Nos últimos anos, o data center ganhou o status de ativo de missão crítica perante os executivos das organizações em função:
• Continuidade das operações do negócio. O data center tem a capacidade de interromper a continuidade do negócio
• Ativo estratégico. O data center hospeda boa parte do capital intelectual da organização na forma de dados, informações, aplicações e arquitetura
• Driver do negócio. No centro das capacidades de produtos e serviços digitais que demandam alta capacidade de processamento, throughput para tráfego de imagens e vídeos, interconexão, colaboração e hiperconvergência
• Custos. O data center tem um TCO e um ciclo de vida a cumprir, envolvendo a construção, instalações, equipamentos, ativos, operação, monitoração, gerenciamento, atualização, proteções, energia, local, fornecedores etc.
O data center não é mais um assunto restrito para a área de infraestrutura da TI e sua gestão requer um framework que contemple todo o ciclo de vida.
Etapa 1 – Especificação do data center que deve contemplar o setor de negócio da organização, os direcionadores de negócio atuais e futuros, requisitos técnicos, de tecnologia, de capacidade e financeiros. Esses requisitos devem ser traduzidos para uma especificação técnica.
Etapa 2 – Processo de seleção do modelo de data center para a organização: próprio (convencional, modular indoor ou container outdoor) ou de terceiro (cloud pública ou privada ou híbrida, hosting ou colocation).
Etapa 3 – Engenheiros especializados em design de data center elaboram o projeto executivo; o fundamento do ciclo de vida do data center e sem o qual é como construir uma casa sobre a areia.
Etapa 4 – Poucas empresas estão habilitadas para gerir a integração de múltiplos fornecedores para construir, reformar ou instalar um data center.
Etapa 5 – Com o data center comissionado, ativado e as equipes devidamente treinadas e apta para gerenciar, monitorar, operar e manter, é hora de executar o projeto de ocupação e setup (moving físico ou lógico) com os ativos de TI (servidores, storages, rede, telecom, backup etc).
Etapa 6 – Ativamos o data center e inicia-se a gestão, operação, monitoração e mudanças que irão refletir em toda a vida útil do data center.
Nesta fase, é intenso o volume de implantações e mudanças de aplicações, ferramentas, configurações, maquinas físicas e virtuais e deve ocorrer sem perder o controle da gestão e rastreabilidade das informações.
A segurança da informação é um requisito vital para a proteção da organização e requer políticas, gestão, cultura, ferramentas apropriadas, monitoração e ações proativas e também reativas, mas previamente planejadas.
A auditoria externa patrocinada pela alta direção e feita por empresas capacitadas é um poderoso instrumento e trará maiores chances de manter o nível de serviço e proteção requerido.
O backup é fundamental nos planos de recuperação de desastre e ainda assim, muitos gestores desconhecem que não estão protegidos e com potencial para eventos de desastre.
A boa notícia é que há muito que fazer mesmo com poucos recursos vindo da empresa; não há justificativa para não ter uma política, um plano, cultura e gestão da Segurança da Informação para o Data Center e para toda a TI.
Por outro lado, muitos gestores estão estressados com a gestão de capacidade, com falta de recursos, trabalhando além do necessário e colocando em risco o negócio para atender o crescimento das demandas.
Os executivos deveriam ter em sua pauta o Plano de Continuidade do Negócio e o de Recuperação de Desastre – DRP. A finalidade das organizações vai além do lucro, mas tem um grande interesse social e, portanto, precisa ser protegida; isto já é obrigatório em alguns países para o setor de saúde, por exemplo.
A continuidade do negócio deve estar na pauta dos executivos e o DRP é uma das respostas mais importantes, pois ele mantém os riscos sob monitoração, as ações de resposta a incidente, o tempo de recuperação conhecido e os impactos e a comunicação sob controle.
Não saber o que fazer em um evento de desastre deixa qualquer gestor de TI em pânico. Algumas organizações mantém um Data Center de contingência em uma das suas unidades de negócio ou em cloud, mas são poucas as que se “arriscam” a testar sua contingência.
E por fim, a gestão dos serviços de TI, imagem da área de TI perante os usuários, leva todo este potencial e capacidades ao negócio ao organizar, gerenciar, monitorar, operar e integrar todas as áreas da TI.
O data center não é uma caixa preta ou uma disciplina totalmente técnica para estar contida dentro da área de infra de TI, mas um ativo estratégico sustentado por pessoas com políticas, processos, ativos, ferramentas e fornecedores.
E como mensagem final para o Ciclo de Vida da Gestão do Data Center, não inicie implante ou gerencie um Data Center sem um desenho completo e um plano integrado pois os investimentos e os custos previstos para sua vida útil perdem ineficiência em cada etapa, reduzindo o tempo de vida e aumentando de maneira significativa o Custo Total de Propriedade (TCO, na sigla em inglês).

No próximo artigo, o último da série de cinco, abordarei a importância de planos de contingência e missão crítica.
*Ivan Abreu Paiva é diretor de Consultoria Estratégica da TecnoComp