A batalha no mercado telecom está a beira de um cenário desolado. As projeções para o setor nos Estados Unidos e países desenvolvidos são pessimistas e dão conta de corte substancial nos investimentos no próximo ano.
Os fornecedores de equipamento de telecomunicações, mercado estimado em US$ 49 bilhões (2007), trava uma luta particular, com os grandes fabricantes competindo numa esfera de preços competitivos e margens apertadas.
Ocupando posição invejável no ranking de fabricantes, a Nokia Siemens prevê operações em queda nos próximos anos. Analistas acreditam em redução acentuada nos negócios da companhia à medida que os clientes apertam os cintos em meio a turbulência financeira.
A realidade é que as empresas já começaram a cortar custos. No início do mês, a Nortel dispensou 1,3 mil funcionários, enquanto a Nokia Siemens mandou embora outros 1,820, justificando o movimento como um programa de redução de gastos.
A Ericsson revelou que seus planos para 2009 foram estruturados com previsão de mercado estagnado. No Brasil, a integradora de soluções NEC anunciou que também vislumbra o mercado de telecom estável no próximo ano.
“Os investimentos em infra-estrutura wireless podem declinar até 12% no próximo ano devido a uma combinação entre diminuição do ritmo nos mercados emergentes e o corte nos investimento em tais tecnologias nas demais regiões”, projetou Kulbinder Garcha, analista da Credit Suisse.
Scott Siegler, da empresa de pesquisa norte-americana dell´Oro, acredita que a situação econômica pode ferir investimentos em redes 3G a ponto de o mercado crescer a patamares de “um único dígito”, em comparação a 2008.
“Acredito que as tecnologias sem fio são uma necessidade; mas os pacotes de serviços que vem embutidos nelas, não”, resumiu o analista.
Operadoras
Enquanto os clientes começam a reduzir seus gastos, as operadoras de telefonia focam em geração de caixa – o que tradicionalmente desperta o interesse dos investidores.
Muitas provedoras, incluindo a Vodafone – principal player em vendas de telefonia móvel – manifestou que planos de cortar custos e reduzir orçamentos. Justamente porque, para essas empresas, a opção mais fácil no momento é atrasar os investimentos.
A única grande fonte de recurso está nos mercados emergentes. O grande problema é que essas regiões estão dominadas pela forte concorrência e, geralmente, trabalham com perspectivas de lucratividade abaixo da média de mercados consolidados.
Isso sem contar que as companhias estão preocupadas com a desvalorização das moedas dos países emergentes frente ao dólar e o euro, o que impacta no custo dos produtos importados podendo comprometer os orçamentos de uma hora para outra.
Na última semana, operadoras móveis brasileiras solicitaram ao Governo o adiamento do pagamento de licenças em face de condições apertadas de crédito. Uma fonte ligada a indústria local apontou que falta capacidade às redes no Brasil, o que faz com que os provedores desses serviços solicitem rollouts cada vez mais rápidos.
A oportunidade bate a porta?
Depois que tiverem se recuperado da crise – seja em 2009, 2010 ou 2011 – aumentar a capacidade de tráfego de dados é a chave para a indústria de telecom voltar a crescer.
A utilização das redes para rodar dados nos mais diversos formatos faz com que se projete um aumento exponencial no volume de informações transmitidas.
Em mercados maduros, essa explosão de tráfego já é uma realidade. Mas, tal situação, combinada com aumento nas demandas nas regiões emergentes, pode tornar o adiamento dos investimentos na capacidade e um tiro no pé das operadoras.