O canadense David Perry, especialista em recrutamento, ficou famoso como coautor do livro “Guerrilla Marketing for Job Hunters 2.0” (Marketing de Guerrilha para Desempregados 2.0, em tradução livre do inglês). Entre outras questões, ele defende a ideia que o uso de estratégias pouco ortodoxas na busca por uma vaga pode resultar na obtenção de um novo emprego em um terço do tempo médio demandado por esses processos.
Em entrevista à ComputerWorld/EUA, Perry fornece detalhes sobre as estratégias e explica como os profissionais de TI podem tirar proveito de suas lições.
David Perry – Parar de procurar por vagas e passar a buscar empregadores e por pessoas influentes. Prepare uma relação com as 20 empresas em que gostaria de trabalhar. Se estas não estiverem contratando, a saída será estar em evidência nessas empresas.
Todos os dias essas organizações dispensam funcionários e a procura por mão-de-obra qualificada, na verdade, nunca cessa. Faça o máximo de contatos, frequente os círculos e, assim que a oportunidade aparecer, seja um dos primeiros a saber.
Use sites como o LinkedIn – estar lá é importante, mesmo que não traga resultados imediatos. O LinkedIn é utilizado para consultas sobre quem você é e o que faz. É muito provável que o recrutador procure pelo nome dos candidatos no Google e nas redes sociais.
CW – Poderia dar exemplos de marketing de guerrilha na busca por empregos?
Perry – Quem entende do assunto sabe que, em média, 20% das vagas existentes são anunciadas na web. Então uma saída é ficar esperto e procurar um meio de ficar visível para as 80% restantes. Fato é que a vasta maioria fica presa às oportunidades anunciadas na Internet.
O lance é criatividade, sabe? Foco e persistência também. Em todo caso, ações mais, digamos, ousadas podem ajudar. Tente ligar para quem decide, mas não engasgue ao ouvir a voz do diretor e lembre que ele tem segundos antes de desligar na sua cara. Faça um currículo bacana, com testemunhos de outras pessoas, algo rico e informativo. Tem até caso de gente entregando currículos em embalagens bem criativas como dentro de copos de café descartáveis.
CW – Em copos de café? Como assim? Isso já funcionou para alguém?
Perry – Eu chamo isso de um currículo com personalidade. Os ingredientes são bastante básicos: um documento repleto de cores, com logotipos de antigos empregadores, uma embalagem de café para viagem da Starbucks e uma breve carta de apresentação convidando o recrutador para um café e uma conversa sobre como o candidato pode ajudar a empresa.
O negócio é mandar essa caixa por FedEx, DHL ou outro serviço similar. Sobre o sucesso dessa tática, sugiro que pergunte a Mark Thomas. Ele teve de parar a operação de envio dos currículos em copos de café, pois estava com a agenda lotada depois de enviar dez pacotes desse tipo. Thomas começou em um emprego novo em 8 de março, na função de administrador de sistemas em Mesa, no Arizona.
CW – E você acredita que essas táticas servem para profissionais da área de TI?
Perry – Por que não funcionaria? Acho que os profissionais de TI são as pessoas mais habilitadas a fazer esse tipo de ação. Eles têm uma noção nata de como funcionam as redes e as ferramentas colaborativas nas empresas.