Executivos de tecnologia e indústria abordam impacto causando pela pandemia do Covid-19 dentro dos projetos envolvendo transformação digital
A mobilidade é um dos fatores que mais serão impactados no mundo corporativo durante o pós-coronavírus.
De acordo com a pesquisa Liderança durante a crise, elaborada pela IT Mídia para entender como os CIOs estão lidando com o momento atual, 95% dos respondentes afirmaram que a intensificação do home office como cultura é um tema que está em alta dentro das discussões entre os C-levels.
Além disso, 51% dos CIOs respondentes mencionaram a digitalização do portfólio de produtos como uma das medidas adotadas para garantir a operação da marca dentro do ambiente online.
E quais seriam os outros impactos que a pandemia do Covid-19 causou dentro das corporações? Os participantes do sétimo episódio do IT ForOn Breaktouts tentaram responder essa pergunta.
Como tema “Cultura digital: como as empresas se adaptaram rapidamente a um mundo que estava em construção?”, executivos de tecnologia e da indústria debateram como a situação atual influencia seus planejamentos de negócios e perspectivas de curto prazo.
Participaram da conversa Oderico Claro (CIO Americas – Yara Fertilizantes); Roberto Carneiro (CIO-Sodexo); Henrique Campos (CIO – Prudential Financial); Samantha Martins (CIO – Iguatemi Shoppings); Giampaolo Michelucci (VP – Dell Technologies); Tiago Miranda (Diretor comercial – Microcity); Rodrigo Parreira (CEO Latam – Logicalis); Andre Beller (Head of Sales Latam – FIS); Carlos Gazaffi (Presidente – TIVIT); e Vitor Cavalcanti (Sócio-diretor – IT Mídia).
Presente em 60 países e com um terço na operação dentro da Brasil, a Yara fertilizantes já investia em tecnologia para se destacar dentro do setor, que atua de forma mais conservadora quando se fala na adoção em novas tecnologias.
Tanto para a transposição dos 1,3 mil funcionários para o home como para modernizações internas, a empresa está envolvida em um projeto de mudança de cultura e mindset, para que a companhia mantenha a competitividade durante a crise.
O mercado de alimentação, um dos principais negócios da Sodexo, foi bastante afetado por conta da política de isolamento. Em meio a esse cenário, a empresa busca se adaptar para diminuir custos e manter rentabilidade.
Uma das iniciativas adotadas, explica o CIO, foi realizar parcerias com aplicativos de entregas de comida e, ao operacionalizar a cozinha existente no escritório, implementar um modelo de negócios que vinha sendo discutido há bastante tempo e cuja ativação não deveria ocorrer tão cedo.
“Houve uma aceleração sem dúvida nenhuma e a gente tem que se adaptar a isso. E está sendo bom, porque a gente vê que coisas que a gente estava prevendo que fossem feitas em meses podem ser feitas em semana e dias. A gente sobrevive”, afirma
O CIO acredita que assuntos como machine learning, conversão de legados, RPA e otimização de microsserviços ganharão mais serão implementados à toque de caixa nos próximos meses, por conta do movimento que vem surgindo no setor de capacitação e otimização dos processos para deixá-los mais independentes, por conta da pandemia.
Toda essa movimentação também impactará de forma profunda a relação entre TI e RH, que deve ficar bem mais próxima durante o pós-pandemia, quando novos formatos de trabalho precisarão ser discutidos, bem como a reformulação da cultura para empresas que não tinham a mobilidade como prática do dia a dia.
Com os shoppings operando de forma bastante reduzida, a equipe do Iguatemi está utilizando o tempo atual para se aprimorar em uma nova linha de frente, seguindo a tendência de que esse espaço se torne cada vez mais um centro de relacionamento, encontro e entretenimento.
Por isso, um dos objetivos com o lançamento do marketplace Iguatemi 365, que reúne a operação online de alguns dos lojistas que possuem unidades em um dos estabelecimentos da marca, é entender mais sobre o comportamento do usuário e criar soluções que fomentem a fidelização do público.
Para o VP é cultura, e não a tecnologia, o aspecto mais importante dentro da transformação digital, “não adianta ter um notebook, ter uma VPN e não se atentar que as necessidades do arquiteto são diferentes da do engenheiro. É preciso dar os recursos certos para o perfil certo”.
Quando se fala no fechamento de contratos, Michelucci contextualiza que o executivo de hoje precisa apresentar sua solução de forma clara consistente não apenas para a área de TI, mas também para as divisões de negócio, que querem estar cada vez mais envolvidas nessas negociações para entender o impacto de um novo produto no dia a dia e acelerar a adoção dessa nova ferramenta.
O executivo observa que setores como educação precisaram se adaptar de forma muito rápida para continuarem com a obtenção de receita, sendo que a TI teve um papel essencial para a formação dessa nova realidade.
“Tanto competência como agilidade e flexibilidade serão muito fortes nesse momento, tanto para clientes como para indústria”, afirma. Outra questão analisada pelo diretor é a retorno que muitas das empresas parceiras estão fazendo para projetos que antes estavam parados.
Gerenciando a operação de 11 países da região, Parreira acredita que o momento atual será impulsionado por diversas inovações surgidas por conta da necessidade, “atropelando” planejamentos e timelines.
O processo de transformação digital, avalia, será mais desafiador para uma parcela dos CIOS que possuem maior dificuldade para utilizarem e se adaptarem a novos modelos de trabalho, como o uso de metodologias ágeis e serviços de automação.
Porém, o executivo acredita que esse é um caminho sem volta “A indústria já estava mostrando [essa necessidade de adaptação] e a crise tende a acelerar a maneira de fazer as coisas. Agora começa a surgir de fato a agenda de inovação”.
Dentro da rotina de Beller, o executivo tem percebido que um dos resultados da cultura digital é a percepção do uso da tecnologia como um meio e não como o fim. “Mudou a dimensão da discusão, agora ela é muito mais focada no objetivo que a empresa quer atingir”, explica.
E essa nova realidade exige adaptações. O executivo citou um caso atual, no qual a FIS atua auxiliando governos e prefeituras a distribuir cartões pré-pagos para pessoas que são elegíveis a esse auxílio.
Além da estrutura tecnológica, a empresa pensou em alternativas como chatbot e a criação de canais de atendimento que não dependessem da internet ou de um smartphone, para dar mais acessibilidade ao público que não tivesse um smartphone.
Para as empresas que estão em setores cuja receita caiu de forma brusca, o executivo acredita que o momento atual exige a conversação prioritária de serviços essenciais, reduzindo custos extras e paralisando de fato novas iniciativas, a fim de garantir a continuidade do negócio.
Agora, para os negócios que conseguiram manter o ritmo durante a pandemia, Gazaffi enxerga uma ótima oportunidade para a aceleração da transformação digital. “Eu vejo esse novo momento em ondas. A primeira diz respeito à manutenção das atividades principais do negócio e esse momento já passou. Os serviços essenciais foram suportados e agora precisamos focar em serviços inovadores.”
Para o CEO, essa nova fase passa por um investimento forte na atualização dos funcionários sobre novas tecnologias, além de implementar dentro da companhia uma mudança de visão que auxiliem os colaboradores a se adequarem a esse novo momento.