Em parceria com ITS Rio, pesquisa tentou avaliar as vantagens dessa tecnologia, junto com a criação de identidades digitais, para aumentar governança
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) lançaram na quarta (18) um estudo para entender com mais profundidade como seria a adoção da tecnologia blockchain dentro do setor de cadastro de investidores no mercado.
Chamado “Cadastro de Investidores: Desafios Operacionais, Inovações Tecnológicas e Proposta”, o estudo tem como objetivo entender as vantagens e desvantagens do uso de uma DLT (Distributed Ledger Technologies, plataforma com funções parecidas com a do blockchain, só que de uso mais amplo) para o gerenciamento de dados cadastrais de investidores.
A prática de cadastro está dentro de uma política chamada “Know Your Client” (conheça o seu cliente, em tradução livre), na qual bancos e instituições financeiras precisam ter a máximo de informações possível sobre seus clientes para, e usar a base de dados para tarefas como avaliação de risco e análise de patrimônio.
Essa política é importante porque, ao ter uma visão mais abrangente sobre o histórico de uma conta, é possível prevenir (ou ao menos identificar mais rapidamente) possíveis casos de lavagem de dinheiro. Atualmente, de acordo com o estudo, existem várias lacunas nesse processo, como cadastros duplicados e falta de informações.
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E essas inconsistências acabam gerando custos. Segundo o estudo, a indústria bancária americana gasta de US$ 10 mil a US$ 50 mil para realizar uma diligência completa de um cadastro, sem falar que os esforços para prevenção de lavagem de dinheiro alcançam US$ 10 bi anuais.
No Brasil, cerca de R$ 4,3 milhões são cadastros com gestão cadastral, R$ 3,8 milhões com gestão de suitability e até R$ 5 milhões com o monitoramento de pessoas expostas politicamente (PEPs).
A conclusão geral do estudo (que pode ser acessado nesse link) é que a tecnologia DLT tem potencial de uso, mas ainda precisam ser avaliados temas como governança e regulação da prática dentro de um ambiente como o bancário.
A pesquisa pondera que essa implementação ainda se encontra dentro de um “mundo ideal” e que, a curto prazo, soluções como o open banking (que terá mais força no Brasil em 2020) sejam utilizadas de forma mais abrangente pelas instituições financeiras.
Outra questão abordada e validada dentro do estudo é a de identidades digitais, perfis únicos para cada investidor, verificados e bem estruturados. Na percepção do estudo, a implementação dessa tecnologia pode fornecer benefícios como maior autonomia na gestão das próprias informações, centralização de dados e facilidade na portabilidade cadastral.