia, a nova base tecnológica permite hospedar demandas que antes eram consideradas inviáveis, criando um ambiente mais estável para crescimento e inovação.
Outro pilar do projeto foi a incorporação do conceito de cyber resilience desde a camada de infraestrutura. A solução adotada traz mecanismos de proteção que começam no hardware, incluindo BIOS (software mais básico de um computador ou servidor, responsável por fazer o hardware funcionar antes mesmo do sistema operacional existir) e interfaces de gerenciamento, e seguem por todo o stack de software, alinhados a normas internacionais de segurança.
Esse desenho reduz riscos estruturais e cria um ambiente mais robusto contra ataques, algo cada vez mais crítico no setor público, onde a indisponibilidade de serviços tem impacto direto sobre cidadãos e empresas.
Embora o Crea-MG ainda não tenha projetos de inteligência artificial (IA) em produção, a modernização foi pensada como uma etapa habilitadora. Com maior visibilidade sobre dados, desempenho e uso de recursos, a autarquia passa a ter as condições mínimas para iniciativas de analytics, inteligência de negócios e, no futuro, IA.
Além disso, a arquitetura atual permite evoluir para modelos de nuvem privada e nuvem híbrida, conectando workloads locais a ambientes externos quando necessário algo inviável no cenário anterior. “Antes de pensar em IA, é preciso conhecer o dado, saber onde ele está, como se comporta e qual seu perfil. Agora, o Crea-MG tem essa base”, resume Bello.
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